Depois de deixar o Japão, o MotoGP chegou à Indonésia para disputar a 17.ª ronda da temporada. Um fim de semana que não falta de motivos de interesse, começando desde logo pela luta pelo título mundial. Uma batalha entre Aprilia e Ducati, com o líder do campeonato, Jorge Martín, a chegar a Mandalika com apenas dois pontos de vantagem sobre o seu perseguidor direto, Marc Márquez. A atravessar um excelente momento de forma e com uma sintonia cada vez maior com a equipa, o espanhol terá uma excelente oportunidade para aumentar esta curta vantagem precisamente no circuito indonésio, particularmente favorável tanto a si como à Aprilia RS-GP.
«Sinto-me certamente confiante, não por causa dos resultados, mas pelo feeling que tenho com a moto sempre que subo para ela. Sinto que estou cada vez mais rápido. Agora parece que sabemos qual é a solução para cada problema que sinto. Sinto que demos um passo em frente com a moto e com a equipa. Por isso, chegamos aqui num bom momento», observou Jorge na antevisão do fim de semana.
O piloto da casa de Noale sabe que tem todas as condições para poder aumentar a sua liderança no campeonato, mas não chega a Mandalika com o objetivo de dominar completamente o circuito indonésio.
«Nunca se sabe o que pode acontecer no MotoGP. Será importante, como sempre, conquistar bons pontos. O Bezzecchi foi muito forte na época passada. Acho que ele fazia a diferença, mas a moto também funcionava certamente muito bem. No entanto, nunca se sabe, porque as coisas mudam todos os anos. Não tenho a expectativa de bater toda a gente e ganhar tudo. Será muito difícil lutar com o Marc e o Marco e vou tentar dar o meu melhor», afirmou.
«O meu objetivo é tentar tirar o máximo possível. Não sei o que vai acontecer, mas são necessários muitos fatores para conseguir esses 37 pontos: é preciso fazer os pneus funcionarem bem, encontrar uma boa afinação e os adversários são sempre fortes. Na Ducati não são estúpidos: certamente terão encontrado alguma coisa para fazer os pneus funcionarem bem.»
Tal como afirmou também no Japão, o Martinator está preparado para sofrer e resistir até ao final: «Sim, a verdade é que, se há uma coisa que me caracteriza, é o facto de nunca desistir. É precisamente isso que vou fazer: tentar tirar o máximo daquilo que tenho, para estar na luta até ao fim. Se isso for suficiente para vencer, perfeito. Se não for, tentaremos novamente no próximo ano.»
O facto de ter vencido apenas um Grande Prémio em 2026 não desmotiva o bicampeão do mundo, que acredita plenamente que poderá voltar a subir ao lugar mais alto do pódio numa corrida de domingo.
«Ganhar o Mundial com apenas uma vitória? Assino já!», comentou, entre risos. «Não sabemos se pode acontecer, pode acontecer qualquer coisa: nunca se sabe se o motor vai avariar ou não. Há mil coisas que podem acontecer. Esta é uma pista muito exigente para a moto, para os pilotos e para tudo o resto. É possível? É. Mas acredito que, com a confiança que temos e com a velocidade que tenho, no final a vitória vai chegar.»
Outro dos grandes temas de discussão antes desta ronda indonésia é o novo formato que será introduzido em 2027.
«Será, sem dúvida, bastante intenso. Acho que vamos enfrentar uma grande mudança na próxima temporada. Teremos de tentar adaptar-nos e certamente teremos de controlar um pouco mais o risco, porque teremos muitos momentos para atacar e isso significa que os riscos serão maiores. De qualquer forma, estou bastante contente por já não ter de fazer o Warm Up. Esse é o único aspeto de que gosto, porque nunca gostei», observou Martín, entre risos.
«Penso da mesma forma que o Marc sobre esta situação. É o que é: não há nada que possamos fazer. Não se trata de gostar ou não do formato, é curioso e será interessante. Mas nem sequer nos perguntaram. Acho que seria positivo haver algum interesse por parte dos organizadores em relação aos pilotos. De uma forma geral, penso que a opinião dos pilotos deveria contar. No final, as equipas fizeram uma boa proposta, ela foi aceite e vai avançar, mas sou um daqueles que acredita que nós, pilotos, temos de estar unidos. Sem nós, nada disto seria possível e o mínimo que poderiam fazer era informar-nos antes de ser anunciado oficialmente.»
O espanhol foi depois questionado sobre a existência de um grupo favorável à mudança e outro contrário.
«É óbvio que existem duas opiniões diferentes, as opiniões servem precisamente para isso. Acredito que será muito exigente e duro para os pilotos, mas, nesse aspeto, não há nada que possamos controlar. Por isso, concentro-me naquilo que posso controlar, que é pilotar. No próximo ano vou pensar em dar o meu melhor com este formato e pronto», reforçou.
«Parece-me que o formato atual é muito bom e muito completo. É claro que se procuram mais fãs e, provavelmente, este novo formato irá atraí-los, mas também é claro que, para os pilotos, será muito mais arriscado e exigente. Vamos ver como será gerido.»














