MotoGP, 2020: Evolução da técnica

Por a 29 Novembro 2019 16:00

Já falámos do que as equipas andaram à procura nos treinos logo a seguir à última ronda em Valencia e depois em Jerez. Mas o que se viu de novo em pista afinal de contas?

Do lado da Honda Repsol vencedora, além da natural curiosidade que se prendia com a presença estreante em pista do irmão de Marc Márquez Alex, este dispôs de 3 protótipos da moto de 2020, que testou aos limites a ponto de cair no primeiro dia em Jerez. Apesar de não acabar o mais rápido, Marc pode experimentar um novo quadro, coberturas de discos, nova aerodinâmica e, este último, claro, indetetável, um novo motor que combina mais suavidade com maior potência.

Este último detalhe, se tornar a RV213V mais dócil e domável, poderá bem ser um bónus para os outros pilotos Honda, pois se Marc tem a mestria da moto da HRC, não é bem o caso com os outros pilotos do H alado… de resto enquanto para os propósitos de se habituar a uma MotoGP a moto de 2019 servia perfeitamente a Alex Márquez, Cal Crutchlow teve ensejo de testar também um modelo de 2020, ele que foi um dos únicos outros a vencer com a moto.

Quanto às Yamaha, de que só a equipa principal de Viñales e Rossi tiveram à disposição a moto de 2020 para, no caso de Viñales, serem os mais rápidos, além da referida cobertura dos discos, havia um novo ajustador da manete que permite ajustar o desgaste das pastilhas com a mão esquerda (mais livre que a direita, pois não tem de operar nem acelerador nem travão e a embraiagem é redundante após o arranque, sendo a caixa operada por shifter para cima e para baixo).

De notar, sem ser novidade, a extremidade perfurada das manetes dobráveis, que a mais de 300 Km/h se descobriu receberem fluxo da deslocação de ar suficiente para operar os discos ligeiramente… As M1 também exibiam aletas diferentes, aparentemente menos obtrusivas, e parecem ter descartado o braço oscilante de carbono. As Petronas de Quartararo e Morbidelli não andaram longe e eram só as de 2019…

A tendência para 2020, observada além de na Yamaha, também noutra marcas como a Ducati e KTM, é fazer as motos mais compactas e mais penetrantes de frente ao arredondar a dianteira e recolocar subtilmente as entradas de ar para admissão mais direta, que também ajuda a potenciar a combustão. Infelizmente, no caso da KTM, uma carenagem ova que estava em teste foi destruída por uma queda de Pol.

Adicionalmente, muitas motos, como as M1 da Yamaha Monster e as Ducati, foram vistas a testar coberturas de disco em carbono, que ajudam a manter a temperatura dos rotores, já que, ao contrário dos itens de aço, a dissipação no carbono é quase instantânea e a travagem funciona melhor a (muito) quente.

Aliás, do lado da Aprilia, que só receberá a versão 2020 lá para Janeiro em Sepang, a cobertura de disco foi a única modificação visível nas unidades ensaiadas por Andrea Iannone e Aleix Espargaró. Mas as duas marcas do fundo da grelha (Aprilia e KTM) não estão limitadas em modificações ao motor, pelo que são livres de introduzir novas versões a qualquer altura.

Já do lado da Ducati oficial, Dovizioso (Petrucci esteve indisposto e só aproveitou um dia de treinos) teve à sua disposição uma Desmosedici com um novo quadro, tal como Miller, enquanto a nova equipa com estatuto de satélite Avintia receberá as motos de 2019 para o ano, para serem usadas por Tito Rabat e, com sorte, Johann Zarco.

Do lado da KTM havia imenso a testar com Pol Espargaró, nomeadamente um novo quadro em viga em duas versões, uma primeira laranja que foi usada em Valencia e uma segunda em Jerez, que Pol descreveu como “mais uma pequena melhoria”. Em termos exteriores e aerodinâmica, a nova moto é visivelmente um bocadinho mais estreita e arredondada, mas claro que um motor mais rápido e potente deve estar pedido no sapatinho…

Se a adoção pela KTM do novo quadro em viga quase de certeza significa que os dados de 2019 vão todos parar ao lixo, há muito trabalho a fazer do lado das formações da Red Bull, especialmente quando o ónus nos testes caiu todo em cima de Espargaró devido à continuada ausência de Pedrosa por doença…

Com Miguel Oliveira também ausente, mais uma vez no caso da Tech 3, com o rookie Iker Lecuona, a moto de 2019 chegou muito bem para habituação à classe, e mesmo com uma ou outra queda, o espanhol progrediu bem na RC16.

Do lado da Suzuki, mudanças nas aletas aerodinâmicas eram evidentes, mas o novo motor tampouco era visível, exceto nos resultados, que deixaram quer Mir, quer Rins, nos primeiros quatro lugares… 2020 já se afigura ainda mais competitivo!

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