Enquanto o mercado de pilotos para 2027 está praticamente fechado, uma outra batalha, muito mais discreta mas igualmente estratégica, está a decorrer nos bastidores do paddock: a dos chefes de mecânicos e das equipas técnicas. Com a revolução dos motores de 850 cc à porta, os construtores não estão apenas a contratar pilotos, estão também a reconstruir as suas estruturas técnicas. E a Yamaha acaba de dar um passo importante ao preparar meticulosamente a chegada de Jorge Martín.
Segundo informações do Motorsport.com, o fabricante japonês escolheu David Muñoz, atual chefe de equipa de Álex Rins, para acompanhar o campeão do mundo de MotoGP na sua adaptação à Yamaha M1 a partir de 2027.
A transferência de Jorge Martín para a Yamaha representa um dos maiores movimentos desta nova era técnica. Depois de conquistar o título mundial com a Ducati em 2024 e de passar duas temporadas na Aprilia, o espanhol será o sucessor de Fabio Quartararo, que aceitou o desafio de representar a Honda.
Para facilitar esta transição, a Yamaha não está a deixar nada ao acaso. David Muñoz não é um desconhecido no paddock. Chegou ao construtor japonês em 2020 e foi pessoalmente escolhido por Valentino Rossi para ser o seu chefe de mecânicos nas últimas temporadas do “Doctor” no MotoGP, substituindo Silvano Galbusera.
Antes disso, o espanhol já tinha trabalhado na estrutura VR46 no Moto2, acumulando uma vasta experiência ao lado de pilotos de topo. A sua nova missão será clara: ajudar Jorge Martín a ser competitivo desde o primeiro momento aos comandos da Yamaha M1.
Tal como aconteceu com outros grandes campeões do MotoGP, Jorge Martín não mudará completamente de ambiente técnico ao ingressar na Yamaha. O espanhol levará consigo o seu fiel chefe de mecânicos, David Galacho, conhecido no paddock pela alcunha “Malaguita”.
Galacho já tinha acompanhado Martín na mudança da Pramac Ducati para a Aprilia e continuará ao seu lado nesta nova aventura com a Yamaha.
Um detalhe frequentemente subestimado, mas fundamental no MotoGP: a confiança entre piloto e equipa técnica pode poupar vários meses de desenvolvimento quando se muda de fabricante.
A outra grande incógnita diz respeito ao futuro companheiro de equipa de Martín. Ai Ogura, que deverá juntar-se oficialmente à Yamaha em 2027, deverá herdar uma parte importante da atual estrutura técnica de Fabio Quartararo. Entre os nomes apontados está Diego Gubellini, atual chefe de mecânicos do piloto francês.
Uma escolha lógica, tendo em conta a reputação técnica de Gubellini e a sua capacidade para acelerar o desenvolvimento de um jovem piloto.
Do lado da Ducati, os planos para 2027 também estão bastante avançados. Pedro Acosta deverá trabalhar com Cristian Gabarrini na Ducati Lenovo Team.
Trata-se de uma parceria particularmente interessante, já que Gabarrini foi um dos elementos-chave nos sucessos de Casey Stoner e, mais recentemente, de Pecco Bagnaia.
Ou seja, a Ducati não entregará apenas a sua nova moto de 850 cc ao jovem talento espanhol, mas também um dos engenheiros mais prestigiados do paddock.
Há um elemento que salta imediatamente à vista quando se observam estas movimentações técnicas para 2027: a influência de Valentino Rossi continua a ser enorme.
David Muñoz, Matteo Flamigni, Massimo Branchini e Frankie Carchedi trabalharam, direta ou indiretamente, com o nove vezes campeão do mundo ao longo das suas carreiras.
Assim, Nicolò Bulega, apontado à VR46 ao lado de Fermín Aldeguer, deverá trabalhar com Matteo Flamigni, antigo engenheiro de referência de Rossi e atualmente ao lado de Franco Morbidelli.
Já Joan Mir poderá reencontrar Frankie Carchedi na Gresini, técnico com quem conquistou o título mundial de MotoGP em 2020 ao serviço da Suzuki.
Se as transferências de pilotos costumam dominar as manchetes, a temporada de 2027 volta a recordar uma verdade fundamental do MotoGP moderno: os campeonatos ganham-se tanto na box como na pista.
Jorge Martín na Yamaha, Fabio Quartararo na Honda, Pedro Acosta na Ducati ou David Alonso na HRC chegam acompanhados por projetos técnicos cuidadosamente preparados com muitos meses de antecedência.
Com motos completamente novas, pneus Pirelli inéditos e filosofias técnicas a serem reinventadas, a escolha do chefe de mecânicos poderá tornar-se um dos fatores decisivos para o sucesso na nova era dos 850 cc.
A batalha de 2027 já começou. E, para já, está a ser travada muito mais atrás das portas das garagens do que na grelha de partida.
















