MotoGP 2020: Viagens virtuais

Por a 25 Março 2020 15:30

Ao longo dos anos, um jornalista especializado em velocidade viaja muito. Talvez não pelo mundo todo, mas por todo o mundo onde se realizam corridas de motos, que é quase no mundo todo.

Eventualmente, ficam mementos, recordações, objetos trazidos de cada local, que por vezes falam muito de como eram as corridas, onde aconteciam e que importância tinham na comunidade local… Agora, fechados em casa, recordar, no fundo, é reviver e partilhar esses instantes pode ser divertido.

Na foto acima, começando pelo topo esquerda:

No Grande Prémio de Macau, que visitámos em 1986, 1990 e 1993, sempre notando marcada evolução no território, passagem pelo “Restaurante Português” era obrigatória… ao contrário do que se poderia esperar, era gerido por uma senhora de Macau, a Leti, que fazia uma redefinição da nossa culinária introduzindo a precisão chinesa em tudo: Uma jardineira não tinha apenas vegetais cortados aleatoriamente, mas sim as cenouras, batatas, feijão verde, etc. aparados com precisão milimétrica, cada cubo com 12mm, nada mais nada menos. Os serões antes da corrida, quando não havia mais nada que fazer para quem não queria gastar dinheiro nos casinos, eram proverbiais, e muitas amizades foram feitas ou reforçadas nas mesas do seu estabelecimento numa das ruas do centro…

Claro que os Casinos não tinham só roleta, mas uma imitação dos Cabarets de Paris com o “Crazy Horse Show”, que como se vê, tinha as suas próprias carteiras de fósforos.

Rothmans… O nome dispensa apresentações, decoração central a anos de participação no Mundial, nas carenagens das Honda nas 500 e 250 e muito mais, com títulos para Spencer, Gardner, Lawson, Doohan, antes da malograda passagem à Fórmula 1 com Ayrton Senna. Naquele tempo, impensável nos dias de hoje, hospedeiras percorriam o “Paddock” do Mundial a oferecer cigarros e a cada poucos metros, nas vastas bancadas de trabalho de qualquer sala de imprensa do mundo, havia maços de tabaco tentadoramente abertos…

Park House, um “bed-and-breakfast” perto da aldeia de Melbourne, nas traseiras de Donington Park… O Circuito albergou durante anos, além dos Campeonatos locais, as famosas séries Transatlantic, mais tarde o Grande Prémio de Inglaterra, que transitara de Silverstone e, em 1988, lá vimos nascer o Mundial de Superbike.

Neste Campeonato, a prova italiana foi durante anos Monza, em que o Hotel Della Regione albergava toda a equipa que se prezasse e era paragem obrigatória.

Em cada país, o tabaco era o patrocinador rei, de certo modo com os governos a canalizar para o desporto os fundos quase sem limite de tabaqueiras nacionais como a Seita (França, Gauloises, ) ou Imperial Tobbaco (Inglaterra, JPS).

Ao longo dos anos, algumas associações tornaram-se tão famosas que deram origem a esquemas de cores usados em motos de estrada que ainda hoje se veem.

Leisureland & Racing Course era o título oficial do Circuito de Suzuka, lembrando que o traçado das 8 Horas, e a dada altura do GP do Japão é, na verdade, um gigantesco Parque de Diversões temático, com um complexo em que um Restaurante Suiço é um “chalet” com chefes importados de país, um Chinês um pagode de madeira, e por aí fora.

Langan’s Brasserie, um Restaurante de luxo no centro de Londres que pertence ao ator Michael Caine, patrocinou os nossos modestos começos na velocidade graças a um amigo que lá trabalhava…

Taipa Island Resort… outro subterfúgio para passar as horas mortas em Macau era tomar um dos autocarros vai-vem grátis para a adjacente Ilha da Taipa e ir tomar um cocktail ao luxo tropical do Resort… ou para jornalistas tesos, ver a vista e regressar!

Finalmente, em Braga, o Hotel Turismo estava, a dada altura, para o circuito do Norte como o Della Regione para Monza… paragem obrigatórias das equipas do Nacional ou até do Europeu, quando por lá passou, entre outros, um jovem Valentino Rossi com 15 anos…

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