Depois de um fim de semana em Cremona que terminou com uma sensação agridoce, Miguel Oliveira chega ao Estoril com motivos para acreditar que pode voltar a lutar pelas posições da frente no WorldSBK. O resultado final da ronda italiana não fez justiça ao potencial demonstrado pelo piloto português, sobretudo na Race 2, onde chegou a ocupar a quinta posição nas primeiras voltas antes de uma queda na Curva 10. A própria BMW reconheceu que, em Cremona, os lugares dentro do top cinco voltaram a estar ao alcance da M 1000 RR.
É precisamente esse ritmo que pode alimentar as expectativas para o próximo fim de semana. Depois de um complicado encontro em Magny-Cours, a BMW conseguiu dar um passo em frente em Cremona e Oliveira mostrou, em vários momentos, capacidade para acompanhar pilotos que lutavam pelas posições de topo. O problema é que, desta vez, o português não conseguiu transformar essa velocidade em resultados. Caiu na Race 1 e voltou a abandonar na Race 2 quando estava já dentro do top cinco, deixando escapar aquilo que poderia ter sido um resultado muito importante.
Agora, o cenário muda completamente. O WorldSBK regressa a Portugal para a ronda do Estoril, entre 9 e 11 de outubro, e Miguel Oliveira terá novamente o apoio do público português, desta vez num circuito que conhece profundamente. Se em Portimão já tinha demonstrado que o fator casa pode ser acompanhado por resultados de enorme nível, no Estoril a expectativa pode ser ainda maior, precisamente porque estamos perante uma pista onde o piloto português conhece cada travagem, cada mudança de direção e cada ponto de referência.
E há um dado que não pode ser ignorado: em Portimão, numa altura em que a BMW ainda estava longe de apresentar a consistência que hoje parece começar a encontrar, Oliveira conseguiu terminar as três corridas no terceiro lugar. Foi o primeiro grande momento do português no WorldSBK e uma demonstração clara de que, mesmo sem ter a moto mais competitiva da grelha, consegue colocar-se na luta pelo pódio quando tudo encaixa.
O Estoril poderá, por isso, representar uma oportunidade para repetir esse tipo de desempenho. Não será fácil, naturalmente. A Ducati continua a ser uma referência e o campeonato chega à fase final com vários pilotos capazes de lutar regularmente pelas posições dianteiras. Mas o cenário da BMW é agora diferente daquele que encontrámos algumas rondas atrás. A equipa acredita ter reencontrado o caminho certo em Cremona e o próprio Oliveira reconheceu que a M 1000 RR está numa posição melhor do que estava depois de Magny-Cours.
Mais importante ainda é aquilo que se viu em pista. Oliveira não esteve simplesmente a beneficiar de abandonos ou de circunstâncias favoráveis para aparecer no top cinco. Em Cremona, o #88 tinha ritmo para lá chegar. Na Race 2, chegou mesmo a ocupar a quinta posição e tinha à sua frente uma oportunidade concreta de lutar por um resultado de destaque. Foi uma queda que interrompeu essa possibilidade, não uma falta de velocidade.
É precisamente por isso que o Estoril poderá ser tão interessante. Se Oliveira conseguir transportar para Portugal o ritmo que mostrou em Cremona e, sobretudo, evitar os erros que lhe custaram dois resultados importantes em Itália, não será descabido imaginar o português novamente entre os cinco primeiros. E, caso a BMW consiga colocar a moto a funcionar da mesma forma desde sexta-feira, a discussão por um novo pódio também pode entrar nas contas.
Há ainda o fator emocional. Oliveira vai correr perante os seus adeptos numa das últimas rondas da temporada e terá uma oportunidade de fechar a sua campanha europeia no WorldSBK com uma exibição à altura do potencial que já mostrou. Portimão provou que o português consegue transformar o apoio das bancadas em velocidade. O Estoril pode agora mostrar até onde essa combinação de conhecimento da pista, confiança e evolução da BMW pode levá-lo.
Talvez a grande questão para o fim de semana não seja, portanto, se Miguel Oliveira tem ritmo para lutar pelo top cinco. Cremona deu-nos fortes indicações de que esse ritmo existe. A verdadeira dúvida será saber se conseguirá juntar a essa velocidade uma qualificação forte, uma corrida sem incidentes e uma gestão perfeita dos pneus para transformar potencial em resultado.
E, nesse cenário, pensar novamente num Miguel Oliveira a lutar pelo pódio não parece uma ambição exagerada. O português já mostrou em Portimão que consegue fazê-lo com uma BMW que ainda procurava respostas. Agora chega ao Estoril com uma moto que dá sinais de estar mais competitiva, com o conhecimento de uma pista que domina e com a motivação adicional de correr em casa.
Se tudo encaixar, o Estoril poderá ser muito mais do que apenas mais uma ronda do calendário: poderá ser o palco onde Miguel Oliveira confirma que o ritmo demonstrado em Cremona não foi um acaso e que, mesmo numa temporada de aprendizagem no WorldSBK, continua a ter argumentos para estar na luta pelas posições de destaque.














