Não é fácil para ninguém no mundo das duas rodas perder um piloto, mas ainda menos para um pai. Apesar da tragédia, Paolo Simoncelli manteve-se ligado ao MotoGP, criando a sua própria equipa de Moto3, a SIC 58 Squadra Corse. O italiano continua também atento ao que acontece na categoria rainha, onde a luta pelo título está bastante renhida. Paolo não ficou em cima do muro e revelou quem apoia no campeonato de MotoGP.
«De maneira nenhuma queria dizer algo contra Bagnaia. Tenho muito carinho pelo Pecco. Depois, expressei a minha opinião, mas não foi para criar polémica», esclareceu Paolo. «Há momentos — porque também passei por isso com o Marco — desagradáveis, em que talvez seja melhor ficar calado e agir como se nada fosse, enfim, não dar importância! Era isso que queria dizer, e não outras coisas que alguém possa ter inventado. A minha intenção não era falar mal dele, muito pelo contrário.»
Apesar da perda do filho, Marco Simoncelli, Paolo continuou ligado às corridas.
«Virar as costas seria a opção mais fácil e penso que é isso que acontece em 95% dos casos. É uma dor imensa, a tua vida muda de um momento para o outro e isso, naturalmente, deixa-te desorientado. Tenho de dizer que ter a Martina, a irmã do Marco, connosco nos ajudou imenso.
«Depois, acima de tudo, o que mais ajudou a mim e à minha mulher foi sabermos que fizemos o que estava certo. Ou seja, não temos remorsos, verdadeiros remorsos. Cheguei a mendigar para conseguir dinheiro, fizemos tudo o que era necessário para que o Marco fosse feliz. Quando morreu, o Marco era feliz, porque estava a fazer aquilo que mais queria no mundo. E isso… isso foi, em parte, o que nos deu forças», explicou Paolo.
Paolo Simoncelli não pondera ter uma equipa na categoria rainha.
«Não, porque, com o tempo, percebi que… não. É um círculo um pouco fechado. Além disso, na MotoGP fala-se em orçamentos entre 10 e 15 milhões de euros, o que é muito diferente dos 2,5 ou 2,6 milhões necessários na Moto3. Não, porque, no fundo, fazer as coisas apenas para passar uma figura ridícula… mais vale fazer pouco, mas fazê-lo bem!», considerou Simoncelli.
«Tenho de dizer que o Marco e o Vale sempre tiveram uma relação muito boa», admitiu Paolo. «Depois, houve alguns comentários quando chegaram à MotoGP, onde, naturalmente, competiam um contra o outro, mas sempre com respeito. Aliás, diria que, em La Cava, na pista original, se divertiram imenso e o Marco aprendeu muito naqueles momentos. Quando chegou, lembro-me de que, nas primeiras vezes, exagerava um pouco… era engraçado, enfim!»
«Mas, em apenas duas ou três ocasiões, já estava a lutar com os primeiros. Era, por isso, alguém que aprendia depressa. Depois de algumas corridas, ele e o Vale começaram a lutar intensamente um contra o outro. Diria que os dois se divertiram imenso e que foi, no fundo, um dos momentos mais bonitos da nossa vida desportiva», recordou Paolo, referindo-se à rivalidade saudável entre Simoncelli e Rossi.
«Acredito que viveram a sua história e que o Marco o considerava um amigo, tinha muito carinho por ele. É evidente que aquilo que aconteceu, e a forma como aconteceu, também foi difícil para o Valentino, porque, no fundo, a vida é estranha. São coincidências incríveis. De vez em quando, falamos, encontramo-nos e abraçamo-nos, e ele diz-me que, por vezes, sonha com o Marco. Também me acontece o mesmo, é algo normal», afirmou Paolo Simoncelli.
No entanto, há uma reviravolta na história: atualmente, Paolo torce por Marc Márquez na luta pelo título mundial.
«Agora sou fã de Márquez. Aqui, somos todos apaixonados pelo Valentino. Ninguém odeia o Vale. O Vale é este desporto. Quem ama verdadeiramente as corridas, ama o Valentino. Tal como agora ama o Márquez», revelou.
Marco Bezzecchi, outro piloto formado sob a influência de Valentino Rossi, também não tem tido muita sorte nesta temporada.
«Penso que sim. Teve um pouco de azar, mas vai ganhar no futuro, é muito bom. A única coisa de que lamento é que, se a Aprilia vencer, será com o Jorge, que no ano passado estava praticamente fora da equipa. É uma injustiça. Prefiro que seja Márquez a ganhar, em vez de Martín», concluiu Paolo Simoncelli.













