A moto que o português herdou foi melhorada pela exigência do Turco em 2025

Toprak Razgatlıoğlu pilota de forma agressiva, como é sabido e levou a M1000RR ao limite mas, segundo o Diretor Técnico da BMW, Chris Gonschor, tecnicamente, exigiu menos do que o esperado.
Quando Toprak Razgatlıoğlu trocou a Yamaha pela BMW para a temporada de 2024 do Campeonato Mundial de Superbike, muitos no paddock esperavam que a BMW fizesse grandes mudanças para adaptar a M1000RR ao estreante. O turco era considerado um dos pilotos mais espetaculares da categoria, e o seu estilo agressivo – sobretudo nas travagens – é lendário.

Mas, de acordo com o Diretor Técnico da BMW, Chris Gonschor, a necessidade de modificações técnicas foi significativamente menor do que o previsto. Razgatlıoğlu conquistou dois títulos mundiais consecutivos com a BMW M1000RR antes de passar à MotoGp este ano e entregar a moto a Oliveira e Petrucci.
Tecnicamente falando, a característica mais marcante era inicialmente a ergonomia na moto. Razgatlıoğlu preferia uma posição de condução muito peculiar, com um assento baixo e plano e um guiador relativamente alto.
“A posição de condução de Toprak é especial, mas há uma razão por trás disso. Também se podia ver isso no outro paddock. Começámos com a nossa posição de condução padrão em 2024 e, em Assen, posicionámo-lo mais baixo na moto”, explicou Gonschor numa entrevista à Speedweek há dias. “Esta não foi a solução técnica mais engenhosa, mas faz sentido porque centraliza a massa. No entanto, não se pode posicionar o piloto demasiado baixo na moto, caso contrário a distribuição do peso na roda dianteira é demasiado baixa. Toprak é bastante alto, semelhante ao Danilo (Petrucci).”
“É por isso que, apesar da posição de condução muito baixa, Toprak conseguia exercer uma certa quantidade de peso na roda dianteira com a parte superior do corpo, gerando assim a dinâmica necessária”, disse Gonschor.

O que era particularmente impressionante era a forma como Razgatlıoğlu se posicionava nas retas – ou melhor, onde se posicionava. “O que era especial na posição de condução de Toprak era que ele se sentava frequentemente na cauda nas retas, em vez de no banco propriamente dito. Este não é um triângulo de condução típico e, por isso, é bastante extremo”, explicou o diretor técnico da BMW. “Nenhum outro piloto se posicionava numa moto daquela maneira nas retas. É realmente único.”

O assento da BMW de Razgatlıoğlu era extremamente plano – um conceito que contraria as preferências de muitos outros condutores. “Toda a unidade do assento é muito plana. Não é o que a maioria dos pilotos quer, pois preferem um assento ligeiramente mais elevado para dar apoio nas curvas. O Toprak utiliza muito o seu físico e o seu equilíbrio corporal”, disse Gonschor. “É por isso que a sua posição de condução é extrema. Mas, de um ponto de vista puramente técnico, a sua configuração não é excecional. As suas configurações de mola/amortecedor são completamente padrão, naturalmente adaptadas à sua técnica de travagem. Mas não é uma diferença gritante em comparação com outros pilotos”, enfatizou o engenheiro da BMW. Isto terá ajudado posteriormente a adaptar a moto a Miguel Oliveira.

Razgatlıoğlu também não necessitou de soluções especiais, pois nem os travões nem os elementos da suspensão exigiram o desenvolvimento de novos componentes especificamente para ele. “Utilizamos apenas soluções prontas a usar – artigos oferecidos pela Brembo e pela Öhlins”, explicou Gonschor. “Caso contrário, nós ou os fornecedores teríamos de desenvolver algo. Não foi necessário desenvolver nenhum hardware novo para o Toprak, pois a sua configuração não era extrema.”
Ainda assim, Razgatlıoğlu deixou um legado técnico duradouro. O seu estilo de condução excecional levou os engenheiros da BMW a considerar o potencial da M1000RR sob novas perspetivas.
“A forma como Toprak pilotava – especialmente a forma como travava e estabilizava a moto – mostrou-nos como poderíamos utilizar melhor a eletrónica”, explicou Gonschor. “Tanto o travão motor como a aceleração com controlo de tração revelaram novas formas de tornar a nossa moto mais rápida na pista.”
O turco exigiu, portanto, menos tecnologia exótica do que muitos esperavam – mas a sua forma de levar a moto ao limite ajudou a BMW a redefinir os limites da M1000RR.

Quando Oliveira chegou, vindo da MotoGP, o seu grau de exigência na moto era também elevado, mas a BMW trabalhou em estabilizar mais a moto para a condução mais suave do português, tentando não inverter os parâmetros que a tornavam rápida e manobrável… em Portimão, veremos decerto de Miguel Oliveira já está a tirar tudo o que pode da M1000RR!
















