Dos pilotos que se opunham a ir ao Qatar, parece que alguns estão a repensar
Há semanas na MotoGP em que a confusão é maior no paddock do que na pista . A cinco dias da abertura do Grande Prémio do Qatar, a posição que parecia unida contra a viagem começou a ter fendas.

A desilusão da Dorna
Na noite de domingo, minutos depois da corrida de Sepang, a Yamaha comunicou que não levaria as suas quatro motos a Lusail. Invocou restrições de viagem que se aplicam a todo o grupo e disse que a decisão não depende das medidas tomadas pelo promotor. A resposta da Dorna, hoje MotoGP Sports Entertainment Group, foi seca. Disse-se desiludida, reconheceu a política interna da marca, mas defendeu que a ausência não reflete as garantias dadas a todos. Lembrou ainda que a decisão tem consequências contratuais e desportivas, e que estas ficam a cargo da FIM. O pormenor que mais ruído faz é outro: a Federação ainda não disse uma palavra, e a Dorna é detentora de direitos comerciais, não órgão sancionador.

As garantias: quase tudo, mas ninguém vê o papel
Sobre o que pediam os pilotos, a Dorna garante que há plano de evacuação e que o Qatar assumiu provisões financeiras para o que ficar fora dos seguros. Pecco Bagnaia resumiu que recebemos quase tudo o que pedimos, mas que há pontos que nunca virão. O ponto que fica por resolver é saber quem responde, em última análise, se algo correr mal. Os pilotos querem que seja o promotor, e o promotor diz que isso não é viável. O texto do plano de evacuação, esse, continua sem ser mostrado a quem vai viajar.
Quem muda de ideias
A carta enviada à Dorna foi subscrita por 19 pilotos, mas a unidade já não é tão sólida. Segundo informações que circulam no paddock, Marco Bezzecchi, Ai Ogura e Johann Zarco foram os três que não assinaram, e nove dos 19 signatários terão já dito às suas equipas que vão. Ogura foi direto, dizendo que quem é piloto corre se houver corrida. Bezzecchi disse confiar na organização e não julgar quem decida de outra forma.
Marc Márquez, a quatro pontos de um possível título, recusou dar opinião e anunciou que só chegará a Doha na quinta-feira à noite, o mais tarde possível, mas sabe-se que os irmãos Márquez têm sido dos opositores mais ativos. Pedro Acosta passa primeiro por Bali. Álex Márquez fica de fora por causa de uma cirurgia ao ombro, o que não é boicote nenhum. Jack Miller, esse, mantém que continua a não querer ir.

Os diretores de equipa fecham fileiras
Do lado das equipas, o tom é de compromisso. Davide Tardozzi, da Ducati, garante que tudo o que os pilotos pediram foi tratado e diz sentir-se seguro. A Honda confirmou a presença, a Aprilia também, e a KTM está no mesmo caminho. Davide Brivio, da Trackhouse, fala em cumprir o que está assinado e esperar que os pilotos apareçam.
Uma grelha em risco de encolher
As contas são simples. Sem as quatro Yamaha, a grelha desce de 22 para 18. Sem Álex Márquez, para 17. Com Joan Mir em dúvida por razões de saúde, e Jorge Martín e Raúl Fernández ainda sem confirmação por lesão, pode ficar-se pelos 15 ou menos. A Pramac manda a sua equipa de Moto2, mas não a de MotoGP, por causa das contas do título da categoria intermédia.
O que está em causa já não é só uma corrida. É saber se as garantias escritas valem tanto como as promessas, e se quem corre tem voz quando quem manda decide por todos. Até quinta-feira à noite, hora a que Marc Márquez diz que aterra em Doha, ninguém sabe ao certo quantas motos vão alinhar em Lusail. Quem tem mais a perder vai esperando, quem pode dizer não já disse, e quem tem de decidir faz de conta que o relógio não anda.















