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WSBK: Rea aponta ao domínio da Ducati ‘O campeonato não tem espetáculo’

Miguel Fragoso por Miguel Fragoso
23 Julho, 2026
em Autosport, Destaque Homepage, Mundial Superbikes, Newsletter, Velocidade
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WSBK: Rea aponta ao domínio da Ducati ‘O campeonato não tem espetáculo’

Fonte: Instagram/worldsbk


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Após oito rondas da temporada de 2026 do Mundial de Superbike, apenas Nicolò Bulega e Iker Lecuona, ambos da equipa oficial Ducati, continuam a vencer corridas. Para Jonathan Rea, esta situação deixa o campeonato sem a emoção necessária.

O balanço de vitórias entre os dois pilotos é esmagador: 23 triunfos para Bulega contra apenas um para Lecuona. Algumas dessas vitórias do italiano foram conquistadas em corridas muito disputadas, com diferenças de apenas décimos de segundo, destacando-se especialmente a Superpole Race de Aragão, onde foi fortemente pressionado.

A única vitória de Lecuona aconteceu na Corrida 1 de Donington Park, após um duelo direto com Bulega que durou as 23 voltas da corrida.

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Portanto, não se pode dizer que o WorldSBK seja incapaz de proporcionar corridas emocionantes em 2026. O problema é que apenas dois pilotos têm sido capazes de vencer.

Yari Montella é um exemplo disso. O piloto italiano terminou no pódio nas últimas sete corridas, ocupando o terceiro lugar em todas elas, exceto na Superpole Race de Donington, onde beneficiou da queda de Lecuona para terminar em segundo.

Mesmo assim, Montella admite que, neste momento, nem sequer pensa em vencer. O seu objetivo passa apenas por conseguir acompanhar os dois líderes do início ao fim de uma corrida antes do final da temporada.

E Montella também compete com uma Ducati.

O primeiro piloto não Ducati no campeonato é Alex Lowes, quarto classificado, que não sobe ao pódio desde a ronda inaugural em Phillip Island.

Já Miguel Oliveira é o piloto não Ducati com o pódio mais recente, alcançado na Corrida 1 de Balaton Park, há mais de dois meses.

Assim, a Ducati não só monopolizou as vitórias em 2026, como esse domínio ficou praticamente restrito à equipa oficial. Além disso, a marca italiana registou uma sequência de quatro rondas e meia com todos os lugares do pódio ocupados por motos Ducati.

Isto significa que, atualmente, não basta ter talento para vencer: é preciso ter uma Ducati para ganhar corridas e até para ser verdadeiramente competitivo.

Mesmo a surpreendente vitória de Lecuona em Donington pouco altera o panorama geral, já que o espanhol tinha ao longo de toda a época uma moto capaz de vencer, faltando apenas a oportunidade certa.

Para os restantes fabricantes, a distância para a Ducati continua sem diminuir, mesmo com a marca italiana a operar 0,5 kg/h abaixo do limite mínimo de fluxo de combustível permitido pelo regulamento.

Para quem acompanha o campeonato pela televisão, esta falta de concorrência gera uma previsibilidade excessiva, algo que Jonathan Rea considera ser o principal inimigo do espetáculo.

“Há muitas opiniões e a minha é irrelevante”, afirmou o seis vezes campeão do mundo de Superbike durante a ronda britânica.

“Mas os factos são que, neste momento, o campeonato não tem emoção. O Superbike deve ser emocionante.”

Rea fez questão de sublinhar que não culpa ninguém pela situação.

“Essa falta de emoção não é culpa de ninguém.

Se tivermos de tirar uma conclusão, ela é simples: chapéu para a Ducati. Construíram uma moto incrível e têm um piloto extraordinário. Não se lhe pode tirar mérito nenhum.

Mas é muito fácil perceber que a Ducati é atualmente a referência absoluta. E para os outros pilotos e fabricantes não é nada fácil.”

O norte-irlandês recordou ainda os duelos memoráveis que marcaram épocas anteriores.

“Para mim é fácil falar, porque passo os fins de semana no sofá a ver as corridas, mas já não existem batalhas como Toprak Razgatlioglu contra Álvaro Bautista, Toprak contra Bulega, eu contra Toprak, eu contra Scott Redding, Chaz Davies contra mim ou até contra a Aprilia.

Agora, a Ducati fez um trabalho tão bom que surge uma questão: é responsabilidade do campeonato equilibrar as coisas para tornar a competição mais justa para os diferentes tipos de motos de produção?

Ou é responsabilidade dos outros fabricantes dar um passo em frente?”

Rea reconhece, contudo, que a realidade económica torna essa tarefa muito difícil.

“O mercado das motos desportivas está complicado e, quando és um fabricante de grande volume, não podes simplesmente construir uma superbike milagrosa de um dia para o outro.

Precisamos de mais emoção. Não estou a desvalorizar o que os pilotos da frente estão a fazer, porque é impressionante. Todos os anos são mais rápidos.

Isso é positivo, mas falta qualquer coisa ao espetáculo.”

Rea voltou a elogiar Bulega e a Ducati, mas insistiu que o campeonato precisa de ser mais equilibrado para manter os restantes construtores motivados.

“Numa das corridas disse que ele podia terminar a época invicto, sem perder uma única corrida.

O nível dele é altíssimo e a moto é a melhor do campeonato. Sem erros, ele é esse tipo de piloto.

É semelhante ao que James Stewart fez no motocross quando completou uma temporada perfeita. Esse é o nível a que Bulega está a pilotar.”

Ainda assim, acredita que os restantes fabricantes precisam de acreditar que é possível lutar pelas vitórias.

“Cabe aos outros recuperar terreno.

O problema é como devolver a emoção ao campeonato e dar esperança à Bimota, que investe centenas de milhares de euros, ou à Honda, Yamaha e BMW.

Eles precisam de esperança para continuarem a lutar.”

Tags: DucatiHondaJonathan ReaWSBK
Miguel Fragoso

Miguel Fragoso

Jornalista para o site motosport que estuda e escreve sobre todas as novidades do mundo motorizado. Nasci no mundo das “duas rodas” por culpa da família que sempre esteve associada a este meio. Conseguir trabalhar nesta área e falar sobre o mundo das motos é um privilégio enorme.

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