Paolo Simoncelli continua a estar presente no paddock que lhe tirou tudo: o seu filho. Não desistiu, criou uma equipa, a SIC58 Squadra Corse, e continua a competir.
«Virar a cara para o outro lado seria a coisa mais fácil, e acredito que isso aconteça em 95% dos casos. É uma dor imensa, que muda a tua vida de um momento para o outro e, naturalmente, deixa te desorientado. Tenho de dizer que ter a Martina, a irmã do Marco, ajudou-nos imenso. E, acima de tudo, o que mais ajudou a mim e à minha mulher foi sabermos que fizemos a coisa certa. Não temos arrependimentos. Fizemos tudo o que era necessário para que o Marco fosse feliz. Quando morreu, o Marco era feliz, porque estava a fazer aquilo que realmente queria mais do que qualquer outra coisa», contou numa entrevista concedida ao Fanpage.
Paolo começou em 2013, no campeonato italiano. Depois, passou para o campeonato espanhol e, finalmente, em 2017, levou a sua equipa até ao Campeonato do Mundo de Moto3.
«A equipa nasceu por causa de Mattia Casadei e Aldo Drudi», recordou Paolo. A partir daí, a história continuou — e continua até hoje — sempre em nome de Sim.
A influência de Marco também esteve na origem da decisão de Valentino Rossi de criar a sua Academia.
«Marco e Vale sempre tiveram uma relação muito bonita. Na Cava original, divertiram-se imenso e o Marco aprendeu muito durante aqueles momentos», contou Simoncelli. «O Marco considerava-o um amigo e gostava muito dele. Naturalmente, aquilo que aconteceu, e a forma como aconteceu, também foi difícil para o Valentino, porque, no fundo, a vida é estranha. Há coincidências incríveis. De vez em quando, falamos, encontramo-nos e abraçamo-nos. Ele diz-me que, às vezes, sonha com o Marco. Também me acontece a mim. É algo normal.»
Paolo mantém vivo o legado de Marco através da equipa, mas também da fundação que lhe é dedicada e que está envolvida em vários projetos.
O responsável falou ainda da recente polémica com Pecco Bagnaia, a quem tinha aconselhado a ficar calado para não se tornar ridículo.
«Não queria dizer nada contra o Bagnaia. Gosto muito do Pecco», esclareceu. «Disse aquilo que pensou, mas não para criar polémica. Há momentos, e eu também passei por isso com o Marco, em que as coisas correm mal e talvez seja melhor ficar calado, fingir que nada aconteceu e não dar importância ao assunto. Era isso que queria dizer, não outras coisas que alguém possa ter inventado. Nunca foi minha intenção falar mal dele.»














