MotoGP, 2020: Hervé Poncharal, surpreendido pelas vitórias de Oliveira?

Por a 21 Dezembro 2020 15:00

Antes da época de 2020, Miguel Oliveira não estava muito cotado no Mundial de MotoGP, uma vez que conseguiu apenas um resultado entre os dez primeiros em 2019. Mas o líder da equipa Tech3, Poncharal, adivinhou o que ainda estava para vir no piloto português

“não gosto de fazer previsões ousadas antes da época. Prefiro deixar as ações em pista falarem por si!”
Hervé Poncharal

A equipa francesa da KTM Red Bull Tech3 de Hervé Poncharal venceu duas corridas da classe rainha em 2020, pela primeira vez em 20 anos de corridas, com Miguel Oliveira.

Mas agora o português muda-se para a KTM Red Bull Factory Team, onde se vai encontrar com o seu antigo companheiro de equipa de Moto3 e Moto2, Brad Binder.
Na segunda época com a fábrica austríaca, a equipa Tech3 superou todas as expectativas.

Oliveira melhorou do 17º para o 9º lugar com a KTM RC16 na tabela do Campeonato do Mundo em comparação com 2019, quando obteve 33 pontos em 17 corridas, contra 125 pontos em 14 corridas esta temporada como nono no Campeonato do Mundo.
O bem-sucedido dono da equipa, Hervé Poncharal, enviou a sua equipa de férias durante duas semanas, na sexta-feira e falou sobre a época que passou:
“Quando falámos sobre as hipóteses do Miguel na primavera passada, só podíamos ter em conta os resultados de 2019 e os testes de inverno… Afinal, ficou a apenas 14 pontos do terceiro lugar do Campeonato do Mundo!”
“Claro, todos os pilotos cometeram erros e perderam pontos em algum lugar. Mas, pelo seu desempenho, Miguel teve a oportunidade de ficar ainda mais alto no Mundial.”


“Os testes de inverno em Valência e Jerez em Novembro de 2019 e depois em Sepang e Doha já 2020, mostraram que fizemos progressos.”

Mas os resultados dos testes nem sempre são muito significativos, porque alguns arriscam muito, outros menos, outros apenas testam material novo, e alguns só conseguem uma volta rápida porque aqueceram um pneu macio. Outros pilotos preferem trabalhar no ritmo da corrida por três dias.
Assim, é sempre difícil tirar conclusões dos testes de inverno e estabelecer uma hierarquia para a próxima temporada, mas depois Hervé estava entusiasmado com as primeiras corridas em Julho:
“Só na competição é que a verdade sobre o equilíbrio de poderes vem à luz. Não se pode dizer nada antes.”
“Além disso, não gosto de fazer previsões ousadas antes da época. Prefiro deixar as ações em pista falarem por si!”
“A galinha só canta depois do ovo posto!”
É por isso que na Primavera estabeleci o top 10 como um alvo razoável para o início da temporada.”
“Afinal, sabíamos que o Miguel teve o mesmo material que Pol Espargaró pela primeira vez em Spielberg em 2019. Logo aí, terminou em 8º lugar no GP da Áustria e salvou a honra da Red Bull e da KTM.”


Depois veio o GP de Silverstone, quando Oliveira foi abalroado por Zarco e sofreu de uma lesão no ombro durante o resto da temporada:
“No momento em que o Miguel foi tocado pelo Zarco em Inglaterra, não achámos que fosse uma lesão grave, mas descobriu-se depois que o Miguel foi severamente prejudicado. Não podia andar tão rápido como antes. Depois, novo acidente aconteceu no TL4, na Austrália, quando foi cuspido da mota por causa da tempestade e o ombro voltou a ficar danificado.”
Falámos sobre fazer uma cirurgia antes, mas o Miguel queria deixar passar a temporada e correr mais corridas. Só que eu via a cara dele na boxe, a contorcer-se com dores, via que estava com problemas em pista enquanto conduzia. Estava transformado!”
“Na vida normal, o ombro quase não o incomodava. Mas na moto, a 350 km/h não se pode facilitar. O Miguel mal conseguia controlar a moto.”
“Sentia imensas dores ao travar e virar para a direita. Foi por isso que o Miguel terminou a temporada mais cedo, depois do TL1 em Sepang e foi operado ao ombro.”
“Basicamente, pode dizer-se que, para o Miguel, a temporada de 2019 acabou depois do GP de Spielberg. Esperávamos então que a lesão no ombro estivesse devidamente curada no início da temporada de 2020. Felizmente, foi esse o caso!”

Com duas vitórias para a Tech3 em 2020, Miguel ajudou a escrever a página mais gloriosa das duas décadas da formação francesa em MotoGP. Até agora.

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