MotoGP, história: Os anos de Kenny Roberts, Parte 4

Por a 23 Março 2020 16:00

Roberts continuou a participar em eventos selecionados em 1984. Em Março, enfrentou Spencer para conquistar a sua segunda vitória consecutiva na Daytona 200, terceira o total. Em Julho, Roberts venceu a primeira etapa da Laguna Seca 200, depois terminou em segundo atrás de Randy Mamola na segunda manga, e Mamola foi declarado o vencedor com base em tempos agregados. Em Setembro de 1985, apareceu na corrida de Springfield Mile Grand National montando uma Harley-Davidson XR750, mas não conseguiu chegar à final.

Em Julho de 1985, Roberts conquistou a pole position na prestigiada corrida de resistência das 8 Horas de Suzuka. A fazer equipa com Tadahiko Taira, a dupla liderava a corrida até à última hora, quando problemas mecânicos os fizeram cair para o 17º lugar. Roberts voltou a competir nas 8 Horas de Suzuka de 1986, desta vez juntando-se ao americano Mike Baldwin. Ficou em segundo lugar atrás de Wayne Gardner, mas não terminou a corrida.

Estatísticas de carreira

Numa carreira profissional de 13 anos, Roberts venceu dois Grandes Campeonatos Nacionais incluindo 32 Grand Nationals e três Campeonatos Mudiais de 500 cc, incluindo 24 Grandes Prémios. Foi tricampeão tanto da Daytona 200 como da Imola 200, e foi seis vezes vencedor das Laguna Seca 200. Foi o segundo piloto da AMA depois de Dick Mann a conseguir o Grand Slam de vencer as cinco provas do Grand National Championship.

Após o fim da sua carreira no Grande Prémio em 1983, Roberts considerou brevemente uma carreira de automobilismo antes de decidir formar uma equipa de Grandes Prémios. Em 1984, entrou para o campeonato mundial de 250 cc com os pilotos Wayne Rainey e Alan Carter usando motos Yamaha.

Em 1986 subiu ao campeonato mundial de 500 cc com os pilotos Randy Mamola e Mike Baldwin. Depois de regressar aos Estados Unidos para competir no campeonato AMA Superbike, Wayne Rainey voltou a juntar-se à equipa em 1988, terminando em terceiro lugar na sua temporada inaugural de 500 cc, melhorando para o segundo lugar atrás de Eddie Lawson em 1989.

Em 1990, Roberts garantiu o apoio financeiro da empresa de cigarros Marlboro, e a sua equipa tornou-se a equipa oficial da Yamaha. Rainey e John Kocinski venceram os campeonatos mundiais de 500 cc e 250 cc em 1990, tornando Roberts o mais bem-sucedido team manager em corridas de Grande Prémio na época. Rainey ganhou três campeonatos mundiais consecutivos de 500 cc para a equipa de Roberts. Depois de Rainey ter ficado paralisado numa queda no Grande Prémio de Itália de 1993, o Team Roberts continuou a correr com Luca Cadalora como seu piloto principal, mas lutou com dificuldades durante um período dominado pela Honda e por Mick Doohan.

Em 1997, Roberts atordoou o mundo das corridas quando deixou a Yamaha depois de mais de 25 anos para iniciar a sua própria empresa e marca de motos de GP. Roberts cansou-se de lutar pela direção que sentia que a equipa da Yamaha precisava de seguir e baseou a sua nova empresa em Inglaterra para tirar partido da indústria de Fórmula 1.

Adquirindo as instalações da extinta Arrows, Roberts construiu um motor de três cilindros a dois tempos com a ajuda de Tom Walkinshaw, decidindo tirar partido das regras que permitiam pesos inferiores para motores de três cilindros depois de observar a agilidade e a vantagem de manuseamento da Honda NS500 de Spencer durante a temporada de 1983. Infelizmente, quando a mota ficou desenvolvida, a tecnologia de pneus tinha melhorado ao ponto de qualquer vantagem sobre as motos de quatro cilindros ter desaparecido. A moto ainda conseguiu conquistar a pole com o piloto irlandês Jeremy McWilliams a assumir a posição de melhor classificação no Grande Prémio da Austrália de 2002 contra a nova categoria de MotoGP de 990 cc a quatro tempo.

Com a introdução da classe de MotoGP em 2002, a equipa de Roberts desenvolveu uma moto de cinco cilindros chamada KR5. A equipa foi originalmente bem financiada pela Proton da Malásia, mas em meados da temporada de 2004, tornou-se evidente que a equipa Roberts não era capaz de fazer um motor capaz de competir com as fábricas japonesas dominantes. Roberts recorreu à fábrica da KTM para fornecer motores para a temporada de 2005, no entanto, após dez corridas, a KTM retirou abruptamente o seu apoio na véspera do Grande Prémio da República Checa, forçando a equipa a perder várias corridas.

A Honda interveio para ajudar a equipa de Roberts na temporada de 2006, fornecendo motores de cinco cilindros, como o filho de Roberts, Kenny Roberts Jr., a pilotar a KR211V para o Team Roberts para sexto lugar no campeonato, incluindo dois resultados do pódio. A temporada de 2007 assistiu à introdução de uma nova fórmula de motor MotoGP utilizando motores de 4 tempo menores de 800 cc. Roberts voltaria a assegurar motores da Honda para a KR212V do Team Roberts, mas os resultados não foram os esperados, e o financiamento para a equipa desvaneceu-se. Após a temporada de 2007, Roberts retirou-se da competição de MotoGP devido à falta de patrocínios.

O estilo de condução de Roberts em que forçava a roda traseira da moto a quebrar a tração para fazer as curvas, essencialmente pliotando em superfícies de asfalto como se fossem pistas de terra, mudou a forma como as motos do Grande Prémio eram pilotadas. De 1983 a 1999, todos os campeonatos mundiais de 500 cc foram ganhos por pilotos com origem no todo-terreno como Roberts.

O estilo de curvar de Roberts de pendurar-se fora da moto com o joelho estendido obrigou-o a usar fita adesiva como joelheiras, e eventualmente levou à introdução dos sabonetes usados por todos os pilotos de velocidade hoje. As suas batalhas com as organizações dos Grandes Prémios acabaram por levar à adoção de normas de segurança mais rigorosas para os organizadores de corridas do Grande Prémio. Foi um dos primeiros pilotos a desafiar a FIM pela forma como tratavam os concorrentes e ajudou a melhorar os prémios monetários, bem como a profissionalizar a modalidade. Só quando Roberts planeou a sua série de corridas rival em 1980 é que a FIM foi forçada mudar a forma prepotente como lidavam com os pilotos.

Ao longo da sua carreira, Roberts foi um forte defensor de elevar a imagem da moto entre o público em geral. Durante a sua carreira de pilotagem, fez questão de regressar aos Estados Unidos durante a pausa de meio da temporada no calendário do Grande Prémio para correr no Laguna Seca 200 como forma de aumentar o perfil da prova para que este ganhasse o estatuto de Grande Prémio.

A corrida acabou por atingir o estatuto de Grande Prémio em 1988 e, em 1993, Roberts assumiu o papel de promotor, fornecendo apoio financeiro para o Grande Prémio dos Estados Unidos de 1993. Na década de 1990, quando as corridas de Grande Prémio enfrentaram uma diminuição do número de concorrentes devido ao aumento dos custos, Roberts pressionou a Yamaha a fornecer motores a equipas privadas para reforçar o número de pilotos, dando origem às Harris e ROC 500.

O seu filho mais velho, Kenny Roberts Jr., venceu o Campeonato do Mundo 500 cc em 2000, tornando-se o único duo de pai e filho a ganhar o título. Ironicamente, Roberts afirmou que teria preferido permanecer nos Estados Unidos para competir se a Yamaha ou outro fabricante tivesse sido capaz de construir uma moto de Dirt Track capaz de competir com a Harley-Davidson…

 

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