MotoGP: Recordando Hailwood

Por a 19 Setembro 2019 17:00

Com o frenesim das celebrações que se seguiram à mais recente vitória de Marc Márquez e toda a ação da última volta em que o campeão ultrapassou, por duas vezes, o rookie que liderara praticamente toda a corrida, houve um facto que passou praticamente despercebido: Esta 77ª vitória de Marc Márquez foi mais um passo na sua escalada para bater todos os recordes conhecidos, ou até alguns mais obscuros, da classe rainha. É que, com mais esta vitória, Márquez ultrapassou definitivamente aquele que alguns ainda dizem ter sido o maior piloto de duas rodas de todos os tempos: Mike “The Bike” Hailwood.

Hailwood não só ganhou, portanto, 76 Grande Prémios, mas também venceu corridas na Ilha de Man a caminho de 9 títulos Mundiais, uma marca que só foi igualada recentemente por Valentino Rossi.

Feito de puro talento, nascido para pilotar, Stanley Michael Hailwood, condecorado pela rainha com uma MBE pelos seus serviços ao desporto, era filho de um abastado comerciante do ramo, que na altura certa não hesitou em ajudar o filho, diz-se que adquirindo uma MV de fábrica para Mike pilotar na Ilha de Man. Fosse como fosse, verdadeiro talento nunca passa despercebido e em breve, por alturas de 1961, portanto com 21 anos, Hailwood tinha ascendido a piloto oficial de uma nova marca japonesa, a Honda.

Logo nesse ano, na visita obrigatória à llha de Man, Hailwood torna-se n primeiro a ganhar três corridas do TT na mesma semana, nas categorias de 125, 250 e 500, o que além de tudo o resto pressupunha uma capacidade de concentração notável, se pensarmos nas sessões de treinos alternadas com cada moto, e na diferença de velocidade com que uma 500 chegaria a certas curvas em relação à 125…

No ano seguinte, o seu arqui-rival Giacomo Agostini torna-se também no seu colega de equipa quando Hailwood assina pela MV Agusta, com que se torna a seguir, e desbravando terreno mais uma vez, no primeiro a ganhar 4 títulos de 500 consecutivos…

Hailwood não era esquisito, pois venceu em Triumph, BSA, Honda, Seeley, MV Agusta e finalmente Ducati e até Suzuki, numa variedade de circuitos, classes e cilindradas.

Por alturas de 1967, com 12 vitórias na Ilha de Man, estava de novo a pilotar para a Honda, com que, claro, venceu no TT mais uma vez, num memorável duelo volta a volta contra Giacomo Agostini, estabelecendo um recorde de volta que permaneceria imbatido 12 anos…

O seu prestígio era tal que, quando a Honda se retirou da competição em 1968, pagou-lhe a elevada soma de 50.000 Libras, equivalente a um milhão de euros hoje, para não pilotar para mais ninguém!

Também raro, de facto quase única a seguir a John Surtees, foi a sua passagem para Formula 1, onde, pilotando para equipas de trás do pelotão, só teve sucesso modesto, mas deu marcas da sua coragem e desportivismo quando no Grande Prémio da África do Sul de 1973 arrancou Clay Regazzoni dum carro em chamas, pegando fogo ao seu próprio fato na tentativa.

Em 1978, já com 38 anos, quis regressar à sua primeira paixão, mas a Honda recusou dar-lhe motos, dizendo que estava velho demais e só o quereriam na Ilha numa capacidade de relações públicas.

Sem se desencorajar, Steve contatou o preparador Steve Wynne da Sports Motorcycles de Manchester, que lhe arranjou e preparou uma Ducati 900SS, com ajuda da italiana NCR Racing, com que venceria de novo, contra todas as previsões ainda por cima batendo a Honda oficial do também multi-titulado Phil Read!

No ano seguinte, ainda ganharia de novo o Senior da Ilha de Man  com uma Suzuki RG500 de Grande Prémio. Perderia a vida tragicamente pouco depois, em Março de 1981, quando ao sair para comprar um jantar de peixe e batatas fritas com os filhos Michelle e David, um camião virou mesmo à sua frente, morrendo ele e a filha…

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