Despede-se do Estoril antes de ir para a MotoGP em 2027

Quem seguiu o Mundial de SBK de perto nesta época, que termina em Jerez no próximo fim de semana, deve ter reparado em duas coisas acerca de Nicoló Bulega: uma, o seu desempenho dominante a bordo da Panigale V4R da Aruba e a outra, o seu laconismo quando defrontado com um microfone: “Espantoso ter ganho, a equipa deu-me uma boa moto, até à próxima!” – resumiria a grande maioria das suas interações ao longo do ano. Assim, foi bom finalmente encontrá-lo descontraído a prestar declarações mais detalhadas após a ronda do Estoril, onde, além de três vitórias, saiu com o recorde da volta em 1:33.884, feito na corrida Superpole.

Bulega começou por falar do fim de semana: “Estou muito contente com este fim de semana, um dos melhores de toda a época, mesmo! Acabei por encontrar uma boa afinação com a equipa, (o meu obrigado a eles) que me permitiu ganhar… Francamente, hoje de manhã não me sentia bem com a moto, tinha uma sensação estranha, por isso foi bom conseguir vencer todas as corridas aqui… Esta segunda corrida teve um ritmo muito forte, mas consegui impor o meu andamento e criar um pouco de intervalo” (Bulega ganhou por 4,8 segundos sobre Lecuona, N. do A.).

A seguir, referiu o recorde de 29 vitórias numa época, um recorde absoluto que ainda pode crescer em Jerez: “Um recorde é um recorde, vale o que vale, não é que eu não me interesse pelos recordes, interesso-me, ver o meu nome numa lista de vencedores, mas ao fim e ao cabo o que é importante para mim é continuar a vencer corridas… Se conseguir vencer mais corridas, tudo bem; se pelo caminho bater mais recordes, melhor ainda! Também é incrível pensar que ganhei as 3 corridas e fiz o recorde da pista na minha última visita ao Estoril nas SBK… A corrida correu bem, apesar de umas gotas de chuva; sentia-lhe o gosto através do capacete, mas não me atrapalhou.”

“Consegui manter um ritmo forte e, enquanto de manhã o Iker esteve muito forte e tive de trabalhar para o manter afastado, hoje à tarde consegui logo uma vantagem de vários segundos e só tive de gerir o pneu a partir do meio da corrida. Chegar aqui com o título já ganho, claro que ajudou, porque se cometesse um erro já não poderia comprometer o resultado do Campeonato, então andei ainda mais à vontade…“
“Eu ando neste ‘paddock’ há muito tempo, porque o meu pai tinha uma equipa nas Supersport e eu, em miúdo, já andava pelo paddock, mas nunca pensei que um dia seria campeão desta categoria e com tantas vitórias…”

“foi a melhor época da minha carreira, e nunca terei outra igual…”
“É verdade que desde Cremona ainda nem pensei bem a sério, estou a pensar fazer uma grande festa com a equipa e com os meus amigos e apoiantes, mas ainda não sei como ou onde vai ser… Primeiro vamos para Jerez, estou ansioso por tentar vencer as minhas últimas corridas nas SBK e a minha última com a equipa, após 5 anos nas SBK, vai ser muito emocional, semelhante ao fim de semana em Cremona…”
“Decerto, foi a melhor época da minha carreira, e nunca terei outra igual, especialmente considerando para onde vou a seguir (para a Ducati VR46 na MotoGP). Lá, o nível é altíssimo, todos são muito rápidos e não posso esperar os mesmos resultados que tive este ano, nunca vai acontecer, é impossível!”
Quando começas a ter resultados tais que, ao longo do ano, ou és primeiro ou segundo, põe-te num estado mental em que isso se torna o natural, e não estás pronto para chegar a uma fórmula onde isso nunca vai acontecer, e te vais ter de habituar a acabar em lugares inferiores… Vou apenas tentar começar como comecei aqui há 2 anos, vindo das Supersport, não tinha grandes expectativas e o objetivo era aprender o máximo possível, estar bem com a moto e com a equipa… Quando comecei a ganhar, percebi que poderia ser campeão e de facto, assim foi!”

“para o ano muda muita coisa, as motos, os pneus…”
“Há a perceção de que pilotos vindos das SBK nunca fazem muito em MotoGP. Decerto, lembro-me do Ben Spies há uns anos, era eu um miúdo. Ele foi campeão de SBK e teve umas belas corridas na MotoGP… Depois, o Toprak mas aí há o fator Yamaha, que ele apanhou num momento em que claramente não é a melhor moto! Mas para o ano muda muita coisa, as motos, os pneus, e ser um dos únicos que vem duma série onde se corre com Pirelli pode ajudar. Decerto, vou entrar com a mesma mentalidade: há muito a aprender, as pistas, o regulamento, a eletrónica, a afinação da moto, até ficar a conhecer a equipa, e por isso o meu objetivo inicial vai ser o de sempre: conhecer a moto, sentir-me bem nela, antes de pensar em resultados.”

















