O contraste é evidente para Fabio Quartararo. Brilhante no sábado, em dificuldade no domingo: o fim de semana no Brasil resumiu sozinho as persistentes fraquezas da Yamaha no arranque da temporada de 2026. E, com Austin à vista, a dúvida instala-se… embora a esperança se mantenha intacta.
Em Goiânia, tudo começou bem. Um sólido quarto lugar na qualificação, seguido de um sexto lugar na Sprint: “El Diablo” parecia estar no caminho certo. Mas a corrida principal trouxe, de forma brutal, os limites da Yamaha à superfície.
Com total falta de tração traseira, Quartararo desmoronou-se, cruzando a meta num anónimo 16º lugar, a mais de 26 segundos do vencedor Marco Bezzecchi. Um cenário frustrante… mas infelizmente demasiado familiar.
Perante esta inconsistência, o francês não esconde a realidade, mas mantém um curso claro rumo a Austin:
“O fim de semana no Brasil foi de sensações mistas. O sábado correu bem, tanto na qualificação como na Sprint, mas os problemas de tração traseira no domingo complicaram tudo. Estamos agora nos Estados Unidos e vou concentrar-me neste fim de semana de corrida com a mente aberta. Gosto muito do Circuito das Américas (COTA) e de Austin. Vamos ver o que conseguimos fazer e, espero, levar o desempenho para outro nível.”
Porque Austin pode reacender o ímpeto. O traçado texano tem historicamente sido favorável a Quartararo: segundo em Moto3 em 2015, segundo em MotoGP em 2021, terceiro em 2023. Um circuito exigente e técnico, onde o talento puro ainda pode fazer a diferença perante limitações mecânicas. Mas a Yamaha não é a única a jogar para altos riscos.
Do outro lado da garagem, Alex Rins chega a Austin com referências sólidas — vencedor em 2023 e presença regular no pódio nos últimos anos. Ainda assim, mantém a cabeça fria após um Brasil complicado:
“A corrida no Brasil começou bem, mas quando fiquei preso atrás de outros pilotos, foi difícil manter o ritmo. Estou muito feliz por voltar a COTA: gosto muito deste circuito e da sua atmosfera, tenho memórias muito boas dele e estou curioso para ver o que podemos fazer este fim de semana. COTA é exigente, mas estamos a conhecer a nova moto pouco a pouco.”
Um discurso medido… quase cauteloso. Porque o Circuito das Américas é implacável. Com 5,513 km de extensão, 11 curvas à esquerda, 9 à direita e uma reta de 1.200 metros, exige um compromisso técnico formidável. Encontrar o equilíbrio perfeito entre estabilidade na travagem, tração e velocidade máxima torna-se uma equação complexa. E neste contexto, a menor deficiência — especialmente na aderência traseira — pode custar caro. A Curva 1, verdadeiro árbitro desde o início, promete batalhas ferozes.
Para Quartararo, o desafio é claro: transformar o potencial do sábado em desempenho no domingo. Para a Yamaha, o objetivo vai ainda mais fundo: provar que o progresso observado não é uma ilusão.
Porque, perante uma Aprilia em pleno controlo e uma Ducati em busca de respostas, cada corrida se torna um teste de credibilidade. Austin não será exceção.
E, para Fabio Quartararo, pode ser muito mais do que um simples fim de semana: uma oportunidade para provar que a Yamaha ainda tem lugar num MotoGP em 2026 em rápida evolução.
A Yamaha encontra-se num ponto de viragem. O Brasil mostrou que a moto é rápida numa volta, mas “come” os pneus ou perde equilíbrio assim que a pista aquece. Austin, com o seu piso muitas vezes irregular e temperaturas flutuantes, será o laboratório perfeito para os engenheiros e pilotos de Iwata perceberem as causas do descalabro brasileiro. Se Quartararo chegar novamente à Q2 na sexta-feira, todas as esperanças para a Sprint permanecerão vivas.
















