Senhoras na MotoGP: Eve Scheer

Por a 9 Junho 2021 17:30

Trabalhando no desporto automóvel há mais de 20 anos, Eve Scheer fala sobre a evolução do desporto e partilha algumas das suas próprias experiências

“É preciso estar bem preparada para trabalhar no mundo dos homens”

Eve Scheer

O desporto automóvel que Eve Scheer experimentou no final dos anos 90 e no início do novo milénio foi um mundo de homens, mas se hoje há mulheres envolvidas em diferentes papéis é graças a pioneiras que, como ela, mostraram que a paixão não faz distinções de género.

Tudo começou em Monza, 1989, quando Eva tinha 12 anos de idade e, juntamente com o seu pai, foi assistir ao Grande Prémio de Fórmula 1:

“Na pista, estavam Alain Prost, Ayrton Senna e outros pilotos lendários. A partir desse momento, eu queria ser piloto de corridas”, diz a apresentadora da ServusTV, que transmite o Campeonato do Mundo MotoGP na Áustria, Alemanha e Suíça.

O plano de se tornar um piloto de corridas profissional não se tornou realidade durante a sua adolescência, por isso Eve continuou os seus estudos e aos 20 anos conseguiu um papel de protagonista numa popular série televisiva alemã:

“Durante dois anos e meio fui atriz e não me foi permitido treinar com carros de corrida, em parte para evitar possíveis lesões e em parte devido ao tempo limitado disponível”, explica ela. “Mas eu queria viver no mundo das corridas de automóveis. Trabalhar como atriz deu-me a oportunidade de participar em eventos exclusivos e desfrutar de experiências fantásticas, mas não era o que eu queria, por isso optei por desistir daquele emprego seguro para me dedicar à minha paixão, sem garantias”.

Com a sua licença no bolso, Eve fez a sua estreia como piloto de corridas em 2002. “Comecei a correr e um dia a Alfa Romeo chamou-me para um teste. Gostaram do meu profissionalismo e da minha paixão, por isso sugeriram-me que fizéssemos toda a temporada juntos. Foi fantástico”!

Eve acabou por correr muitos anos em várias séries como a Alfa 147 Cup, Porsche Sports Cup, VW Scirocco Cup e como destaque, fez 3 vezes a prestigiada corrida das 24 Horas de Nürburging.

A sua experiência no mundo da televisão abriu-lhe uma nova oportunidade:

“Muitas empresas começaram a propor-me para apresentar eventos, tais como lançamentos de equipas, novos modelos de carros, ou mesmo para fazer entrevistas ou reportagens durante eventos internacionais, onde por vezes eu também estava envolvida como piloto”.

“Muitas vezes estava no carro com o operador de câmara ao meu lado apenas minutos antes do início da qualificação ou de uma corrida e, com o microfone na mão, explicava o que tinha acontecido até esse momento e apresentava a sessão seguinte. Depois o operador de câmara saltava do carro, e era altura de me concentrar nas corridas”

Durante esses anos, apresentou eventos icónicos de quatro rodas, tais como as corridas de 24 horas em Nürburgring e Le Mans.

“No início dos anos 2000 não havia muitas mulheres tão interessadas no desporto automóvel como eu. É ainda um mundo de homens, e naqueles tempos tive muitas vezes a impressão de estar constantemente a ser testada e desafiada. Por isso sempre tive de estar muito melhor preparada do que os meus colegas homens, tinha de provar que merecia o trabalho por causa do meu conhecimento e competência”, acrescenta ela. “O facto de ter sido piloto de corridas foi mais uma demonstração da minha enorme paixão pelo desporto automóvel, e penso que de certa forma me deu uma boa reputação e apoio logo desde o início”.

Quando não conseguia encontrar os detalhes de que precisava em revistas ou livros, encontrava sempre apoio nos seus colegas: “A forma como uma pessoa se apresenta é muito importante. Ser educada e respeitosa permitiu-me integrar-me nesta cena e criar uma grande rede de contactos constituída por pessoas que, quando precisei de lhes pedir informações, nunca recusaram. É claro que há reciprocidade, trata-se de dar e receber. Penso que as relações são muito importantes, assim como a disponibilidade e o profissionalismo”.

Foi graças à sua rede de contactos que Eva foi confrontada com um novo desafio em 2018: “Recebi uma mensagem do Alex Hofmann, um dos peritos de MotoGP da ServusTV, a dizer-me que estavam à procura de outro apresentador para além de Andrea Schlager. Senti-me honrada porque sempre tinha sido apaixonada por motos, mas nunca tinha comentado corridas de duas rodas”.

“Mas uma vez chegada ao paddock, o primeiro impacto foi fantástico! E fiquei surpreendida ao ver tantas mulheres em papéis tão diferentes. Todos foram imediatamente acolhedores e prestativos. Lembro-me de pensar: “Não é apenas um espectáculo, é uma família”.

Apesar das suas muitas experiências, o desejo de competir não a deixou, por isso, além de viajar para relatar as corridas da MotoGP, Eve também está envolvida em corridas de automóveis clássicos:

“Corro num BMW 2002 grupo 2 dos anos 60… É uma grande diversão e uma espécie de “regresso às raízes! E o que também é óptimo é que a ServusTV permite-me ter toda esta diversão como condutor activo, para além do meu trabalho na televisão”.

Desde 2018 Eve tem vindo a competir novamente, encontrando inspiração e apoio do seu marido, Frank Stippler, piloto profissional da AUDI:

“Nunca tive realmente nenhum ídolo, mas tenho a sorte de ter o meu marido a apoiar-me, o que é muito importante para mim. Por vezes penso que ele acredita mais em mim do que eu própria”.

Sendo uma referência no desporto automóvel, Eve recebe frequentemente mensagens ou é convidada a participar em eventos, principalmente online no último ano, onde muitas raparigas pedem conselhos e sugestões: “Estou espantada com a preparação que as raparigas de 13 ou 14 anos têm hoje. Elas já sabem que papel querem desempenhar e como se movimentar, são uma fonte de inspiração e motivação”.

Quando se aproxima o seu Grande Prémio de casa, o Grande Prémio Liqui Moly da Alemanha, de 18 a 20 de Junho, Eve está pronta a agarrar o microfone para relatar outro evento de MotoGP para a ServusTV.

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