Davide Brivio encontra-se numa posição pouco habitual: aconselhar a Trackhouse sobre a sua futura dupla de pilotos, apesar de já não fazer parte do projeto na próxima temporada.
No início deste mês, Brivio e a Trackhouse confirmaram que o italiano deixará o cargo de diretor de equipa no final do ano. Embora o seu destino ainda não tenha sido oficialmente anunciado, espera-se que Brivio assuma um cargo de destaque na HRC.
Brivio explicou que a sua saída da Trackhouse foi tornada pública com bastante antecedência porque não queria influenciar decisões sobre o futuro da equipa para depois revelar que estava de saída.
“Quis ser muito justo com a equipa e dizer-lhes que não estarei aqui, porque queria evitar entrar numa discussão sobre pilotos e depois dizer: ‘ah, desculpem, vou-me embora’”, disse Brivio ao repórter de pit lane da MotoGP, Jack Appleyard, na Hungria.
“Talvez tenhamos anunciado demasiado cedo! Mas senti que era a forma mais justa, a forma correta de fazer as coisas. Por isso, sim, não estarei aqui. Agora é o Justin [Marks, proprietário da equipa] quem está a liderar as negociações. Falamos regularmente. Ele pede-me a minha opinião e eu dou-lhe as minhas ideias e pontos de vista. Depois, a decisão final é dele.”
A Trackhouse precisa de encontrar pelo menos um novo piloto para substituir Ai Ogura em 2027 e decidir o futuro do seu companheiro de equipa, Raúl Fernández.
As hipóteses de renovação de Fernández aumentaram graças aos seus resultados recentes, incluindo uma vitória na Sprint de Mugello.
“Quanto ao Raúl, fico feliz por ver que ele está a conseguir explorar o seu potencial, mesmo sob alguma pressão. E foi precisamente isso que discutimos juntos: não te preocupes com aquilo que não podes controlar, concentra-te apenas no que podes fazer. Podes tentar ganhar uma corrida, podes tentar alcançar um bom resultado. Concentra-te nisso e deixa que as outras pessoas tratem do teu futuro.”
Enea Bastianini, da Tech3, tem sido fortemente associado a uma das vagas da Trackhouse para 2027, enquanto Fernández poderá enfrentar concorrência de pilotos como Manuel González pela outra RS-GP.
Apesar de liderar o campeonato de Moto2, as hipóteses de González garantir um lugar na MotoGP parecem estar a diminuir.
“Penso que não é uma questão do que o Manu González pode fazer [para conseguir um lugar na MotoGP], mas sim do projeto que a Trackhouse quer construir”, explicou Brivio.
“Porque, se existir a ideia de recomeçar com um piloto novo e desenvolver um estreante, então talvez ele seja um perfil interessante. Mas se o objetivo for ter um piloto experiente e lutar imediatamente por resultados, precisando de alguém já preparado, então trata-se de um projeto diferente. Portanto, não depende do que ele [González] pode fazer, mas sim daquilo que a Trackhouse pretende fazer em termos de projeto. Essa é a minha opinião.”
















