Maverick Viñales revelou que existe uma cláusula no seu contrato com a KTM no MotoGP que estabelece que só pode falhar três corridas devido a lesão antes de começar a sofrer cortes no salário.
O piloto da Tech3 tem enfrentado problemas físicos desde meados do ano passado, quando sofreu uma fratura grave no ombro numa queda durante a qualificação para o Grande Prémio da Alemanha.
Desde então, Viñales tem passado por vários períodos afastado das pistas, continuando a sentir as consequências dessa lesão.
O espanhol falhou três rondas no início da temporada para ser submetido a uma cirurgia e, posteriormente, esteve ausente nas primeiras quatro corridas após a pausa de verão.
Viñales regressou no Grande Prémio do Japão, onde terminou na 14.ª posição, mas voltou a sentir dificuldades durante o fim de semana do Grande Prémio da Indonésia.
Na Austrália, as dores no ombro também foram um problema. No entanto, o piloto revelou que não tinha outra opção senão continuar a competir, caso quisesse receber o salário.
Em declarações aos jornalistas, citadas pelo Motorsport, Viñales explicou que uma cláusula do seu contrato com a KTM determina que o salário começa a ser reduzido a partir da quarta corrida falhada.
«Para mim, não faz sentido pilotar nestas condições, porque sou o primeiro a não querer andar nas últimas posições e porque estou a sofrer bastante», afirmou.
«O meu ombro dói-me, mas, se ficar em casa, não recebo.
«Não há nada que possa fazer. Obviamente, lesionei-me na Q1 [na Alemanha, no ano passado], quando estava a competir pela KTM, mas os contratos que assinamos são aquilo que são.
«Assinas um contrato que te permite falhar três corridas e, a partir da quarta, começam a descontar dinheiro.»
Os pilotos têm limitações relativamente ao que podem revelar sobre os detalhes dos seus contratos, pelo que não é claro se os cortes salariais são aplicados após três corridas consecutivas de ausência ou se são contabilizadas todas as provas falhadas ao longo do tempo.
Caso se trate de um limite acumulado, Viñales já falhou sete Grandes Prémios das 18 rondas disputadas até ao momento em 2026. Em 2025, o espanhol também esteve ausente em oito corridas devido a lesão.
Atualmente, Viñales ainda não tem um lugar garantido para 2027, depois de ter perdido o seu lugar na grelha de partida. O piloto tem sido associado a uma possível função de piloto de testes da Ducati, mas ainda não existe qualquer confirmação.
A KTM não é o único construtor a incluir cláusulas deste género nos contratos dos seus pilotos. No entanto, a situação volta a levantar uma questão mais abrangente: a necessidade de criar um sindicato que represente os interesses dos pilotos.
Na Fórmula 1, a Associação de Pilotos de Grandes Prémios (GPDA) ajuda os seus membros a garantir que os contratos são justos.
«Temos de lutar muito para mudar isso, porque este é um desporto de risco», afirmou Viñales.
«E as lesões são frequentes. Agora aconteceu ao Toprak [Razgatlioglu]. Teve uma queda sem grande gravidade e vai falhar seis corridas.»
A questão ganha ainda mais relevância tendo em conta as alterações ao formato dos fins de semana previstas para 2027, que vão introduzir uma sessão de qualificação para a Sprint e aumentar ainda mais a carga de trabalho dos pilotos.
Desde a introdução do formato Sprint, em 2023, o número médio de pilotos ausentes por ronda aumentou de um para 2,5.
Em 2026, houve apenas uma ronda em que todos os pilotos a tempo inteiro estiveram presentes. Em 2025, isso aconteceu apenas por duas vezes, enquanto em 2023 não houve nenhuma corrida com a grelha completa de pilotos a tempo inteiro.















