Depois de 2026, Phillip Island deixará de fazer parte do calendário de MotoGP… felizes mesmo, só os pinguins
Phillip Island já era! O GP da Austrália vai passar a ser realizado em Adelaide. Para muitos seguidores da MotoGP, é como abolir Mozart ou os Beatles, substituir Bach por rap, ou Shakespeare por reality shows de má qualidade.

Ou, no caso do clássico autódromo costeiro australiano, por um antigo circuito de rua de Fórmula 1, há muito obsoleto. Um circuito de rua! Já lá vamos, mas não é a primeira vez que Phillip Island falha o MotoGP. Após os seus dois primeiros anos felizes ali, em 1989 e 1990 (ambos ganhos por Wayne Gardner por uma pequena margem), a corrida migrou para Sydney durante seis anos, para o monótono e estéril Eastern Creek – uma mudança que só intensificou a saudade do paddock pelas curvas velozes e pela paisagem espetacular do circuito da ilha.
O regresso em 1997 foi como voltar a casa. Claro que havia algumas deficiências. As instalações eram básicas, a localização remota e os alojamentos precários. O tempo estava péssimo. Barry Sheene chamou-lhe “a capital mundial da hipotermia”.

A Pilotagem fez a diferença
Mas as corridas… ah, as corridas! Era uma pista que trazia todas as melhores virtudes da velha guarda para as corridas modernas. Rápida e rítmica, combinava velocidades muito elevadas com precisão de trajetórias. Os pilotos adoravam. Ali, tinham de combinar a sua melhor técnica com pura coragem. Se havia algum cético que a achasse muito difícil, guardava-o para si.
Uma pista onde a habilidade de condução fazia a diferença, mais do que a potência ou a agilidade. Ali, era revelada a verdadeira e genuína essência das corridas de motociclismo.
Sem artificialidade ou fingimento. Sem autopromoção. Apenas a realidade. A recompensa para os espectadores foi uma consequência natural. Quer enfrentassem a brisa em pessoa ou assistissem pela televisão, Phillip Island era sempre ótima.
Existem outros circuitos excelentes também. Portimão, Brno, Aragão, Termas de Rio Hondo, Mugello… todos eles combinam velocidade e técnica. Mas nenhum deles se compara a Phillip Island em termos de qualidade ou atmosfera. Não é a toa que muitos pilotos a declaram a sua pista favorita.

Porém, nem isso foi suficiente para salvar o circuito. Com a quebra de público, instalações rudimentares nas boxes e no paddock, e a falta de melhorias, o MotoGP Sport Entertainment Group (antiga Dorna) decidiu que chegava.
Talvez fosse inevitável. Phillip Island tinha sido ultrapassada no tempo e faltou a vontade de fornecer os recursos necessários para corrigir isso. Parece um aviso ao que se está a passar no nosso Estoril. É uma perda lamentável. Muitos guardam memórias inesquecíveis de corridas épicas lá. Os australianos dominaram: as duas primeiras vitórias de Wayne Gardner, o título conquistado por Mick Doohan em 1998, o excecional Casey Stoner de 2007 a 2012 — quatro vezes com uma Ducati, duas com uma Honda — demonstrando que este é um circuito onde o piloto importa mais do que a máquina.

O domínio de Valentino Rossi durante cinco anos, de 2001 a 2005, incluindo a superação de uma penalização de dez segundos por ultrapassar sob bandeira amarela. Quatro magníficas vitórias de Marc Márquez. E o som inesquecível — a dois ou quatro tempos — de um grupo compacto de pilotos de topo a acelerar a fundo na épica última curva.
O que poderá substituir este circuito épico? Adelaide, uma cidade entusiasmada que alberga um circuito de rua histórico, embora pouco conhecido, utilizado pela Fórmula 1 no século passado e que está programado para receber o MotoGP a partir de 2027, está no centro das atenções.

As corridas de motos e os circuitos de rua têm um historial problemático, repleto de perigos e fatalidades. Pistas antigas, como as de Berna, na Suíça, e Opatija, na antiga Jugoslávia, foram rapidamente abandonadas.
O mesmo aconteceu com Spa-Francorchamps e a Ilha de Man, enquanto Assen foi modernizada para garantir maior segurança.
As comparações com Adelaide são inúteis. Tudo nela parece errado: uma pista apertada, semelhante a um parque, com várias curvas de 90 graus, rodeada de muros e vedações. Promete-se um “traçado modificado”, supostamente adequado para o MotoGP, para que, presumivelmente, cumpra as normas de segurança modernas.
Talvez demasiadas chicanes em vez de zonas de escapatórias? Já existem rumores de que a corrida será transferida para o Bend Motorsport Park, a cerca de 100 km de distância, também localizado na Austrália do Sul e cujo governo regional detém os direitos de transmissão….teremos de esperar para ver!
















