MotoGP história: Wayne Gardner, o primeiro Australiano

Por a 9 Abril 2020 16:00

Já vimos como mesmo Campeões que conseguiram apenas um título Mundial em toda a sua carreira normalmente têm uma faceta única que os distingue… no caso de Wayne Michael Gardner, nascido a 11 Outubro de 1959, é ter sido o primeiro Campeão Australiano de 500.

Nascido em Wollongong, nos arredores de Sydney, Nova Gales do Sul, na Austrália, Gardner partilhou a sua carreira pelo motociclismo e carros de turismo. O seu feito mais notável foi vencer o Campeonato do Mundo de 500 de 1987, tornando-se o primeiro australiano a ganhar na classe rainha. O seu sucesso no circuito mundial de motociclismo valeu-lhe a alcunha de Mágico de Wollongong. Ambos os filhos de Wayne, Remy e Luca, são pilotos de moto como o pai. Depois de algumas brincadeiras em terra, onde aprendeu a derrapar, Gardner iniciou a sua carreira de piloto em 1977, aos 18 anos, no campeonato australiano, montando uma Yamaha TZ250 que o seu pai lhe comprou em segunda mão e terminando em segundo lugar na sua estreia em Amaroo Park.

Registou a sua primeira vitória algumas semanas depois numa corrida em Oran Park. Em 1981, Gardner foi contratado por Mamoru Moriwaki para correr no campeonato australiano de Superbike na Kawasaki Moriwaki Kz1000. Gardner e o co-piloto John Pace qualificaram a Moriwaki na pole position nas prestigiadas 8 Horas de Suzuka de 1981, à frente de todas as principais equipas de fábrica.

O também piloto e amigo, Graeme Crosby, deu a Gardner a sua primeira oportunidade de correr na Europa. Apesar de Crosby ter sido contratado pela Suzuki, decidiu patrocinar Gardner para competir no campeonato britânico de Superbike montando uma Kawasaki gerida pela concessão britânica Moriwaki propriedade de Crosby.

A caminho da Europa, Gardner ainda levou a Kawasaki Moriwaki a um impressionante quarto lugar na corrida de Daytona Superbike de 1981, atrás dos pilotos da Suzuki Yoshimura Crosby, Wes Cooley e de Freddie Spencer da Honda. A Moriwaki e Gardner passaram a competir no campeonato britânico, vencendo a sua primeira corrida em Inglaterra, tempo duros em que Gardner chegou a dormir num Morris 1100 com a namorada por não ter um centavo. Chegado ao fim da época, Wayne entrou na corrida final da temporada com hipótese de ganhar o título, mas um problema de motor relegou-o para o terceiro lugar na geral.

Os impressionantes resultados de Gardner na Kawasaki Moriwaki acabaram por chamar a atenção de Barry Simmons que   lhe dá um contrato com a equipa de corridas da Honda Britain. Assim, Gardner passa a pilotar uma Honda oficial e leva-a a um quarto lugar no campeonato de Fórmula TT de 1982, vencendo mesmo a prova do TT de Vila Real no ano seguinte.

Ainda em 1983, Gardner estreou-se nos Grandes Prémios em 500 cc com a equipa da Honda Britain no TT de Assen, durante o qual se envolveu num acidente com o então campeão do mundo, Franco Uncini. Uncini caiu da moto e enquanto tentava fugir da pista, foi atingido no capacete pela moto de Gardner. Uncini entrou em coma mas, posteriormente, recuperou, um momento que Gardner descreve como o mais escuro da sua carreira.

Assim, Garnder não conseguiu pontuar nas duas corridas de Grande Prémio em que tinha entrado em 1983. Em 1984, venceu o campeonato nacional britânico de 500 pela Honda e conseguiu competir em cinco corridas do Campeonato do Mundo, marcando pontos em todas as cinco, incluindo um impressionante terceiro lugar no Grande Prémio da Suécia, conquistando o sétimo lugar na classificação final do campeonato.

O desempenho de Gardner valeu-lhe o apoio da HRC em 1985 para pilotar Hondas de fábrica ao lado do colega de equipa Freddie Spencer.

Venceu a sua primeira corrida de Grande Prémio no Grande Prémio de Espanha em 1986, antes de vencer mais duas corridas e terminar em segundo no campeonato atrás de Eddie Lawson, sendo por essa altura já aclamado como o possível herdeiro de Spencer, que começara a ter resultados decepcionantes.

A seguir, em 1987, Gardner venceu sete das 16 corridas do ano, e tornou-se o primeiro australiano a vencer o Campeonato do Mundo de 500, selando o título com uma vitória na penúltima ronda no Circuito de Goiânia no Brasil. Nessa altura, o seu engenheiro de corridas era o compatriota australiano Jeremy Burgess, que já tinha trabalhado com Freddie Spencer e viria a transitar, famosamente, para Valentino Rossi.

Ao lutar pela defesa do seu título em 1988, Gardner teve o ano dificultado pela nova Honda NSR500, apelidada o tubarão, não ser fácil de pilotar. mesmo assim, terminou em segundo no campeonato, atrás do americano Eddie Lawson, que pilotava para a Yamaha Marlboro.

Ainda conseguiu vitórias na Holanda, Bélgica, Jugoslávia e Checoslováquia, e teria vencido no Circuito Paul Ricard, em França, se não tivesse sofrido problemas mecânicos a apenas uma volta da meta, quando levava uma vantagem de 2 segundos.

O título Mundial de 1987 de Gardner provocou um aumento acentuado na popularidade das corridas de Grand Prix na Austrália, com maior cobertura televisiva e de imprensa nos meios de comunicação. Isto levou à corrida inaugural do Grande Prémio da Austrália de MotoGP em Phillip Island em 1989.

O Mágico de Wollongong deu à multidão algo para se animar quando ganhou a sua corrida em casa em 1989, acabando por eliminar Wayne Rainey e Christian Sarron. Infelizmente, a sua temporada ficou desajustada na ronda seguinte em Laguna Seca, onde se despistou e partiu uma perna, fazendo-o perder metade da temporada.

A partir da temporada de 1985, Gardner correu para a equipa de fábrica Honda Rothmans e foi acompanhado nessa equipa pelo compatriota Michael Doohan em 1989.. Ironicamente, Eddie Lawson também se juntou à Honda Rothmans em 1989 e ganhou o seu quarto Campeonato Mundial. Com ele, Gardner viria a ter uma vitória memorável nas 8 Horas de Suzuka no ano de 1991, seguida de outra com Darryl Beattie em 1992.

Voltando ao Mundial, em 1990 Gardner teve uma temporada frustrante. Depois de vencer em Jerez, em Espanha, falhou três rondas por lesão e só conseguiu o quinto lugar no Campeonato do Mundo. No entanto, terminou a temporada em grande destaque, vencendo o seu segundo Grande Prémio da Austrália de MotoGP em Phillip Island, com o colega de equipa Mick Doohan e o campeão do mundo eleito Wayne Rainey atrás. Ainda por cima, durante mais de metade da corrida, Gardner teve de lutar com a queda iminente da carenagem da sua Honda, que ameaçava separar-se da moto depois dos apoios dianteiros se terem partido.

(continua)

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