MotoGP história: 1981, o ano de “Lucky”

Por a 7 Abril 2020 16:00

Ao longo dos anos da MotoGP, um punhado de pilotos dominou de tal modo o Mundial, que nas duas décadas a seguir a Gary Hocking em 1961, apenas houve 5 Campeões Mundiais.

Isto deixou escassas oportunidades a outros pilotos, menos afortunados ou sem apoio oficial, de conquistar títulos, embora ainda brilhassem individualmente. Uma exceção foi Marco Lucchinelli, nascido a 26 de Junho de 1954 em Bolano, na Liguria, que em 1981 venceu o Campeonato Mundial de 500cc com a famosa equipa Suzuki Nava de Roberto Gallina.

Foto Paulo Araújo

Marco é um daqueles talentos inatos, que iniciou a sua carreira de velocidade em 1975 numa Laverda em corridas de resistência, depois de experimentar uma saída em pista a convite de amigos.

A sua condução impressionou o suficiente a Yamaha para lhe darem uma moto e patrocínio no Campeonato Italiano, bem como um lugar no Grande Prémio das Nações de 1975, na classe de 350, onde acabou em 7º na sua estreia internacional.

Em 1976, ainda alinhou numa corrida com a 350, mas já pilotava uma Suzuki RG no Campeonato do Mundo de 500, conquistando o quarto lugar no campeonato, com dois segundos lugares, na Áustria e na Alemanha, juntamente com um terceiro em França, mas várias desistências que o deixaram em quarto no Mundial ganho por Barry Sheene nesse ano. Ganhou a alcunha de crazy horse pelo seu estilo de pilotagem selvagem, que atraiu muitos fãs, mas também significava que caía com frequência. De facto, na temporada de 1977, numa Yamaha, acabou apenas 4 corridas, com segundo na Finlândia mesmo assim, pelo que viria a cair para o 11º lugar no Campeonato do Mundo de 500.

Eventualmente, a alcunha que pegou foi a de “Lucky”, abreviatura do seu apelido que significa “sortudo”, refletida no motivo central da estrela amarela no seu capacete.

Lucchinelli regressou à Suzuki para a temporada de 1978 e em 1980, no famoso Team Nava, e ganhou o seu primeiro Grande Prémio de 500cc no Grande Prémio da Alemanha no Nürburgring. Terminaria a temporada em terceiro lugar, atrás do grande Kenny Roberts e de Randy Mamola, outro relativo recém-chegado que nunca chegaria a campeão.

Na verdade, Lucchinelli teve o seu melhor ano em 1981. Começou o ano com uma vitória sobre Kenny Roberts na prestigiada corrida extra-campeonato das 200 Milhas de Imola em Itália. Depois, levou 5 vitórias de Grande Prémio a bordo das motos de Roberto Gallina, apoiadas pela Suzuki, lutando contra Randy Mamola até à última corrida da temporada para vencer o Campeonato do Mundo de 500cc.

Em 1982, Lucchinelli aceitou uma oferta da Honda para correr com a nova NS500 de três cilindros ao lado de Freddie Spencer e Takazumi Katayama. Teria uma temporada sem brilho com alguns quintos lugares, em que a Suzuki de Roberto Gallina, pela qual Lucchinelli tinha conquistado o título no ano anterior, ganharia o campeonato de novo, mas desta com Franco Uncini.

A Honda NS não estava, simplesmente, suficientemente desenvolvida até chegar um Americano chamado Freddie Spencer… Depois de mais uma temporada sem brilho com a Honda em 1983, ingressou na equipa Cagiva nas temporadas de 1984 e 1985, antes de se retirar das corridas de Grande Prémio.

Ainda tentou a sua mão nas corridas de automóveis, competindo na ronda italiana da temporada de Fórmula 3000 de 1986 num Lola-Ford.

Contatado pela Ducati, Lucchinelli correu com um Ducati 851 Superbike para uma vitória popular na corrida Battle of the Twins de Daytona de 1987. Em 1988 juntou-se à Ducati no Campeonato do Mundo de Superbike inaugural, onde venceu duas corridas durante o ano, para acabar 5º, e entrou apenas em meia-dúzia de corridas no segundo ano, antes de assumir o papel de team manager da Ducati dando apoio a Raymond Roche, que conquistou o primeiro título da Ducati.

Era sempre um prazer privar com ele, pelas respostas divertidas na ponta da língua… em Donington, com tempo péssimo, perguntámos-lhe se Raymond Roche preferia o seco ou o molhado… irritado porque o Francês chegava sempre atrasado para tudo, respondeu:“Prefere o Hotel!”

Em 6 de Dezembro de 1991 foi preso por posse de droga, em meio a uma história mal contada de acusações de usar os camiões oficiais da Ducati para transportar droga além fronteiras, de que terá sido ilibado.

Lenda de MotoGP em 2017

Passou algum tempo na prisão, durante o qual lutou com sucesso contra a toxicodependência. Após a reforma, Lucchinelli tornou-se comentador televisivo para a cobertura do motociclismo da rede Eurosport. Retirou-se com 1 título de 500, 6 vitórias e 19 pódios de 75 arranques em Grande Prémio e passou a figurar no livro das lendas do MotoGP, entrando assim no salão da fama do Mundial de MotoGP em Junho de 2017.

Apesar de marcado pela tragédia da morte do seu filho Cristiano num acidente rodoviário, ainda hoje é figura assídua e sempre divertida nos salões e encontros em Itália.

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