MotoGP história: Alex Crivillé, o primeiro Espanhol, Parte 4

Por a 16 Abril 2020 16:00

Vimos como em 1999 Crivillé finalmente venceu o Campeonato Mundial de 500, agora MotoGP, com 267 pontos, 47 pontos à frente de Kenny Roberts Jr. e 56 pontos à frente do colega de equipa Tadayuki Okada. No final da época, conquistou seis vitórias e o seu primeiro e único título mundial de 500 (já tinha um de 125) na penúltima corrida da temporada no Rio, terminando em sexto lugar e tornando-se, assim, o primeiro Espanhol Campeão Mundial de 500.

O efeito no motociclismo espanhol foi uma bola de neve. Com os numerosos títulos de Nieto e Aspar em 80 e 125, Sito Pons em 250 e agora Crivillé na classe rainha, a Espanha era a mais proeminente nação no motociclismo.

Para Crivillé, as expectativas eram altas de que, depois de conquistar o título em 1999, faria o mesmo em 2000. No entanto, sem Doohan a desenvolver a nova NSR500 para 2000, esta revelou-se pior do que a sua antecessora, até pelas tentativas de a tornar mais dócil de pilotar, com Crivillé frequentemente a lutar sem sucesso durante toda a temporada como resultado.

O efeito de um espanhol ganhar a classe rainha foi incrível

Um quinto lugar na ronda inaugural na África do Sul fez dele o melhor dos pilotos da Honda Repsol, com Sete Gibernau e Tadayuki Okada fora da corrida. Depois, uma queda na primeira volta fez Crivillé retirar-se na Malásia, com um sexto e quarto lugares seguidos nos GPs japonês e espanhol.

Na quinta ronda da temporada em França, Crivillé conseguiu a sua última vitória de carreira. Apesar de ter saído do quinto lugar da grelha, Crivillé fez um arranque relativamente bom e subiu lentamente de posição, ultrapassando Carlos Checa e Kenny Roberts Jr. para assumir a liderança. Em seguida, lutou e afastou a carga dura de Norifumi Abe e do estreante Valentino Rossi para cruzar a linha da meta 0,321 à frente do japonês.

Após a vitória em Le Mans, Crivillé teve quedas após oito e dez voltas em Mugello e na Catalunha, fazendo-o retirar-se duas vezes. Numa corrida molhada na Holanda, ficou em segundo lugar, atrás de Alex Barros, depois de ambos terem ultrapassado Sete Gibernau e Régis Laconi, Alex Crivillé incapaz de fechar a diferença para o brasileiro, que cruzou a linha 2,077s à frente do catalão.

Na Grã-Bretanha, Crivillé terminou em sétimo, mas voltou a cair após doze voltas na Alemanha. Seguiram-se mais pontos quando terminou no sétimo e sexto lugar no GP da República Checa e do Grande Prémio de Portugal, o primeiro disputado no Estoril. Na 13ª ronda da Comunidade Valenciana, Crivillé fez a sua única volta mais rápida da temporada, mas caiu após doze voltas, somando mais uma desistência à sua contagem.

Seguiram-se mais dois pontos no Rio de Janeiro, onde terminou em 11º, e no Pacífico, onde terminou em sexto. Crivillé retirou-se na última corrida do ano na Austrália, ao cair após nove voltas – a sua sexta desistência da temporada.

Assim, Crivillé terminou no nono lugar do campeonato, com 122 pontos, 136 pontos atrás do campeão Kenny Roberts Jr. e 87 pontos atrás do segundo classificado, Valentino Rossi.

Após o final da temporada, em Novembro de 2000, Crivillé caiu no segundo de três dias de testes no circuito de Jerez. Perdeu a frente ao entrar na curva “Dry Sack” a cerca de 100 km/h. Uma mão ficou presa debaixo da moto e magoou o dedo mindinho direito. Depois de um primeiro diagnóstico feito no centro médico do circuito, foi transportado para Barcelona para verificar a lesão, e precisou de ser operado.

Tendo perdido o título para Kenny Roberts Jr., mudou o seu número de 1 para 28 em 2001, o seu último ano com a Honda Repsol. Ainda assinou um novo contrato com a equipa, prolongando-o por um ano, em Agosto de 2000. A Suzuki também o abordou com o intuito de o fazer parceiro de Kenny Roberts Jr. nesse ano, mas o catalão recusou a oferta.

Crivillé iniciou a temporada com dois resultados médios, na forma de 9º no Japão e 6º na Africa do Sul, ainda com uma moto com baixo desempenho e difícil.

O seu primeiro pódio chegou no GP de Espanha. Depois de ter sido 12º classificado no sábado devido a problemas de preparação com a sua moto, caiu para o 13º lugar na primeira volta, tendo voltado ao oitavo lugar na volta 10, e sétimo quando ultrapassou Biaggi, que cometeu um erro ao sair largo na mesma volta. Na 12ª volta, ultrapassou Alex Barros pelo sexto lugar, e fez o mesmo com Kenny Roberts Jr. no início da 13ª volta, promovendo-o ao quinto lugar. Em seguida, ele carregou atrás de Shinya Nakano, aproximando-se dele a cada volta.

Na 15ª volta, Loris Capirossi saiu largo e perdeu o terceiro lugar, promovendo Nakano a terceiro e Crivillé ao quarto lugar. No início da 16ª volta, Crivillé ultrapassou Nakano da mesma forma que fez com Kenny Roberts Jr. na reta final, passando pelo interior da curva 1. Depois fechou a diferença para o segundo lugar, Norifumi Abe, e esteve perto nas últimas voltas, mas acabou por não conseguir ultrapassá-lo e teve de se contentar com terceiro lugar. Pior, Rossi vencera as 3 primeiras corridas, ganhando uma boa vantagem no Campeonato.

Depois da corrida, o catalão disse que “era ótimo estar no pódio outra vez” e “tive tantos problemas este fim de semana, mas para a Honda e a Repsol estamos aonde devíamos estar. Parece 1999 de novo e estou a andar como sei que posso. O ano passado foi tão mau que todos disseram que eu estava acabado. Este resultado significa muito.”

Várias quedas complicaram a época de Crivillé em 2001

Seguiram-se mais pontos depois de Jerez, com quinto em França, quarto em Itália e 11º na Catalunha. Crivillé teve a sua primeira saída de prova no GP da Holanda quando caiu ao fim de apenas três voltas. Depois, terminou em sétimo lugar na Grã-Bretanha.

No Grande Prémio da Alemanha, depois de dois acidentes na mesma curva na segunda sessão de qualificação, Crivillé desistiu. No primeiro, colidiu com a lateral da Honda Pons de Loris Capirossi, despistando-se. Saiu ileso, apesar do incidente parecer grave, mas da segunda vez, caiu sozinho e perdeu a consciência.

Foi levado para o hospital atordoado e confuso, com um dedo indicador esquerdo partido, e inúmeros cortes no rosto e na testa. Não se lembrava da primeira queda, e só recuperou a memória depois de alguns minutos. Como resultado, os médicos decidiram levá-lo ao centro médico em Chemnitz para ser submetido a um exame para verificar se estava tudo bem.

Depois de perder a corrida no Sachsenring, Crivillé regressou à República Checa da melhor forma possível. Apenas oitavo nos treinos, subiu ao segundo lugar, defendendo a sua posição de Capirossi na última volta, para o seu melhor resultado desde que vencera o Grande Prémio de França de 2000. Depois da corrida, Crivillé comentou que “Depois da Alemanha nunca imaginei que estaria no pódio aqui, este resultado é como uma vitória para mim”, e “Tive um bom descanso durante o intervalo e isso ajudou muito. A equipa trabalhou bem aqui e agora demonstrei que não sou muito velho para andar na frente!”

No entanto, após o seu bom resultado em Brno, seguiram-se mais duas retiradas. Em Portugal caiu na primeira volta e na corrida da Comunidade Valenciana, fez o mesmo na volta 7. Nas últimas quatro corridas da temporada – as rondas do Pacífico, Austrália, Malásia e Rio de Janeiro, Crivillé terminou em 11.º, sexto e sétimo.

Assim, Crivillé terminou em oitavo lugar no campeonato, com 120 pontos, 205 pontos atrás do campeão Valentino Rossi e 90 pontos atrás do segundo classificado, Max Biaggi.

Numa conferência de imprensa antes do Grande Prémio de Portugal de 2001, em Setembro, a imprensa perguntou-lhe dos rumores sobre o seu futuro com a equipa da Honda Repsol, ao que respondeu “Não sei o que se passa, estamos em conversações neste momento, mas tenho opções se não houver uma oferta adequada da Honda”.

Pouco depois, a 12 de Novembro de 2001, Crivillé anunciou que se tinha separado da Honda Repsol após dez anos na equipa e que estava a ponderar as suas opções para a temporada de 2002. “Esta semana tudo será decidido e serei eu e mais ninguém a tomar a decisão”, disse. Inicialmente, havia planos para andar numa moto oficial de quatro tempos em 2002. No entanto, a proposta que esperava não apareceu e, como resultado, começou a falar com Luis d’Antin, dono da Yamaha Pramac d’Antin, para uma oportunidade de andar pela equipa tendo como parceiro Norifumi Abe.

Em 2020, Crivillé foi homenageado com o “capacete de ouro”

No entanto, Crivillé não pôde alinhar em 2002 devido a problemas de saúde indeterminados. Em conferência de imprensa, no final de 2001, afirmou que “fui forçado a fazer uma pausa na minha carreira desportiva devido a problemas físicos. Desde 1999, (…) perco temporariamente a consciência de vez em quando. Não é grave, mas depois de consultar os melhores especialistas da área fui aconselhado a parar de andar por um tempo, aproveitar para relaxar e submeter-me aos testes necessários.”

Crivillé ainda afirmou que não pretendia reformar-se, mas a 5 de Maio de 2002, agora com 32 anos, realizou uma conferência de imprensa no Grande Prémio de Espanha, onde anunciou a sua retirada da modalidade, citando a doença como motivo. “Este é um dia muito emotivo para mim e decidi reformar-me depois de pensar longamente. Vou agora tirar um ano de folga e depois disso gostaria de voltar ao mundo das corridas de moto, mas quanto ao papel que teria, ainda não tenho a certeza.” – disse o Campeão na altura.

Após a sua reforma, ainda está muitas vezes presente no paddock de MotoGP e é visto na boxe da Honda Repsol, juntamente com Mick Doohan em eventos especiais da equipa, como os 20 e 25 anos de colaboração da Repsol com a equipa em 2014 e 2019.

 

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