TT: Reunião sobre segurança entre a FIM, ASO, Equipas e Pilotos

Por a 5 Março 2020 18:31

FIM reuniu ASO, Equipas e Pilotos em Lisboa para discutir a segurança nos rali-raids em geral, Dakar em particular. O anfitrião foi o presidente da Federação Internacional de Motociclismo, o português Jorge Viegas, a seu lado teve diretor de desporto da FIM, Jean-Paul Gombeaud, bem como o Diretor da CRT, Jean-François Wulveryck, José Rita (CRT), Coordenador CTI, Dominique Hebrard; Diretor do Dakar (ASO), David Castera; Relações com os concorrentes da ASO (Técnica), Charles Cuypers; Técnico Dakar (ASO), Thierry Viardot; Honda Team Manager, Rúben Faria; Honda Team Manager, Hélder Rodrigues, Yamaha Team Manager, Alexandre Kowalski; Yamaha Team Manager, José Leloir; Piloto Yamaha, Adrien Van Beveren; KTM Team Manager, Jordi Viladoms; Técnica KTM-HVA, Stefan Huber; Heinz Kinigadner (KTM); Piloto KTM, Sam Sunderland, HT Rally Raid Team Manager, Henk Hellegers; Wolfgang Fischer (Hero).

O principal objetivo passou pela discussão da segurança dos pilotos, e muito naturalmente a maior preocupação foi o Dakar e nem sequer é preciso explicar porquê. Todos nos lembramos de terem perdido a vida dois pilotos nesta última edição da prova, um deles o ‘nosso’ Paulo Gonçalves.

Foram identificados alguns fatores que elevam risco de acidentes durante as provas, como por exemplo a fadiga; desidratação; velocidade e crescente confiança. Calor excessivo, erros de navegação, distração, percurso/visibilidade limitada dos obstáculos e por fim a precisão do Road Book.
Recorda-se das palavras de Mário Patrão em entrevista recente que publicámos no AutoSport? “Nós confiamos 100% em quem faz o roadbook, mas para terem uma ideia, acontecem muitos acidentes. Para dar um exemplo mais prático, fácil das pessoas perceberem: descer estas escadas aqui é um perigo dois, e subir é um perigo dois, isto a 150 km/h. Para quem entende de motas, isto não é assim. O perigo dois, eu posso descer a 150 km/h e não me acontece nada, e se fizer aquilo a 120 km/h a subir vou ter um problema gravíssimo. Mas, para a pessoa que está a marcar é igual, mas não deve ser igual. Eles devem ter mais cuidado com isso. Alguém tem de dizer que aquilo não é igual. Para um carro não sei, mas para uma mota não é”.

Foi precisamente por situações destas que existiram agora discussões construtivas entre as partes, para as quais foram apresentadas várias propostas, que são:

Percurso: No futuro, todos os percursos dos eventos do campeonato da FIM serão elaborados com a colaboração de um ex-motociclista.

Road Book: Será nomeada uma equipa de “inspetores de percurso” para desenvolver o Road Book para que todos os pilotos/equipas tenham o mesmo nível de informação e uma interpretação mais verdadeira do nível real de dificuldade do percurso.

Redução de velocidade: Maior variação dos estilos para obter velocidades médias mais baixas.

Restritores de entrada de ar – a instalação dos restritores de entrada de ar – conforme a FIM 300 WSBK – para reduzir a potência do motor e também a velocidade. Um período de teste será realizado até junho.

Equipamento de proteção para motociclistas: adoção airbags o mais rápido possível. Reunião iminente planeada com fabricantes relevantes a fim de se implementar esta ação em 2021, sendo que em 2020 será trabalhado o seu desenvolvimento.

Navegação: Uma nova torre de instrumentos está a ser desenvolvida com mais sinais visuais e de áudio e mais compacta / menos invasiva para evitar ferimentos.

Satisfeito com o progresso resultante da reunião, Jorge Viegas mostrou-se: “satisfeito, foi uma reunião muito construtiva, que surge na tentativa de reduzir o número de acidentes nas provas de todo o terrreno, o que é uma prioridade para a FIM, especialmente no Dakar. Testaremos as soluções apresentadas no início desta temporada e planearemos no final da temporada para ajustar detalhes conforme necessário. A participação da ASO, KTM, Husqvarna, Hero, Honda, Yamaha e também dos pilotos Sam Sunderland e Adrien Van Beveren permitiu-nos trabalhar de mãos dadas para enfrentar este desafio e garantir a sustentabilidade deste campeonato espetacular e único.”

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