Em cada campeonato, só há um campeão e tu és o nosso, pois é por ti que torcemos, e foi por ti que sofremos todo este ano.
Deste-nos enormes alegrias e razões de orgulho, assim como algumas grandes desilusões.
Foi difícil suportar as qualificações e ver o teu nome a descer na tabela das classificações ali do lado esquerdo do écran, à medida que a sessão avançava. Começavas sempre por cravar um tempo razoável ali no primeiros 5, mas depois os outros iam melhorando e tu raramente conseguiste recuperar as posições cimeiras da tabela. Foi mesmo duro assistir impotentes a esses momentos incompreensíveis, e ter que aceitar a tristeza e desilusão sem compreender o que se passava. E esse sim foi o teu pior “pecado” – nunca nos teres dado uma explicação que nos facilitasse aceitar o que se passava. Porque é que não conseguias fazer um tempo no top5, quando depois eras sempre o melhor piloto em corrida? Qual a razão? Foram problemas com a moto, que não era rápida em situação de qualificação? Era tu que te ias abaixo psicologicamente com a pressão? Não sabemos a razão e nunca aceitámos bem o facto de ninguém fornecer uma explicação oficial com sentido.
…mas depois nas corridas eras magico e fazias milagres impossíveis! Deste-nos fantásticos momentos de emoção e de orgulho e pudemos assim apoiar-te corrida a corrida à medida que ias marcando pontos sistematicamente no topo e disputavas a liderança com o Bagnaia.
Chegaste à liderança do campeonato na Republica Checa e aí sim todos estávamos seguros de que serias campeão. Seguros mas receosos, pois a fragilidade das sessões de qualificação continuava ali sempre a massacrar-nos.
Mas a partir daí, estávamos em Agosto, nunca mais conseguiste ficar à frente do Bagnaia e a esperança foi-se deteriorando, mesmo que cá para fora continuássemos a fingir que acreditávamos….mas os sinais estavam todos ali bem à nossa frente – o Bagnaia não tremia, nem caía nem errava, pelo contrario, fazia poles e dominava as corridas com segurança, com consistência como um campeão. E a diferença aumentava…
Mas repito a frase do inicio – em cada campeonato só há um campeão e é um facto que o Bagnaia mereceu este titulo, não há como o negar. Foi mais forte, em todos os aspectos – Foi sempre melhor que tu nos treinos, afinou bem a moto, geriu bem os pneus, soube gerir a forma como liderou corridas e como conquistou posições. Não caiu nem cedeu a pressões. A Kalex dele pareceu sempre mais eficaz, sim foi obvio que ele teve sempre uma moto melhor, mas soube aproveitar todas as suas vantagens e ganhou. E quando temos um rival deste calibre pela frente tudo se torna mais complicado…
Mas tu soubeste aguentar-te na primeira fase do campeonato e até chegaste à liderança, e partir daí geriste o prejuízo, mas com grande competência, sem facilitar a vida ao teu rival, que mantiveste sempre em sentido.
És um grande piloto, como nunca houve em Portugal, e poucos houve assim no mundo. És dos melhores, e terás uma grande carreira pela frente. Agora chegaste ao escalão máximo e aí vais continuar a dar-nos alegrias e a encher-nos de orgulho.
Vamos poder agora finalmente gozar o MotoGP em toda a sua plenitude e ver-te a competir ali ao lado, taco a taco com os nossos verdadeiros ídolos. E isso Miguel vai ser mesmo incrível, vai ser uma ano inesquecível, certamente com menos sofrimento, com menos pressão, o que nos permitirá gozar melhor todos os momentos.
Por tudo o que fizeste até agora, por todos os sonhos que sonhámos juntos, por todas as alegrias e mesmo pelas tristezas que nos fazem estar vivos, obrigado Miguel Oliveira!!
Estamos orgulhosos de ti, e para te felicitar o Motosport oferece-te a capa desta semana do Autosport, a única verdadeira forma de demonstrarmos o nosso agradecimento.
Parabéns!















