Ensaio: MV Agusta Turismo Veloce “ Performance e Versatilidade ”

Por a 16 Fevereiro 2017 12:41

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Ensaio realizado por: Pedro Rocha dos Santos

Para quem está a habituado a relacionar a marca MV Agusta com motos hiper desportivas, dotadas de um carácter exclusivo e destinadas a um target muito específico de mercado, pode-se surpreender ao conhecer a Turismo Veloce.

A marca italiana está definitivamente decidida a alargar a sua gama de motos e a competir noutros sectores de mercado, tirando partido de todo o conhecimento e know-how que tem vindo a desenvolver nas suas motos superdesportivas mais conhecidas e das parcerias de desenvolvimento que entretanto tem vindo a realizar, sobretudo com a AMG.

Para o departamento técnico e de design da MV conceber a Turismo Veloce foi todo um desafio, pois características como conforto, transporte de bagagem, fiabilidade e assistências alargadas com consumos ponderados, nunca tinham sido antes considerados como prioridade. No entanto a Turismo Veloce foi meticulosamente pensada e desenvolvida ao longo de quase dois anos e o resultado final é algo de surpreendente a todos os níveis. Uma estética arrebatadora, um motor de enorme sofisticação tecnológica já sobejamente testado noutros modelos, uma electrónica completíssima derivada das motos de competição e, pasmem-se, um conforto e uma posição de condução absolutamente irrepreensíveis, algo pouco usual numa MV.

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Tudo na Turismo Veloce está desenhado ao pormenor, não fosse uma MV e pormenores que a distinguem e caracterizam as suas linhas agressivas não faltam. Sobretudo a traseira é realmente de um assombro estético. Talvez ligeiramente penalizada pelo aspecto algo volumoso da cobertura dos já característicos 3 escapes da MV. A combinação cromática do modelo que nos foi cedido pelo importador, a IMEX Moto, não poderia estar mais bem conseguida, a combinar os tons discretos de cinzento com a agressividade do quadro em treliça vermelho vivo.

Test Drive

Assim que rodamos a chave da ignição a Turismo Veloce brinda-nos com um écran digital onde se destaca de início o logotipo da MV e de seguida um running check automático de todos os circuitos electrónicos da Veloce, realidade que aparece de forma evidente num “screen” que nos mostra o desenho da moto e a mensagem “Check” a confirmar que tudo está pronto para arrancarmos o fabuloso motor 800 de agora intencionalmente limitado para os 110 cv.

Levamos algum tempo a perceber para que é que servem todos os botões nos comandos da Veloce, desde os mais evidentes aos que comandam a electrónica que monta esta MV e que nos oferece um quantidade de possibilidades.

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No écran digital aparece uma enorme quantidade de informação pelo que ao princípio sentimo-nos algo perdidos, embora aquela que é mais necessária esteja mais evidente… rotações, nível de combustível, conta Kms, modo electrónico selecionado ( estava em Sport e ainda bem ) ABS, Control de Tração e “Cruise Control”… com limitador de velocidade máxima, muito útil tendo em conta a quantidade de radares que nos rodeiam hoje em dia. Aqui obviamente recomenda-se perder algum tempo com o manual e perceber exactamente todo o potencial de configuração da electrónica da Turismo Veloce para que depois a sua leitura possa ser mais rápida e evidente no mostrador digital que, para além de todas as funções inerentes ao setup electrónico da moto, tem ainda a possibilidade de regular a sua intensidade luminosa, muito útil sobretudo em dias de sol intenso.

Mas a Turismo Veloce inclui ainda a possibilidade de ligação via bluetooth do nosso telemóvel e poder visualizar no écran as chamadas. Mais, a função cruise control, muito comum nos carros, está também incluída na Veloce. E tudo isto facilmente selecionável a partir de um simples botão de comando situado no punho esquerdo.

A MV Agusta usufrui de todo um desenvolvimento levado a cabo pela AMG, ao nível da electrónica, desde que passou a ser acionista maioritária, sendo esta uma combinação que promete em termos de desenvolvimento futuro.

Mas a eventual apreensão inicial em relação à aparente dificuldade de leitura de toda a informação que a Veloce disponibiliza, imediatamente se transforma em puro prazer quando premimos o botão do motor de arranque e ouvimos o tão característico cantar do 3 cilindros da MV… após uns momentos de pura inspiração e entusiasmo que o som das suaves acelerações que imprimimos na Veloce nos brinda, ainda com ela parada, arrancamos decididos com a certeza que vamos num puro sangue italiano, repleto de tecnologia de ponta e com um motor e uma ciclística capazes de envergonhar muitas supersport do mercado.

Nada mais certo e apesar de termos o modo Sport selecionado a Turismo Veloce arrancou com uma enorme suavidade logo de seguida brindando-nos com toda a sua alma desportiva na segurança de uma posição mais confortável e de maior visibilidade dada a maior altura a que conduzimos esta também “Veloce” MV.

O Motor

O tri-cilíndrico de 798cc da turismo Veloce é o já famoso motor que monta a F3 e outros modelos da MV mas com a potência limitada a 110 cv, com menos torque que o motor da Brutale mas mesmo assim com potência suficiente para, conjuntamente com a electrónica, podermos dotar a Veloce de múltiplas personalidades. O modo “Sport” pode ser algo brusco mas para quem gosta de resposta rápida no punho de acelerador é o ideal. No entanto se passarmos para modo “Touring” a resposta passa a ser mais suave e a condução da Veloce mais tranquila, ideal para o dia a dia, sobretudo em circuito urbano e, embora a sua potência passe a ser apenas de 90 cv, é mais do que suficiente para uma utilização diária. A grande vantagem é precisamente essa, o de adaptarmos a Veloce à utilização que em qualquer momento lhe pretendemos dar.

A transformação do motor para se obter um regime mais linear na distribuição de potência foi feita através da adopção de novas árvores de cames, pistons diferentes e uma admissão e escape modificados. No entanto a potência e o torque estão sempre presentes a baixa rotação sendo que a sua linha se mantém mais homogénea e linear na subida de rotação do que por exemplo na Brutale.

A embraiagem hidraulica no seu acionamento e deslizante, que no caso da Veloce é mecânica e não eléctrica como na Stradale, e a caixa de 6 velocidades com “quickshift” nos dois sentidos, funcionam na perfeição. Pequeno pormenor o de por vezes ficar com o dedo mindinho entalado entre a manete e a proteção de mãos no guiador, mas isso é pormenor que evita com a habituação.

Em termos de electrónica a Turtismo Veloce inclui, como todas as outras MVs, o que existe de mais sofisticado no mercado. O “ride by wire” permite 3 modos diferentes de gestão, Sport, Touring e Rain, assim como também permite a sua total personalização. Inclui também a possibilidade de ajustar em dois níveis distintos o torque, o travão de motor, a sua resposta e obviamente o controle de tração ( este com oito níveis ). Para além do já referido permite ainda limitar as rotações máximas assim como a velocidade.

Adaptação e condução

A MV Agusta Turismo Veloce ao contrário da maioria das suas rivais Adventure Tourers, muito mais pesadas e potentes, optou por se afirmar pela sua ligeireza, pela sua relação peso potência ao nível da concorrência “heavy weight” e por tirar partido de uma ciclística exemplar e uma motorização vibrante. Tudo envolto numa “roupagem” de altísssimo estilo italiano.

Embora com rodas 17” a Turismo Veloce é uma mota alta mas, ao ser estreita no banco junto ao depósito, os pés acabam por chegar ao chão com facilidade. A MV decidiu montar na Turismo Veloce os pneus Pirelli Scorpion, de utilização mixta, Touring e OffRoad que têm um comportamento muito aceitável em estrada , mesmo em alta velocidade, curvando como uma desportiva, sobretudo em estradas com muitas curvas encadeadas, onde se sente perfeitamente á vontade face a outras opções mais pesadas, e que oferecendo um grip extra tanto fora de estrada como também em molhado. Parece-me por isso uma opção acertada pois com esta MV “the sky is really the limit” ou seja, a única coisa que não faz é mesmo voar…

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Na Veloce tudo parece fácil e há sempre motor para todas as situações. Ao nível das suspensões houve a preocupação de dotar a Veloce com maior conforto, com Marzochis na frente e amortecedor Sachs totalmente ajustável atrás. Existe de facto um conforto extra na Veloce que não se verifica nas suas irmãs mais estradistas, Brutale e Stradale. O banco triangular parece estar ergonómicamente desenhado tal é o conforto que oferece. O pendura tem também um espaço considerável e umas pegas laterais perfeitamente integradas no design da moto. E o corpo agradece, sobretudo se escolhermos a Turismo Veloce como a nossa moto do dia a dia. Essa é uma decisão que não nos custa nada tomar pois esta MV está repleta de atributos e qualidades …uma moto perfeita, cheia de carisma e tecnológicamente avançada, que não deixa ninguém indiferente perante a sua presença esbelta e uma traseira de linhas sensuais com uma conjugação de elementos realizada na perfeição, … uma italiana bela, irresistível e sobretudo “Veloce”.

Para primeira incursão da MV no competitivo mundo das Sport Tourers, que hoje em dia se expressam mais no conceito Adventure, pode afirmar-se, com tranquilidade e certeza, que a MV com a Turismo Veloce se afirma no mercado como uma referência incontornável…

Qualidade

A MV Turismo Veloce respira qualidade e perfeição. Todos os pormenores estão desenhados com rigor e genialidade como só os italianos sabem fazer. A qualidade MV está patente em todos os seus elementos, nos seus acabamentos e conjugação de materiais, cores e texturas. As várias opções cromáticas são discretas mas bem conseguidas e vão do cinza ao vermelho e negro também.

Existem 3 modelos que se distinguem precisamente pelo nível de acabamentos e opções que montam sendo que a mais sofisticada, a Turismo Veloce versão Lusso, que em relação à versão base monta descanso central, punhos aquecidos, sensor de GPS integrado, suspensão semi activa e malas laterais de 30 litros onde cabe perfeitamente um capacete integral. Para além destes 3 modelos existe também uma versão especial, a Turismo Veloce RC, decorada com as cores das superbikes da MV que disputam o Campeonato do Mundo, a nossa preferida claro.

Características (* )

Tipo de motor – 3 cilindros em linha, 4 tempos, 12 válvulas

Cilindrada – 798cc

Bore Stroke – 79 mm / 54,3mm

Compressão – 12,2:1

Potência máxima CE – 110 CV (81 kW) @ 10.150 rpm

Binário máximo CE – 80 Nm @ 7.100 rpm

Sistema alimentação – Injecção electrónica MVICS Motor & Vehicle Integrated Control System com 3 injectores, 3 modos

Escape – 3 em 1, 3 ponteiras

Transmissão Final – Por corrente

Embraiagem – Hidraulica, multidisco e deslizante

Caixa de velocidades – 6-velocidades com QuickShifter up and down

Quadro – Treliça e Aluminio berço duplo

Braço oscilante – Treliça tubular em aço ALS e liga de alumínio

Roda dianteira – Liga de alumínio fundido multi-raios 17 x 3.5 in

Roda traseira – Liga de alumínio fundido multi-raios 17 x 6.0 in

Pneu dianteiro – 120/70 ZR17

Pneu traseiro – 190/55 ZR17

Suspensão dianteira – Marzocchi 43 mm upside down com ajuste de compressão, em pré-carga e hidraulico, curso de 160 mm

Suspensão traseira – Sachs Monoshock com ajuste de pré-carga e hidraulico, 165 mm de curso da roda traseira

Travão dianteiro – Duplo disco de 320 mm, Brembo radiais de 4 pistons de 32mm

Travão traseiro – Único disco de 220 mm disc, Brembo 2-pistons de 34mm

Painel de instrumentos e funções – LCD multi-funcional com velocímetro digital, e modos de aceleração, controle de tracção, computador de bordo, tacómetro, luz de reserva de gasolina, cruise control, ABS com interruptores de controle nos punhos.

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Dados Gerais

Comprimento total – 2125 mm

Largura (sem espelhos) – 910 mm

Altura do banco – 850 mm

Distância entre eixos – 1445 mm

Distancia ao solo – 140 mm

Altura – N.D. mm

Peso en seco – 191 Kg

Preço – 15.990,00 € ( modelo MY 16 )

(*) informação do representante

MODELOS

 

 

TURISMO VELOCE 800 RC

TURISMO VELOCE 800 RC

 

Concorrência

No segmento das Sport Touring existem modelos que, pelas suas semelhanças técnicas, são concorrentes directas da MV Agusta Turismo Veloce, a Triumph Sport 1050 e a nova Ducati Multistrada 950. No entanto no mesmo segmento existe uma japonesa, a Yamaha Tracer 900, cujo preço é de facto um aliciante tendo em conta as suas características.

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Triumph Sport 1050

Potência 115 CV

Peso 198 Kg

Preço 13.600

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Ducati Multistrada 950

Potência 113 CV

Peso 227 Kg

Preço 13.499

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Yamaha Tracer 900

Potência 115 CV

Peso 188 Kg

Preço 9.295

 

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