MotoGP, as equipas: A LCR de Lucio Cecchinello

Por a 8 Junho 2020 16:00

O Team Manager e ex-piloto de Top das 125 Lucio Cecchinello é uma das verdadeiras personalidades do Paddock dos Grandes Prémios e a sua paixão por este desporto é a mesma que tinha no primeiro dia quando começou a correr nos anos 80.

Cecchinello permanece simpático e acessível

Aos 7 anos, o imberbe Lucio espantou o seu pai quando desmontou um velho motor de motocicleta sozinho e esse foi o primeiro passo para a sua futura “vida nas corridas”. Inicialmente trabalhou como mecânico para equipas do campeonato nacional italiano e depois internacionais, e em 1989 começou a correr no Campeonato Italiano de Sport Produção antes de se mudar para o Campeonato da Europa em 1991 e, dois anos depois, progredir para os Grandes Prémios.

Lucio a liderar as 125 com ambas as motos da LCR

O ano de 1996 foi o primeiro ponto de viragem: Lucio organizou a sua própria pequena equipa para o Campeonato do Mundo na classe de 125, obtendo vários resultados importantes no top 10, como um 12º na Indonésia, um 7º no Japão um 6º em casa em Itália e ainda um 14º na Alemanha, um 9º em Inglaterra, um 8º em Brno, para terminar o Campeonato em beleza com um 7º e 6º seguidos no Brasil e Austrália, dando-lhe nesse ano o 15º lugar no Mundial.

Foi o mesmo em 1997 e em 1998, ano em que, depois de 4 Grandes Prémios, Lucio obteve a sua primeira vitória no Campeonato do Mundo ao vencer em Jarama a caminho de 5º no Mundial.

O piloto/manager, que fala português entre outras línguas, manteve-se na Honda até 2000, obtendo mais resultados importantes na classe mais pequena, nomeadamente com o seu poiloto e amigo íntimo Noboru Ueda (5º em 99 e 2000) , mas em 2001 a Equipa deixou o Construtor Japonês pela Aprilia.

Locatelli foi outro sucesso nas 125

Livre da dificuldade de fazer uma Honda privada andar na frente, Lucio terminou mesmo então o campeonato no 4º lugar, repetindo o mesmo resultado em 2002 com a mais competitiva Aprilia, já que esta fábrica sempre teve uma política de fornecer motos de competição cliente muito parecidas com as oficiais.

Em 2003, na sua última temporada como piloto profissional, Lucio finalmente cruzou a linha de chegada no 1º lugar do GP de Itália em Mugello, colocando uma marca duradoura na sua carreira (com um total de 19 pódios, 7 vitórias e 4 pole positions).

Stefan Bradl celebrou a relação da Honda com a LCR

Hoje o pequeno Italiano nascido em Veneza, que reside no Monaco, é mais conhecido como um muito valorizado descobridor de talentos e Team Manager da Honda LCR que compete na classe rainha, bem como um membro há mais de 15 anos do Comité da IRTA (A associação das equipas envolvida na segurança melhoria e desenvolvimento do Campeonato de MotoGP).

Lucio também expandiu com o LCR E-Team, uma divisão da LCR que compete no Mundial de motos eléctricas MotoE.

Casey Stoner foi projetado para a ribalta pela LCR

Mas voltemos ao princípio. O LCR Team (Lucio Cecchinello Racing) nasceu em 1996 quando Lucio decidiu estabelecer a sua própria equipa seguindo os passos de outros campeões de corridas que fizeram a mesma coisa com sucesso. Simplesmente começando com dois mecânicos e uma carrinha, ao longo dos anos a equipa LCR continuou a crescer transformando-se numa estrutura complexa, altamente organizada e que cuida da sua imagem e patrocinadores como poucas- o que explica porque alguns, como a Givi ou Safilo Oxido, estiveram com ele décadas Após nove anos na classe de 125, e cinco anos na classe de 250, a LCR é uma força a ter em conta na classe de MotoGP, onde compete desde desde 2006 com dois pilotos e 46 colaboradores altamente qualificados vindos de 13 países diferentes.

Cal Crutchlow fez da LCR uma vencedora na classe rainha

Depois, os nomes que já passaram pela LCR graças à capacidade inata de Lucio Cecchinello para identificar talento parecem um “quem é quem” do Mundial: A LCR já alinhou ou introduziu alguns dos pilotos mais talentosos do campo internacional como Nobby Ueda, Alex De Angelis, Mattia Pasini, Randy De Puniet, Roberto Locatelli, Carlos Checa, Casey Stoner, Stefan Bradl, Jack Miller, Cal Crutchlow e muitos outros, com um total de 646 corridas realizadas nas três categorias diferentes em que participa.

O somatório inclui 82 pódios, 24 vitórias, 2 títulos de “Rookie do Ano”, 1 Vice-Campeonato e os Prémios de Melhor Piloto e Equipa independente (em 2016) que são a expressão máxima do trabalho diário conduzido por Lucio e pelos membros da equipa durante mais de 20 anos na competição.

A partir da temporada de 2019, a LCR começou a competir também nas MotoE, o campeonato de eléctricas e alinha de novo em 2020 com Cal Crutchlow e Takaki Nakagami na classe rainha. Sempre perto do topo!

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