Toprak Razgatlioglu terminou o GP do Japão com sentimentos mistos. O piloto da Yamaha melhorou o seu desempenho em relação ao dia anterior e conseguiu completar uma corrida mais competitiva, mas voltou a apontar os problemas que continua a enfrentar para travar a moto, especialmente nas zonas de travagem. O turco explicou que é obrigado a pilotar constantemente no limite e que ainda não consegue fazê-lo com a confiança e a descontração que considera necessárias para extrair todo o potencial do conjunto.
Além disso, Razgatlioglu destacou a aprendizagem proporcionada pela sua primeira experiência em Motegi e fez uma avaliação positiva da adaptação a um circuito que até agora apenas conhecia através dos videojogos. O piloto falou também sobre a chegada de Nicolò Bulega ao MotoGP, considerando que o italiano dá o salto no momento ideal graças à experiência recente no Mundial de Superbike e aos inúmeros testes realizados com a moto de MotoGP e os pneus Pirelli.
Sobre a corrida, Razgatlioglu explicou: «Na corrida voltei a ter exatamente o mesmo problema. Este pneu também me fazia forçar muito na travagem. Depois de seis voltas encontrei o meu ritmo e comecei a rodar mais rápido, especialmente quando vi o piloto que seguia à minha frente. Mas não foi suficiente para conseguir um resultado melhor, porque também estava a pilotar no limite.
Depois de algumas voltas pilotei melhor, mas continuava a ter os mesmos problemas: a traseira empurra demasiado e a moto não trava no final da travagem. Não estou a pilotar com confiança. Estou sempre no limite. Não é fácil parar a moto porque olho para o ponto de travagem e, quando tento travar, ela simplesmente não para. É muito estranho porque, quando olhamos para os outros pilotos, eles travam um pouco mais tarde e conseguem parar a moto com mais facilidade. Eu estou constantemente a lutar com a moto e é muito difícil manter o mesmo ritmo em todas as voltas.»
Questionado se se referia a todas as motos ou especificamente à Yamaha, respondeu: «O Fabio está a fazer um trabalho muito melhor porque sabe como travar a moto. Eles pilotam a Yamaha há muitos anos e sabem como fazê-lo. Eu perco muito a frente, o pneu dianteiro bloqueia frequentemente nas travagens e também não me é fácil utilizar o pneu traseiro para ajudar a travar a moto.
Também preciso de aprender a usar o pneu traseiro para travar, mas ainda não é fácil. Especialmente em corrida, pilotei um pouco melhor, mas esta ainda não é a realidade para mim. Se conseguisse travar a moto no ponto certo, acredito que faria tempos por volta muito melhores e também correria muito melhor.»
Quando questionado se sente que está a pilotar de forma demasiado arriscada, respondeu afirmativamente: «Sim. Estou sempre a pilotar no limite porque a frente bloqueia e salta muito. Estou constantemente a tentar travar a moto no limite. É muito difícil pilotar assim, mas este é o pacote que tenho e preciso de o pilotar. Estou aqui a dar o meu melhor, mas ainda não é suficiente porque não estou a desfrutar.
Se pudesse pilotar um pouco mais ao meu estilo, de uma forma mais relaxada em cima da moto, acredito que conseguiria um resultado muito melhor. Mas ainda não estou a pilotar relaxado. Esse é o meu maior problema.»
Apesar disso, reconheceu que o resultado de domingo foi melhor do que o de sábado: «Consegui um resultado muito melhor, especialmente por se tratar de uma corrida longa. Ontem foi muito difícil porque cometi um erro na primeira curva. Hoje conseguimos um resultado claramente melhor, mas continuo sem estar verdadeiramente satisfeito.»
Sobre o duelo das últimas voltas com Fabio Quartararo e Alex Rins, explicou: «Na última volta, quando tentava ultrapassar o Fabio, penso que ele teve algum problema relacionado com combustível. Pelo que vi, à saída da Curva 8 não estava a acelerar, fechei o acelerador e depois voltei a abrir. Nesse momento o Rins também me ultrapassou na Curva 9 e depois já não consegui recuperar a posição porque os pneus tinham perdido rendimento.
Acabei simplesmente por terminar a corrida atrás dele. A última volta também não foi fantástica para mim. Normalmente teria terminado numa posição melhor, mas a verdade é que ainda não estamos onde queremos estar. Mesmo que tivesse terminado à frente do Rins, isso não mudaria muito porque continuo a perder tempo em todo o lado.»
Sobre a sua estreia em Motegi, o turco mostrou-se bastante satisfeito: «Estou a gostar muito deste circuito. É a primeira vez que corro aqui e estou a desfrutar imenso da experiência. É uma pista muito bonita. Antes só tinha pilotado aqui nos videojogos e agora finalmente pude fazê-lo numa moto verdadeira. Estou a gostar muito deste circuito e desta corrida.»
Por fim, Razgatlioglu foi questionado sobre Nicolò Bulega e se teria preferido seguir um percurso semelhante, permanecendo mais um ano no Mundial de Superbike enquanto testava regularmente uma moto de MotoGP.
«Para ele, este é o momento certo. Continua a competir no Mundial de Superbike, está a tornar-se campeão do mundo e isso é muito positivo. Além disso, fez muitos testes com a moto de MotoGP e com os pneus Pirelli.
Acho que chega mais preparado do que qualquer outro piloto porque acumulou muitos quilómetros com os Pirelli e com a nova moto. Para ele, é o momento ideal para dar o salto para o MotoGP. Fico feliz por ele. Também é mais jovem e o seu estilo de pilotagem encaixa bem no MotoGP. Vamos ver o que acontece no próximo ano, mas acredito que será competitivo também na categoria rainha.»
















