O novo asfalto de Motegi melhorou significativamente a aderência, permitindo tempos por volta mais rápidos, mas também aumentou o desgaste dos pneus. No entanto, após a corrida Sprint, a atenção centrou-se nos restos de borracha acumulados nos pneus traseiros de vários pilotos.
A situação chegou a tal ponto que os pneus de alguns pilotos, como foi o caso de Pecco Bagnaia, ficaram praticamente destruídos no final da Sprint, algo que era visível nas imagens publicadas pela MotoGP e que acabaram por ser posteriormente removidas das redes sociais.
Este fenómeno já tinha sido antecipado pela Michelin, que decidiu levar ao Japão uma terceira especificação de pneu, concebida especificamente para lidar com os problemas provocados pelas elevadas temperaturas. Piero Taramasso, responsável da Michelin para o MotoGP, explicou à GPone as razões para os danos observados e a medida adotada para o Grande Prémio: retirar o pneu traseiro de composto macio das opções disponíveis e aconselhar as equipas a utilizarem o composto duro.
Taramasso admitiu que o que aconteceu na Sprint em Motegi não foi uma surpresa:
“Esperávamos um pouco que isto acontecesse.”
E foi precisamente por isso que a Michelin chegou preparada com uma terceira especificação.
“Sabíamos que as temperaturas no pneu traseiro poderiam tornar-se um problema, por isso trouxemos uma terceira especificação: o duro, com a carcaça especial utilizada na Áustria, combinada com o composto do pneu macio para compensar as características dessa carcaça”, explicou.
Bagnaia terminou a corrida com o pneu praticamente destruído. O responsável da Michelin explicou a origem deste fenómeno:
“Nestes casos, o fenómeno começa com o ‘blistering’: formam-se bolhas que depois rebentam e fazem com que pedaços do pneu se soltem. A perda desses pedaços é o chamado ‘chunking’, mas a origem está no ‘blistering’ provocado por uma temperatura demasiado elevada.”
Apesar de alguns pilotos terem afirmado que seria possível completar a corrida com o pneu macio, este foi retirado das opções disponíveis “por precaução”, numa decisão conjunta da Michelin e da Dorna.
“O pneu médio manter-se-á disponível, porque é um pouco mais resistente e menos sensível a este fenómeno”, acrescentou.
Assim, Piero Taramasso deixou clara a recomendação da Michelin para a corrida de domingo:
“Recomendamos fortemente o pneu duro.”
“Dissemos aos fabricantes e aos pilotos que, se querem atacar do princípio ao fim e garantir que não terão este tipo de problemas, esse é o pneu que devem utilizar. O pneu médio consegue completar a distância da corrida, mas exigirá alguma gestão numa determinada fase, seja no início ou no final. E, naturalmente, será necessário trabalhar na afinação da moto, tentando reduzir ao máximo a carga e a energia transmitidas aos pneus”, concluiu o responsável da Michelin.














