15 corridas. 18 pontos conquistados. 21.º lugar no campeonato. Atrás dele, entre os pilotos titulares, apenas Maverick Viñales, que não completa um Grande Prémio desde o final de junho.
Até um tricampeão do mundo pode voltar a fazer perguntas que pensava já ter deixado para trás. Toprak Razgatlioglu está a descobrir isso da pior forma no MotoGP. Depois de anos a vencer, dominar e construir um enorme nome no Mundial de Superbike, o turco viu-se novamente do outro lado da barricada: longe das posições da frente e obrigado a procurar pequenos progressos de fim de semana para fim de semana.
Uma situação que fez Toprak recordar 2018, o seu primeiro ano no WorldSBK com a Kawasaki. Também nessa altura os resultados tardavam em aparecer e, durante algum tempo, Razgatlioglu chegou mesmo a começar a duvidar de si próprio.
“A última vez que me encontrei a pensar numa situação deste género foi em 2018, quando passei para a Superbike, no meu primeiro ano com a Kawasaki. Foi uma temporada realmente difícil. Terminava sempre em nono, décimo, décimo segundo. Naquela altura, um décimo segundo lugar nem sequer era assim tão mau, mas comecei a pensar: ‘Não tenho potencial suficiente, este é o máximo que consigo fazer’”, afirmou o turco na semana passada, no Red Bull Ring.
A questão é que aquela crise, na altura, foi muito além da simples frustração por um resultado menos conseguido. Antes do pódio conquistado em Donington Park, que mudou completamente a sua perspetiva, Toprak chegou mesmo a pensar em abandonar as corridas.
“No final, cheguei mesmo a pensar em desistir. Depois, quando consegui o pódio, tudo mudou e comecei a acreditar em mim próprio.”
A partir daí, sabemos como tudo aconteceu: 78 vitórias no WorldSBK e três títulos mundiais. E é precisamente este currículo que torna a situação atual ainda mais difícil de digerir. Em 2018, Razgatlioglu era um jovem que ainda tinha tudo para provar. Hoje, sabe perfeitamente o que significa ser a referência de uma categoria.
“Agora é ainda mais difícil para mim, porque ganhei três títulos mundiais e também fiz novamente uma temporada incrível no ano passado. Depois chego aqui e termino em 15.º, 18.º, 12.º. O meu melhor resultado é um 11.º lugar. Para mim é mais difícil porque agora sou um piloto habituado a vencer. Em 2018, quando terminava em décimo ou décimo segundo, era mau para mim, mas não era como agora.”
O problema, contudo, não parece ser simplesmente uma questão de andar rápido. Em várias corridas, Toprak mostrou um ritmo mais do que digno depois de entrar no seu ritmo, chegando mesmo a rodar com tempos próximos dos melhores pilotos Yamaha. A principal dificuldade está sobretudo em conseguir extrair todo o potencial do pneu traseiro Michelin macio, um composto que exige uma forma de pilotar e de procurar o limite muito diferente daquela a que estava habituado com os Pirelli.
“Porque é que na corrida consigo ter um bom ritmo com o pneu médio? Porque com o médio é mais fácil pilotar. Com o macio, pelo contrário, não consigo aproveitar o seu verdadeiro potencial. Tenho de aprender a fazê-lo, porque ainda não consigo perceber qual é o limite deste pneu. Esse é o maior problema.”
E este não é sequer um problema exclusivamente seu. A nova Yamaha V4 está a obrigar todos os pilotos da marca de Iwata a um importante processo de adaptação, precisamente naquela que é a última temporada das motos de 1000cc e dos pneus Michelin.
O piloto da Yamaha Pramac, contudo, tem pelo menos um objetivo muito claro para as sete rondas e 14 corridas que restam: entrar finalmente no top 10. Depois, tudo voltará a mudar.
Em 2027 chegarão as MotoGP de 850cc e, sobretudo, regressarão os pneus Pirelli. Um cenário bastante mais familiar para um piloto que construiu grande parte da sua reputação precisamente com esses pneus.
















