A relação entre Marc Márquez e Valentino Rossi, dois dos grandes mitos do MotoGP, é quase um tema tabu no Mundial. A sua «guerra fria» continua presente no campeonato, com adeptos de um e de outro espalhados pelo paddock e a maioria a evitar recordar episódios de um passado cada vez mais distante.
Os dois coincidem, mas não se cumprimentam, como ficou evidente no Grande Prémio da Áustria de 2025, no Red Bull Ring, quando as câmaras os captaram a cruzarem-se antes de uma grelha de partida.
Entre os fãs, os assobios a Márquez continuam a ouvir-se em cada visita a Itália. Aliás, o piloto de Cervera reagiu aos adeptos que celebraram a sua queda no Sprint de Misano de 2025, tirando o fato da Ducati e mostrando-o a partir do pódio depois da vitória na corrida de domingo. Tudo isto tendo presente o «È rosso» («É vermelho») de Davide Tardozzi, chefe de equipa da Ducati, dirigido à bancada de Mugello em 2025.
Precisamente, o antigo rival sempre defendeu a necessidade de virar a página, pedindo aos tifosi que reconhecessem o valor do piloto de Cervera, que superou a grave lesão no braço direito, para «esquecerem» as divergências com Il Dottore.
Os debates também se intensificaram à medida que o espanhol foi alcançando mais sucessos, uma vez que já igualou o italiano em títulos mundiais (9), aproxima-se no número total de vitórias (102 contra 115 de Tavullia) e pode ultrapassá-lo em ambas as categorias. Tudo isto alimenta a comparação sobre quem é o melhor piloto da história.
Por ser um tema sobre o qual ambos preferem não falar, normalmente também não são questionados sobre o assunto, uma vez que as suas posições são claras e permanecem distantes há muito tempo. Isso ficou evidente em Misano, em 2018, quando o mais velho dos irmãos Márquez estendeu a mão ao italiano, que a rejeitou.
Rossi mantém atualmente uma relação mais ou menos cordial, por exemplo, com Jorge Lorenzo ou Casey Stoner, apesar das divergências do passado. O australiano chegou mesmo a visitar o seu rancho e a rodar ao seu lado.
No entanto, durante o Grande Prémio da Grã-Bretanha, o piloto número 93 concedeu uma entrevista ao The Paper, na qual foi questionado diretamente sobre a possibilidade de fazer as pazes com o número 46. A sua resposta foi categórica.
«É impossível encontrar uma solução. Algumas coisas não dependem apenas de uma pessoa. São necessárias duas pessoas. Para a minha vida pessoal, não preciso dele e ele não precisa de mim. Mas respeito aquilo que conseguiu. Ambos demos muito ao MotoGP e ao mundo do motociclismo. Somos duas pessoas muito diferentes», afirmou.
Na mesma entrevista, Marc falou também sobre o seu estado físico e a renovação do contrato com a Ducati por mais duas temporadas.
«É isso que diz o meu contrato. Digo sempre o mesmo: se a minha condição física me permitir, gostaria de continuar. Mas não serei o primeiro atleta nem o último a terminar a carreira por motivos de saúde. Acredito que isso acontecerá mais cedo ou mais tarde, porque tive muitas lesões e, a cada ano, as dores aumentam. Mas, por enquanto, consigo lidar com isso», declarou.
O atual campeão do MotoGP revelou uma das razões pelas quais continua a competir ao mais alto nível: as ultrapassagens.
«Não há nada igual. Para mim, pilotar uma moto sozinho é bom durante algum tempo, mas acabamos por ficar aborrecidos. Nada se compara à descarga de adrenalina», revelou.
O piloto catalão foi questionado diretamente sobre quem acredita que será «o novo Marc Márquez». Citou vários nomes, mas destacou um em particular.
«O piloto que atualmente compete no MotoGP e que tem talento para liderar a nova geração é Pedro Acosta. É 10 ou 11 anos mais novo do que eu e tem um talento incrível. No próximo ano, vamos correr os dois pela Ducati, pela equipa Lenovo, a melhor moto da grelha. Depois temos David Alonso, Brian Uriarte e Máximo Quiles nas outras categorias. Não quero mencionar nomes porque é difícil, mas estes jovens são o futuro do desporto. Para já, aos meus 33 anos, continuo a mantê-los atrás de mim, por isso veremos se continuará a ser assim», afirmou.
















