Gigi Dall’Igna, Paolo Ciabatti e a restante administração da Ducati Corse optaram pela consistência de Andrea Dovizioso para acompanhar Jorge Lorenzo em vez da fogosidade de Andrea Iannone. O mais jovem dos italianos chegou a ter um contrato de renovação nas mãos no início da época, mas deu sucessivos ‘tiros no pé’ ao entrar numa luta kamikaze com Dovizioso no Qatar (antes de cair) e depois ao abalroar de forma inaceitável o seu companheiro na última curva do GP da Argentina, além de nova queda na corrida de Le Mans. O homem que se autointitula ‘O Maníaco’ acabou por ser vítima da sua própria fogosidade, apesar de não restarem dúvidas de que é mais rápido do que Dovizioso. Que o digam Davide Brivio e a Suzuki, rápidos a ‘resgatar’ Iannone assim que Maverick Viñales lhes comunicou a decisão de ir para a Yamaha…
O grande problema de Iannone é que a Ducati precisa de um ‘jogador de equipa’ e não de uma estrela – essa será sempre Lorenzo. Dovizioso tem o perfil psicológico e o espírito competitivo ideais para acompanhar o tricampeão do Mundo de MotoGP, já que conhece como poucos as características da Desmosedici, não vai levantar ‘ondas’ quando as coisas correrem menos bem e, sobretudo, vai capitalizar a maioria das oportunidades que o potencial da GP17 gerar.
Ou seja, Dall’Igna e companhia sabem que só Lorenzo lhes poderá dar um título mundial – mas ‘Dovi’ é o homem indicado para acumular pontos e pódios na ‘sombra’, além de continuarem a dispor do trunfo de marketing de um piloto italiano ao serviço da Ducati. Mas permitam-me sonhar: que bom seria se Borgo Panigale tivesse convencido Stoner a regressar em 2017…
Ricardo S. Araújo
















