O fim de semana de Jerez chegou ao fim e, com ele, terminou a aventura de Danilo Petrucci no Mundial de Superbike. O piloto italiano não conseguiu conter as palavras, as lágrimas e as emoções no final da corrida, com a sua maior vitória bem à vista de todos: o carinho das pessoas.
A aventura de Danilo levou-o a competir em circuitos de meio mundo, entre MotoGP, MotoAmerica e Superbike. O italiano enfrentou até as areias do deserto do Dakar, representando algumas das maiores marcas europeias: Ducati, KTM e BMW. O sonho daquele rapaz de Terni que, como tantos outros, talvez ambicionasse conquistar um título mundial acabou por se transformar em algo diferente, único e especial, que representa, afinal, a verdadeira essência do desporto: transmitir emoções e conquistar o carinho das pessoas.
«Não sei, certamente teria baralhado as contas», começou por dizer Petrucci. «Comecei a pensar nisso porque, na última volta, comecei a chorar. Disse a mim próprio: “Caramba, não é qualquer pessoa que tem a oportunidade de fazer 15 anos de campeonatos do mundo e pilotar motos oficiais da Ducati, da KTM e da BMW, as três grandes marcas europeias pelas quais fui piloto oficial”.
Quando estou muito feliz, começo a chorar. Foi maravilhoso. Tenho pena de não termos conseguido extrair o melhor da BMW este ano, mas encontrei um grande grupo de pessoas que me ajudaram até ao fim. Estou verdadeiramente feliz com aquilo que fiz e com as pessoas que conheci.
É como acontece com os cantores: continuam a fazer música, mas, quando conseguem dar concertos e emocionar as pessoas com aquilo que fazem, isso é algo que ninguém lhes pode oferecer. Ver as pessoas emocionadas com aquilo que fazemos é uma emoção enorme, algo que não se pode comprar.
Foi muito difícil atravessar toda a via das boxes, porque todas as equipas vieram abraçar-me. Estou verdadeiramente feliz com aquilo que deixei nas pessoas. Foi a vitória mais bonita.
Há o Mugello, Le Mans, Cremona, o Dakar e tantas outras experiências… Mas conseguir emocionar as pessoas com aquilo que fazemos é algo que nunca pensei que pudesse alcançar. Estou muito feliz. Foi uma viagem maravilhosa e vai continuar.»
A aventura de Danilo Petrucci no Mundial de Superbike chega, para já, ao fim, mas o piloto italiano já pensa na próxima aventura.
«Não sei se será num campeonato do mundo, mas lembro-me da manhã em Valência, em 2021. O sol continua a nascer mesmo quando já não corres no MotoGP ou no WorldSBK. Existe uma vida para além das corridas.
Estou verdadeiramente feliz com aquilo que fiz e com as histórias que contei. Estou emocionado. Infelizmente, quando estou feliz, choro! Estou feliz com aquilo que deixei nas pessoas.
Certamente voltarei a aparecer nalgum lugar. Despedi-me do MotoGP e, depois, fiz uma corrida com a Suzuki e, mais tarde, com a Ducati. Foi uma viagem maravilhosa para um rapaz que saiu dos campos de Terni sem empresário, sem patrocinadores, sem nada. Por isso, só posso agradecer a todos.
Gostava de ter conquistado um título mundial na minha vida, de ter sido campeão do mundo, mas, no final, com tudo aquilo que fiz, sou único. E isso ficará para sempre no meu coração. Só posso agradecer a todas as pessoas que me ajudaram, à BMW, à KTM e à Ducati, as três maiores marcas europeias.»
Uma história contada por Vergani revela que Danilo chegou à BMW a ganhar menos do que as hospedeiras de paddock.
«Infelizmente, o Alberto sempre me chamou a atenção por isso. Nunca o fiz, mas teria corrido até de graça! Sempre gostei de andar de moto e fui sempre um apaixonado por este desporto.
Estou muito feliz com aquilo que fiz, embora, naturalmente, gostasse de ter conseguido muito mais. Quando somos crianças, sonhamos em ser astronautas, mas poucos conseguem lá chegar. Eu consegui realizar o meu sonho e estou verdadeiramente feliz. Agradeço a quem me ajudou. Foi uma viagem maravilhosa. Agora estou reformado!», brincou.
«Depois do MotoGP e da experiência na América, regressei para tentar conquistar um título mundial. No ano passado, estive perto: era terceiro. A BMW sempre foi o meu objetivo e voltaria a escolhê-la mais cem vezes. Conheci muitas pessoas extraordinárias e estou verdadeiramente feliz.
Mas, a certa altura, temos de ter consciência dos nossos limites e reconhecê-los, porque chega um momento em que já não conseguimos vencer. É preciso dar um passo atrás, e fico feliz por a BMW me ter recebido da forma como o fez.
Para mim, a vitória mais bonita é como ser cantor e dar concertos: quando fazemos aquilo de que gostamos e conseguimos emocionar as pessoas, isso é algo que não se pode comprar.»















