Lutar com Marc Márquez, nove vezes campeão do mundo, pelo título de MotoGP já era um enorme desafio. Para Jorge Martín, a queda de sábado na Austrália tornou tudo ainda mais complicado. O campeão do mundo de 2024 caiu na corrida Sprint, depois de passar oito voltas e meia envolvido num duelo muito intenso com o líder do campeonato. As cambalhotas na gravilha provocaram-lhe uma fratura na extremidade distal do rádio direito, na zona mais próxima do pulso.
Inicialmente, muitos deram por encerradas as suas hipóteses na curva 8 do circuito australiano. No entanto, várias circunstâncias abriram uma porta à esperança, segundo o Motorsport.com. A primeira surgiu com a tomografia axial computorizada (TAC) realizada nessa mesma noite, numa clínica de Melbourne. O exame descartou a suspeita inicial dos médicos do circuito, que receavam uma segunda fratura no cúbito do mesmo braço. Além disso, confirmou que a lesão no rádio não apresentava desvio, algo que teria obrigado Martín a regressar a Espanha para ser submetido a uma cirurgia.
A segunda ajuda surgiu devido às más condições meteorológicas, que impediram a realização da corrida principal. Martín não poderia ter alinhado à partida, uma vez que os médicos do campeonato o declararam «inapto», mas o cancelamento também impediu Márquez de aumentar a sua vantagem. Depois de vencer a Sprint, o piloto da Ducati lidera o campeonato com dez pontos de vantagem sobre Martín e cinquenta sobre Marco Bezzecchi, terceiro classificado.
A chave está no plano de recuperação que Martín irá seguir, elaborado por Aitor Tomas, fisioterapeuta da agência que representa tanto Martín como Pedro Acosta e que os acompanha nos Grandes Prémios. O piloto madrileno viajou de Melbourne para Kuala Lumpur na noite de domingo para segunda-feira. Na Malásia, terá à sua espera um fisioterapeuta da sua confiança, com quem já trabalhou anteriormente, que seguirá as indicações de Tomas até à chegada deste, na terça-feira, para se concentrar no braço direito do espanhol.
O próprio Tomas explicou ao Motorsport.com a abordagem que irão adotar: «Vamos dividir o processo em duas fases. A primeira centrar-se-á na redução da inflamação e de tudo o que está associado à lesão óssea. Tentaremos recuperar a mobilidade, a força e a funcionalidade. Conseguiremos fazê-lo através de crioterapia (gelo) e massagens».
Seguir-se-á a segunda etapa, orientada para a regeneração do osso. «Tentaremos promover a regeneração óssea tanto quanto possível, para que o osso vá recuperando a sua resistência progressivamente. Fá-lo-emos através de magnetoterapia», acrescentou o fisioterapeuta.
A missão é complicada e será, muito provavelmente, dolorosa, mas já está em marcha todo o processo para tentar colocar Jorge Martín em pista na sexta-feira, em Sepang.















