Dakar 2018: 11 contra 11 e no final ganha a Áustria

Por a 17 Janeiro 2018 10:03

Bem sei que numa prova com as exigências do Dakar tudo pode mudar num ápice, basta olhar para o que aconteceu ontem no ‘terreno’, fazendo jus à velha premissa futeboleira do que hoje é verdade amanhã pode ser mentira.

Apesar de todos estes dogmas não é menos verdade que nos últimos largos anos, leia-se 16 e quem sabe talvez 17, na categoria moto existe um dominador comum: KTM. Falamos de uma atracção fatal entre o Dakar e a KTM, que acaba sempre por ter, para a cor laranja, um final feliz no encerrar da competição.

Parece que no início de cada ano civil assistimos à pura e dura demonstração da famosa teoria das espécies, onde como todos sabemos apenas aquelas que melhor adaptam-se ao meio ambiente conseguem a sua sobrevivência. E é precisamente isso que a KTM vai fazendo de forma exímia. Em cada ano o Dakar tem as suas armadilhas e toda uma envolvente que faz parte da competição, mas no final a corrida faz a sua própria selecção e traz ao de cima sempre uma moto construída em Mattighofen. Se o futebol é um jogo de 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha aqui no Dakar ganha a KTM ou no caso particular desta edição pode estender-se a ideia à Áustria como veremos mais à frente.

Tal como em 2017 a KTM perdeu na quarta etapa do Dakar o vencedor da última edição, no caso Sam Sunderland. Situação que aliada à forte pressão da Honda e Yamaha fez nos pensar que talvez este ano é que o cântaro ia ficar na fonte, apesar da estrutura contar ainda nas suas fileiras com duas trutas (Toby Price e Matthias Walkner) e uma raia mais ‘verde’ (Antoine Méo), mas que tem o seu indiscutível valor.

À semelhança de 2017 e outros tantos anos mais uma vez os sinais da morte da KTM parecem ter sido manifestamente exagerados. Para além das cinco vitórias em tiradas, até ao momento, quando já foram disputadas 10 (nove se não contarmos com a que foi anulada), ontem numa daquelas etapas que será recordada por muitos e bons anos a KTM sobreviveu, através de Matthias Walkner, a um erro de navegação que tomou grandes proporções e posicionou-se, como quem não quer a coisa, de caras para a 17ª vitória consecutiva no Dakar.

Sorte podem dizer uns (acidente de Adrien Van Beveren à cabeça) ou excesso de opções dizem outros, mas a verdade é que a rival Honda também tinha dois pilotos (Joan Barreda Bort e Kevin Benavides) em posição privilegiada e  mais uma vez claudicou quando não podia.

Caso Walkner vença, no próximo sábado o Dakar, aos comandos da nova 450 Rally, esta conquista ganhará ainda maior relevo, pois trata-se de um piloto austríaco, no lugar mais alto do pódio, aos comandos de uma moto da mesma nação. Facto que para a Áustria será inédito na história do mais duro evento de todo-o-terreno do mundo.

Ainda dizem que não existem finais felizes!

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Em 94 quase aconteceu, um padeiro chamado Heinz Kinigadner chegou em primeiro, mas parece que havia fermento a mais na massa, e foi desclassificado. Já agora, e para quem não sabe, foi Kinigadner que farto de ser campeão no motocross, convenceu a KTM a ir para o Dakar.

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