O que vemos durante um fim de semana de corridas do WorldSBK é apenas a ponta do iceberg. Por trás, existe uma enorme engrenagem onde todas as peças têm de funcionar em perfeita sintonia para que o campeonato avance. Gregorio Lavilla, responsável máximo pelo Campeonato do Mundo de Superbikes, concedeu uma entrevista interessante onde revelou os bastidores da competição ao site https://www.motosan.es.
O Superbike pode ser descrito como um campeonato “camaleónico”, não?
«Sim, essa é uma boa expressão. Adaptamo-nos ao meio. E qual é o meio? É aquilo que a sociedade pede, o que os fãs pedem, o que os fabricantes exigem e também as regulamentações. Tudo isso conta. Por vezes pode parecer improvisação, mas não é. Muitas vezes não tens toda a informação e, quando ela chega, tens de te adaptar rapidamente, porque não estamos fora do sistema. Não fazemos o que queremos como se fosse um jogo. Estamos inseridos num sistema que inclui regras, especialmente ligadas a políticas ambientais.»
Isso muda a perceção de quem manda no campeonato.
«As fábricas obviamente têm influência, mas também se guiam pelas regras e pelo mercado. Tentam antecipar regulamentações quando possível. Mas há mudanças inesperadas, como tarifas ou alterações económicas, que podem afetar mercados importantes. E isso leva a decisões como mudar locais de produção ou estratégias.»
Então o mercado pesa mais do que o desporto?
«Do ponto de vista económico, todos partimos de bases semelhantes: investes num projeto com determinadas regras. Mas se essas regras afetam o negócio, isso influencia a forma como promoves o produto. Depois há o lado desportivo: temos de perceber o que faz sentido para o desenvolvimento dos pilotos e como usar os meios disponíveis. É um equilíbrio complexo.»
Com várias marcas e conceitos diferentes de motores, o cenário é bastante diverso.
«É verdade. Sempre que surge algo novo, é uma incógnita. Se falares com uns, vão dizer que foram prejudicados; outros dirão o contrário. Depois tudo se prova em pista e, a cada três corridas, tentamos ajustar se algo não funcionou como previsto.»
Ou seja, quem não está competitivo acredita que pode melhorar com mudanças.
«Sim, mas também há quem culpe o regulamento. No entanto, esse mesmo regulamento permite ajustes para equilibrar. Nunca vai criar um campeão que não o mereça. Todos têm potencial, mas há uma progressão natural. Não se pode culpar sempre o sistema. O facto de termos grelhas cheias e tantas marcas interessadas mostra que estamos a fazer algo bem.»
Participar no campeonato já dá estatuto.
«Sim, mas não basta estar, é preciso destacar-se. O nosso objetivo é que todos sintam que têm uma oportunidade real de brilhar, seja ao sábado ou domingo.»
E quanto às queixas?
«Faz parte. Cada um defende as suas cores. Nós somos neutros — a nossa “camisa branca” simboliza isso. Temos de ser imparciais. Existe uma estrutura, a Superbike Commission, com decisões partilhadas entre FIM, Dorna e outros. E claro, ouvimos muito os fabricantes.»
«Não haverá conflito. Estamos numa evolução contínua de redução de performance. Os fabricantes já reduziram bastante o consumo de combustível, mas mesmo assim as motos continuam rápidas. Há um limite: quanto mais cortas, mais difícil é compensar. E depois há fatores como pneus e circuitos — a tecnologia evolui mais rápido do que as pistas.»
No final, o WorldSBK revela-se um campeonato em constante adaptação, onde desporto, indústria e mercado caminham lado a lado.
















