WSBK 2024: As conclusões que podemos tirar da pré-temporada de Superbike

Por a 1 Fevereiro 2024 12:02

O Mundial de Superbike 2024 tem todos os condimentos para ser um grande sucesso. Com apenas um teste de pré-temporada restante na Austrália, o que pode ser deduzido para a primeira prova, de 23 a 25 de fevereiro em Phillip Island?

Testes, são apenas o que a palavra significa… testes. Servem para rodar e acertar as novas motos, para os pilotos voltarem à pista e ficaram tanto mental como do ponto de vista físico, preparados para a nova temporada, mas daí a se tirarem conclusões, pode ser precipitado. Ainda assim, vamos arriscar e ver como estão as coisas depois dos testes de Jerez e Portimão.

Jonathan Rea (Pata Prometeon Yamaha)

Para Jonathan Rea o primeiro teste do ano passado em Jerez – apenas 48 horas depois de ter saído da Kawasaki – já foi um sucesso, mas melhorou novamente num teste privado no mesmo local. Nos últimos dois testes, novamente em Jerez antes do mais recente em Portimão, o norte-irlandês continuou a crescer em competitividade. No entanto, ainda falta velocidade absoluta, mesmo que fique mais rápido à medida que a corrida avança com pneus usados e menor carga de combustível, algo que destacou depois de Portimão. Se o ritmo de uma volta puder ser melhorado, Rea será uma ameaça genuína mais uma vez. Com uma ampla janela de operação, a YZF-R1 Yamaha está lenta mas seguramente  o hexacampeão mundial começa a assentar nela como uma luva.

Toprak Razgatlioglu ((ROKiT BMW Motorrad)

Antes da pré-temporada começar, deu-se a outra grande transferência, de Toprak Razgatlioglu que passou da Yamaha para a principal equipa de fábrica da BMW. Aparentemente, muitos terão pensado que o piloto turco ia-se ‘apagar’ na tabela de tempo mas… foi precisamente o inverso que aconteceu. O sorriso do turco após o primeiro teste em Portimão, em Dezembro, disse tudo, mas o seu ritmo depois do Natal em Jerez e Portimão virou cabeças. Na montanha-russa em particular, cenário de desgosto na penúltima ronda do ano passado, numa luta mano-a-mano contra Bautista, viu-o liderar um teste com a BMW pela primeira vez. Ritmo de corrida forte, grandes atualizações nas especificações do motor, chassis e trabalho constante na eletrónica, a BMW fez todos os esforços para que Toprak progredisse. Um pouco mais de aderência em curvas – a reclamação constante de todos os pilotos da BMW ao longo dos anos – ainda é um ponto de discórdia, mas Toprak está a fazer com que funcione. E fechou o teste de Portimão – o último antes de ir para a Austrália – com um aviso aos rivais: “A moto começa a parecer a minha moto”.

É verdade que só teremos a confirmação desta progressão na primeira ronda australiana, mas por vezes o que parece é, e este pode ser o caso, pondo fim a um longo jejum sem vitórias da BMW desde 2021 e de uma temporada inteira de 2023 sem pódios: a pole de Garrett Gerloff em Magny-Cours foi a excepção, mas a contratação da estrela turca pode realmente impulsionar a marca alemã nas SBK.

Alvaro Bautista (Aruba.it Racing Ducati)

Toda a conversa sobre a adaptação de Álvaro Bautista às novas regras, onde precisará carregar mais 6kg de peso em 2024, foi superada por outro desafio: a lesão do espanhol. O atual campeão mundial caiu durante o primeiro dia de testes para 2024 em 2023, após a ronda de Jerez, antes de seguir para Sepang para o seu wildcard na MotoGP. Talvez a lesão tenha sido pior que tudo, isto porque três meses depois, o espanhol ainda está com dificuldades, sem permissão para treinar até o início de janeiro. Acrescentando a isso o facto de que Bautista tem mais peso do que nunca e sem grandes atualizações na Ducati Panigale V4 R, não tem sido o caminho mais fácil para a Austrália para o atual bicampeão. E, sinceramente, esperávamos que ele estivesse menos longe do topo. O nível de competição nas SBK é extraordinário, mas Bautista não esteve entre os dez primeiros no final dos testes de Jerez ou de Portimão. Veremos como as coisas vão evoluir até Phillip Island.

Nicoló Bulega  (Aruba.it Racing Ducati)

Mas, enquanto um galo luta para reassumir o poleiro em 2024, uma nova estrela está a emergir, o estreante campeão mundial de Supersport Nicoló Bulega. O italiano foi algo surpreendente nos testes e quase inacreditável; três dos quatro dias viram Bulega no topo, derrotado apenas por Razgatlioglu no segundo dia em Portimão. Não apenas no topo, mas também sob o recorde de volta oficial existente. É verdade que Bulega fez muitos testes com a moto no ano passado, mas chegar imediatamente e ser tão competitivo é algo raro. Uma revelação total, mas é importante lembrar que se trata apenas de testes e, como disse Marco Zambenedetti – Diretor Técnico de Superbike da Ducati Corse – “as corridas serão diferentes”. Bulega respondeu dizendo “Não estou a 100%”, então talvez as corridas sejam diferentes, mas não como Marco espera.

Alex Lowes (Kawasaki Racing Team)

O britânico irmão gémeo de Sam Lowes, parece estar a adaptar-se bem à vida como piloto número um dentro da KRT e trabalhar com Pere Riba também parece trazer o #22, já que terminou em P3 no final do teste de Portimão. O companheiro de equipa Axel Bassani continua a sua adaptação à ZX-10RR e às quatro máquinas em linha, sendo o trabalho na entrada em curva e no estilo de pilotagem as suas principais áreas de concentração.

Iker Lecuona e Xavi Vierge (Team HRC)

O feedback inicial de Lecuona e do companheiro de equipa Xavi Vierge foi positivo após os testes de Jerez em novembro, com o então chefe da equipa Leon Camier satisfeito com as melhorias trazidas pela nova Fireblade, nomeadamente os novos corpos de acelerador divididos, uma cambota e asas mais leves introduzidas com a nova homologação. No entanto, as coisas azedaram com o início de 2024, com Lecuona frustrado em Jerez; e justamente quando se pensava que não poderia piorar caiu no segundo dia em Portimão, perdeu tempo e ainda não conseguiu encontrar uma direção para trabalhar, questionando se estariam ou não prontos para um desafio entre os dez primeiros. Vierge tem estado mais calmo, insistindo que embora haja trabalho a fazer, ele está pronto para o desafio e ansioso para se desenvolver. O grande problema é a aderência traseira; o motor é tão potente que o pneu traseiro gira ao sair das curvas, mas não com tração. A Honda tem muito trabalho pela frente.

Andrea Iannone (Team GoEleven)

Além do já mencionado Bulega, há mais quatro estreantes no ‘grid’ em 2024. Entre eles está o ex-vencedor de Grandes Prémio de MotoGP Andrea Iannone  que iluminou as telas de cronometragem em Jerez, mas passou a maior parte de seus dois dias em Portimão para se adaptar à pista, local onde nunca tinha corrido. Todos no pitlane ficaram impressionados com ‘The Maniac’, provando que a sua velocidade e potencial ainda estão lá.

Sam Lowes (ELF Marc VDS)

O ex-craque da Moto2 Sam Lowes também foi rápido, com a nova equipa a estabelecer-se num sólido calendário de testes nas SBK. Lowes esteve entre os dez primeiros durante os testes e com Phillip Island como primeira pista, um território familiar só irá aumentar os seus bons sentimentos iniciais.

Os outros dois estreantes são o campeão do BSB de 2021, Tarran Mackenzie (PETRONAS MIE Racing Honda) e o companheiro de equipe do WorldSSP do ano passado, Adam Norrodin, que sobe com ‘Taz’. Menos testes do que outros e com uma mistura de peças de 2023 e 2024, a Honda 2024 com especificações completas é esperada em Phillip Island.

Outros ‘notáveis’ das SBK

Os outros pilotos das BMW’s, Michael van der Mark (ROKiT BMW Motorrad), Garrett Gerloff (Bonovo Action BMW) e o seu companheiro de equipa Scott Redding também tiveram motivos para sorrir durante a pré-temporada, com a BMW a parecer um dos fabricantes mais fortes após enormes investimentos e desenvolvimentos no projeto WorldSBK. Remy Gardner (GYTR GRT Yamaha WorldSBK Team) também tem sido rápido e competitivo com comprova o seu quarto tempo em Portimão, embora o companheiro de equipa Dominique Aegerter tenha ficado de fora dos testes de Jerez e Portimão devido a doença.

Tempos combinados dos 2 dias de Portimão:

1. Toprak Razgatlioglu (ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team) 1m39,189s – 74 voltas
2. Nicolo Bulega (Aruba.it Racing – Ducati) +0,086s – 61 voltas
3. Alex Lowes (Kawasaki Racing Team WorldSBK) +0,332s – 90 voltas
4. Remy Gardner (GYTR GRT Yamaha WorldSBK Team) +0,377s – 79 voltas
5. Michael van der Mark (ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team) +0,428s – 76 voltas
6. Andrea Locatelli (Pata Prometeon Yamaha) +0,489s – 80 voltas
7. Jonathan Rea (Pata Prometeon Yamaha) +0,496s – 64 voltas
8. Danilo Petrucci (Barni Spark Racing Team) +0,767s – 53 voltas
9. Scott Redding (Bonovo Action BMW) +0,946s – 76 voltas
10 . Garrett Gerloff (Bonovo Action BMW) +0,947s – 59 voltas

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