SBK: Os erros de Bautista

Por a 2 Julho 2019 15:00

Quando a caravana das SBK deixou Assen há dez semanas, Álvaro Bautista parecia invencível. A estrela da Ducati Aruba começou o ano a vencer no rápido e fluído traçado de Phillip Island. Foi imperioso a vencer no calor sufocante de Buriram. Regressar à Europa com um alvo nas costas não o abalou em Aragão.

A neve de Assen? Um inconveniente, mas nada para se preocupar. 53 pontos à frente, ele estava confortável com a sua vantagem. Começando a sua carreira nas SBK com 11 vitórias consecutivas, não parecia haver nada que o impedisse de manter tal forma.

Imola foi o próximo pouso e seria sempre um teste real. O circuito italiano é técnico e difícil de aprender, e parecia inevitável que, se Jonathan Rea (Kawasaki Racing) tivesse hipótese de bater Bautista, seria aqui.

E assim aconteceu, mas o espanhol só perdeu dez pontos naquele fim-de-semana e ainda tinha uma vantagem saudável.

Uma segunda ronda em casa em Espanha foi a próxima no calendário, e de volta a território familiar, o serviço normal de Bautista foi retomado. Ganhando a corrida de abertura e a de Superpole, o piloto de Talavera estava de volta ao seu melhor.

O rumo do navio tinha sido corrigido e ele estava a vencer corridas depois do contratempo de Imola.

Com uma vantagem de 61 pontos, Bautista foi recompensado pela sua consistência. O que aconteceu nos últimos 16 dias? Essa diferença encolheu para 16 pontos devido a erros do espanhol. A primeira quebra veio na Corrida 2 em Jerez, no início da segunda volta. Rea não tinha o ritmo para vencer naquele dia, mas conseguiu 20 pontos. Isto significou que ao longo de um fim-de-semana de luta ainda foi capaz de chegar dois pontos mais perto de Bautista na classificação.

Jerez em Espanha a seguir foi outro circuito onde Bautista foi dominante. Em Misano, decerto o Espanhol manteria o rol de vitórias… Porém, Misano é um circuito difícil; fica a poucos quilómetros da praia e a superfície da pista foi desenvolvida para lidar com calor, humidade e concentração de sal no ar. Como resultado, pode ser bastante escorregadia.

No sábado, parecia que a sorte de Bautista tinha mudado. Os céus abriram e com uma pista encharcada, ele teve que aprender como os pneus Pirelli funcionavam nessas condições. O piloto de 34 anos adotou uma abordagem cautelosa e fez questão de evitar erros, aproveitando o caos que se seguiu em torno dele para finalmente acabar no pódio, e num dia em que poderia ter perdido uma enorme quantidade de pontos para Rea, só perdeu nove.

Já sob o céu azul no domingo de manhã, Bautista obteve a vitória na Superpole e conseguiu voltar à estaca zero em termos de campeonato; uma vantagem de 39 pontos depois de Rea também cair na corrida de dez voltas. Bautista parecia confortável novamente e era o favorito para a última corrida do fim-de-semana. Porém, apanhado pelo aumento das temperaturas da pista e pelo equilíbrio de uma moto com um tanque cheio de combustível numa pista lisa, caiu à segunda volta. Foi uma repetição de seu acidente em Jerez e fez colocar a pergunta sobre o que acontecera com Bautista?

No momento, é sempre difícil entender o que aconteceu num acidente. Na Corrida Tissot Superpole, Rea sofreu um acidente estranho, mas esse veio de forçar demais o ritmo. Ele queria ficar com o líder da corrida, Bautista, e simplesmente perdeu o controlo. O acidente de Bautista na Corrida 2, porém, significa que é impossível não tentar estabelecer um paralelo aos anteriores.

Tanques de combustível cheios significam que a transferência de peso durante a travagem pode ser muito severa. Pode carregar os garfos dianteiros para baterem no fundo mais rápido do que o esperado. Para um piloto com tanta experiência em MotoGP, pode parecer notável ter cometido um erro tão elementar nas primeiras voltas, mas a sua experiência da rigidez e sensação de uma moto de MotoGP pode ter sido um fator para Bautista e ele foi apanhado de surpresa.

De repente, a partir de uma vantagem de 61 pontos na classificação, a diferença é de 16 pontos e Bautista, apesar de ter sido indiscutivelmente o homem mais rápido em 2019, viu o seu avanço desperdiçado. A pressão está no espanhol para endireitar o navio. Bautista ainda é o favorito, mas Donington Park e Laguna Seca podem ser territórios favoráveis a Rea. Nada pode ser tomado por garantido após os erros de Bautista e as próximas corridas podem definir a sua campanha de rookies.

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