Fique a saber tudo sobre a nova classe de Miguel Oliveira e as diferenças entre uma SBK e uma MotoGP
Com a mudança de Miguel Oliveira dos protótipos de MotoGP para as Superbike, uma fórmula baseada em motos de produção homologadas, muitos fãs vão dedicar à categoria uma atenção que nunca lhe tinham prestado antes. Também é natural que tenham dúvidas sobre o que é, exatamente, uma SBK, e quais são as diferenças entre as motos dos dois mundiais. Assim preparámos este artigo para tentar esclarecer exatamente esse tipo de dúvidas.
A principal diferença entre uma moto de MotoGP e uma Superbike é que as motos que competem na MotoGP são protótipos construídos exclusivamente para corridas, enquanto uma Superbike é uma moto de produção modificada, baseada em modelos disponíveis comercialmente.

Como tal, numa SBK, coisas como o quadro nas suas dimensões fundamentais e a maioria das cotas do motor não podem ser alterados. Já o braço oscilante, radiadores, escape e suspensões são livres, mantendo o mesmo sistema que o de origem. Dum modo muito geral, se uma modificação tende a melhorar a segurança, é permitida (por exemplo, remover zonas do quadro que servem para montar poisa-pés do pendura, descansos, etc.) mas se é tendente a melhorar o desempenho, não.

Outro modo de ver, sendo as MotoGP construidas em números limitadíssimos de 4 ou 6 motos por ano, pode-se dizer que uma SBK inteira, que custa algo como 200.000 Euros em preparação, vale o mesmo que a dianteira duma MotoGP, em que só uns garfos de fábrica poderiam custar 50.000 Euros, se fossem comercializados.
As SBK são limitadas no depósito de 21 lts, peso mínimo de 168 Kg e, se o piloto for muito leve, num lastro de metade do peso a menos de 80 Kg, ou seja, um Piloto que pesasse 60 kg teria de levar 10 Kg de lastro na moto.
Há também uma restrição ao fluxo máximo de combustível, passível de ser alterada por regulamento para equilibrar o jogo, se a organização achar que uma marca está a dominar injustamente.

A travagem também está limitada a discos de aço, com o uso de carbono banido há uns anos. A quantidade de eletrónica que pode ser usada também se destina só a recolher dados, e não, como na MotoGP, a ajustar suspensões ou altura ao solo eletronicamente. As SBK acabam por estar limitadas pelas dimensões críticas e soluções técnicas da moto que serviu para homologação originalmente, razão porque, por vezes, os fabricantes lançam edições muito limitadas de certos modelos.

Para serem homologadas para o WSBK, os fabricantes devem produzir um mínimo de 125 motos para a inspeção inicial, 250 unidades até ao final do primeiro ano de competição e um total de 500 unidades até ao final do segundo ano.
Estes números refletem as recentes alterações nas regras que reduziram significativamente os requisitos de volume de produção, o que basicamente permitiu a marcas mais artesanais como a Bimota competir.

Vindo da MotoGP, Miguel Oliveira terá agora de se habituar ao facto de que pode mudar certas coisas na sua BMW, mas não outras.
Para um piloto vindo da MotoGP, uma SBK vai ter sempre uma sensação algo pesadona, com mais 11 Kg que uma MotoGP, e um chassis menos preciso, com uma permanente sensação de andar a ‘derrapar’ e menos parâmetros nas ajudas eletrónicas.
Componentes também são caros, sem chegar aos extremos da MotoGP, com um sistema de escape Akrapovič, que por exemplo, só na Ducati Panigale V4 garante mais 12 cavalos, a custar cerca de 4.000 Euros. Já um sistema de garfos Öhlins para a dianteira de uma SBK custa cerca de 11.000 Euros e uma jantes Marchesini de magnésio cerca de 5.000 Euros o par.

Em termos de performance, e considerando a diferença de custos, uma MotoGP e uma SBK não estão tão longe como isso: Um MotoGP moderna deve estar a aproximar-se dos 270 cavalos hoje em dia, com algo como 250 para as melhores SBK… velocidade máxima, mais de 370 Km/h para uma MotoGP, cerca de 340 para uma SBK. A diferença é a sensibilidade de cada componente e o seu efeito no todo, com uma ajuste de 2mm por vezes a fazer uma diferença discernível… e conversamente, a exigir dos melhores pilotos do mundo para extrair o melhor desempenho do binómio homem-máquina.
















