SBK 2020: SCOTT REDDING NA PRIMEIRA PESSOA, 2

Por a 18 Janeiro 2020 15:00

Na parte 2 desta entrevista, o rookie da Ducati Aruba.it Racing abre-se sobre a vida longe das pistas, incluindo a família, a sua paixão pelo boxe e uma nova calma e clareza no seu dia-a-dia graças à sua namorada, a modelo Penny Sturgess.

Quando metade da nossa vida é passada em pistas de corrida, os altos e baixos chegam tão rapidamente como a moto por baixo de nós. Mas o que acontece para lá das corridas? Se a parte 1 da nossa entrevista com Scott Redding se concentrou no miolo da sua carreira, esta segunda e última parte mergulha em tudo o que rodeou o jovem de 27 anos.

Afinal, ele é “o mesmo garoto de Gloucester” – aquele que tem a mesma alegria que qualquer outro por estar em família, amigos ou festas. Aqui está Scott Redding, nas suas próprias palavras.

“Estive fora do Reino Unido a vida toda. Isso nunca me incomodou, não sinto saudades de casa. Assim que completei 19, 20 anos, fui para a Espanha e nunca mais voltei. Eu cresci assim.”

“Tenho uma ótima ligação com o meu pai, o meu tio e as minhas irmãs, mas não preciso de os ver o tempo todo. É o que é.”

“O meu pai vinha a muitas corridas, guiava a motorhome para mim no MotoGP. Ele só gosta de assistir às corridas, na verdade não se envolve. Não o verão na boxe durante todo o dia, só aparece à noite.”

“O meu tio está ao meu lado a maior parte do tempo. Ele não gosta de viajar, por isso não esteve comigo no MotoGP, e será algo semelhante este ano. Não me faz diferença se eu tenho um grande clã à minha volta ou não. Se as pessoas querem vir e assistir, não há pressão para mim.”

“Conheço o Chaz há alguns anos. Eu costumava correr na pista de kart dele quando era mais jovem. Ele costumava entregar-me os troféus! Nós damo-nos muito bem.

Eu gosto realmente dele, é um realista, normal, sem egos falsos. Eu não posso dizer uma palavra má sobre ele.”

“Ele teve uma situação semelhante a mim, sem dinheiro, trabalhando com material assim-assim. Talvez eu tenha tido um grande avanço, onde chamei a atenção; quando estava prestes a cair no abismo, fui ajudado.”

“Tive alguns companheiros de equipa idiotas e alguns bons. É uma daquelas coisas. Fora da pista, podemos ser civilizados; se eu bater o outro, ele tem de me apertar a mão e dizer ‘boa’, porque se for ele a bater-me, eu farei o mesmo. Alguns pilotos não conseguem fazer isso, e não nos damos bem, mas a maioria dos meus colegas de equipa tem estado, dentro do normal, bastante bem.”

“Eu só comecei a publicar vídeos porque gostei. As pessoas diziam que eu deveria vlogar, que sou uma personagem… faço coisas loucas, 80% nem dá para vos mostrar! Mas as pessoas querem ver isso. Estou tentando mostrar às pessoas que não é preciso ser esse robot quadrado, que não pode fazer nada, para ter sucesso.”

“Quando eu fui para a BSB, impressionava as pessoas. Ficava fora até tarde à noite, fazia festas no motorhome, todos se divertiam, dançava – e ganhava no dia seguinte! As pessoas não conseguiam entender!”

“O ano passado ficou claro que eu poderia ser eu mesmo e ainda obter resultados. E não quero mudar isso, quero mostrar às pessoas como podemos ser nós próprios e ainda ter sucesso.”

“Com os vlogs, se as pessoas olharem para trás agora, é género: ‘o que motivou este tipo a fazer isso?’. E é provavelmente uma mistura de raiva/fome de não poder mostrar-me como sou no MotoGP. Por mais que o vlog não fosse o ideal, provavelmente ajudou-me a ter sucesso novamente.”

“Eu trabalho duro, ainda treino constantemente. Rompi ligamentos na minha perna em Janeiro passado; um mês de fora. Após três dias de treino, quebrei o fémur. A equipa disse: ‘assim não nos serves, até mais tarde’, mas eu assegurei-lhes que lá estaria para o primeiro teste. Era daí a três semanas, mas eu não me importei.”

“Os médicos disseram que eu precisava de 8 a 9 semanas, mas eu não tinha 8 ou 9 semanas! Eu precisava de voltar em três semanas. Era a minha mentalidade, mal podia andar, mas consegui.

Muito disto está na nossa mente, quanto se quer ter sucesso. Tem que se continuar a trabalhar. Muitas pessoas nessa posição tirariam 8 ou 9 semanas como desculpa. Eu fiquei, tipo: não, não posso, preciso de vencer este campeonato, preciso de começar agora!”

“Quando saio das pistas, não quero mais falar sobre corridas. Quando acabo e a porta se fecha, espero uma hora e pronto. As pessoas continuam a fazer-me as mesmas perguntas, como foi isto, como foi aquilo … eu entendo que é uma coisa de entretenimento, as pessoas gostam de falar sobre isto. Mas correr é o meu trabalho.”

“Eu tenho uma paixão louca pelo boxe. Quando terminei de correr em 2018, havia uma grande parte de mim que, se não corresse, queria tentar ser boxeador profissional. Eu não posso fazer ambos, portanto o boxe faço por diversão.”

“Eu gosto da maneira como a técnica se aplica, o esforço, o trabalho duro. É tudo sobre nós e o adversário. As corridas são acerca de nós e a nossa máquina; a máquina pode desempenhar um papel importante nos resultados. No boxe, é cada um por si no ringue – final da história.”

“Para o treino, é a melhor coisa. Mantém-nos nivelado, mantém-nos os pés no chão. Se  estamos a levar, faz-nos pensar: ‘mantém a realidade, mantém a calma’. Só nos faz sentir mais calmos e eu gosto disso.”

“Também pratico muito ciclismo e motocross, gosto ainda mais, dá-me muita adrenalina. Também gosto de festejar algumas vezes, não me interpretem mal. Sair com meus amigos e fazer noitadas. Eu quero sair e gozar a vida, arrisco o suficiente no dia-a-dia!2

“Passar tempo com a minha namorada tem sido a maior coisa para mim. Desde que a encontrei, ela tem-me ajudado muito. Sinto-me muito mais contente, mais adulto. Sinto-me pronto para acalmar e crescer de maneira a poder concentrar a minha atenção em outras coisas, como o boxe e as corridas. Não preciso de me preocupar com outras coisas ao meu redor. Sinto-me seguro!”

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