MotoGP, 2020, Aragón: Época surreal já teve 7 vencedores em 9 corridas

Por a 13 Outubro 2020 13:00

A vitória de Petrucci em França faz 7 vencedores em 9 corridas, e Petrucci e Alex Márquez tornam-se os 14º e 15º finalistas do pódio este ano, numa das mais ricas épocas de MotoGP de sempre… e que ainda por cima acaba em Portugal

É bem verdade que a desgraça de uns faz a felicidade de outros! Embora gostássemos de ver Marc Márquez em forma e a alinhar na grelha, a verdade é que a sua ausência tem dado azo a uma das mais ricas épocas de MotoGP de que há memória…

Agora, no GP de França, a MotoGP voltou a entregar emoções fortes em 2020. Já desfrutamos de mais que a nossa quota-parte de drama e excitação esta temporada, mas o Grande Prémio de França foi mais um fim de semana de corridas loucas que viu o simpático Danilo Petrucci (Ducati Team) regressar ao primeiro escalão pela primeira vez desde Mugello 2019.

A tensão já era palpável em Le Mans, já que o líder do Campeonato, Fabio Quartararo (Yamaha Petronas SRT), pretendia transformar a sua superioridade nos treinos, onde fez a pole, numa quarta vitória da temporada, perante 5.000 adeptos franceses que foram admitidos no circuito Bugatti.

Uma corrida seca já parecia preparar um encontro fantástico, mas S. Pedro tinha outros planos… Cinco minutos antes de as luzes se apagarem, a chuva, que não estava prevista, começou a cair na Curva 8 e logo se espalhou pelo circuito. Com os nervos em franja, as equipas atarefaram-se a mudar pneus e afinações à pressa, e os pilotos de MotoGP estavam prestes a enfrentar a primeira corrida molhada desde o GP de Valência de 2018.

Para muitos, como o candidato ao título Quartararo, o desafiante Joan Mir da Suzuki, Bagnaia, Binder ou Miguel Oliveira, a primeira de sempre em MotoGP, fazendo enfrentar uma moto de 260 cavalos no molhado território desconhecido.

Porém, não ficámos desapontados. A vitória de Petrucci tornou o piloto de Terni no sétimo vencedor diferente em nove corridas, juntando-o a Quartararo, Brad Binder, Andrea Dovizioso, Miguel Oliveira, Franco Morbidelli e Maverick Viñales no círculo dos vencedores em 2020.

É mais uma prova de que a competição no MotoGP está incrivelmente apertada esta temporada, e praticamente qualquer um, dadas as circunstâncias certas, pode aspirar a ganhar uma corrida.

E também dá que pensar que quatro dos oito melhores pilotos do Campeonato ainda não venceram uma corrida: Mir, Takaaki Nakagami da Honda LCR Idemitsu, Jack Miller da Ducati Pramac e Pol Espargaró da KTM Red Bull Factory Racing, o que poderia facilmente fazer subir para dois dígitos o número de vencedores antes do final da época em Portimão.

Outra surpresa, a  1,2 segundos de Petrucci em segundo, foi Alex Márquez da Honda Repsol. Sem dúvida, a corrida do dia e a recuperação da temporada, de 18º para 2º!

Na sua primeira corrida molhada de MotoGP, o atual campeão do mundo de Moto2 esteve simplesmente soberbo. O número 73 não cometeu erros, numa corrida em isso seria perdoável até num veterano, quanto mais num rookie.

Concorrentes experientes como Valentino Rossi (Yamaha Monster Energy) ou Cal Crutchlow (Honda LCR Castrol) não conseguiram terminar uma corrida traiçoeira, aliás Rossi mal a começou!

No entanto, Márquez conseguiu reclamar um surpreendente 2º de 18º na grelha, lutando para ultrapassar pilotos muito mais experientes e parecendo que estava na sua 90ª corrida de MotoGP, e não na 9ª!

O irmão Marc Márquez teria ficado orgulhoso de uma performance como esta, por isso o duplo campeão do mundo Alex Márquez merece todo o aplauso que recebeu depois de Le Mans.

E que dizer da igualmente fenomenal corrida de Oliveira de 12º para 6º? Se não tivesse sido atrapalhado pela queda de Rossi no início, tendo de recuperar de 17º, o português, a dada altura o piloto mais rápido em pista, teria decerto chegado ao pódio, pois no final, mesmo com os pneus acabados, ainda deu que fazer a Dovizioso pela 4ª posição, antes de se rendar à carga mais controlada de Zarco. A substituí-lo com melhor KTM, esteve o igualmente digno de nota Pol Espargaró, que montou um ataque decidido para o seu segundo pódio do ano.

Porl já estivera no pódio em 2020, mas Márquez e Petrucci vêem o número de pilotos no pódio subir para 15 em 2020!

Nove corridas na temporada e já vimos 15 nomes diferentes – e sete vencedores separados – no pódio, coisa que ninguém poderia pensar que era possível antes do Treino Livre 1 no GP de Espanha quando Márquez se lesionou. Mas já que aconteceu, que continue assim por muito tempo!

Em termos de Campeonato, a diferença entre o primeiro e o segundo pode ter aumentado ligeiramente, mas a diferença de pontos entre os quatro primeiros fechou-se novamente a caminho de um duplo cabeçalho em MotorLand. Com 19 pontos a separar Quartararo, Mir, Dovizioso e Viñales, com cinco corridas restantes em 2020, quem se atreve a fazer previsões?

Quando se pensa que um piloto está a começar a encontrar alguma consistência, tudo se desmorona de novo. Teria Quartararo ganho em casa se a corrida estivesse seca?

Teve tão boa oportunidade como qualquer outra, mas nunca saberemos. Em vez disso, nas condições húmidas, Dovizioso conseguiu recuperar parte da vantagem que perdera recentemente para os outros três.

A boa forma de Mir chegou ao fim, mas crucialmente, Quartararo, Mir e Viñales terminaram a corrida. Agora, está tudo em jogo de novo em Aragón.

As estatísticas falam por si. Após nove corridas da temporada de 2019, Marc Márquez ficou-se pelos 185 pontos, com Dovizioso e Petrucci a 127 e 121, respetivamente.

Esses três pilotos tinham mais pontos do que o total de Quartararo este ano na mesma fase e o francês ganhou um terço das corridas. É o tipo de temporada que não se pode descrever, e tudo o que podemos fazer é desfrutar do espetáculo que se está a desenrolar diante de nós.

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