Moto GP história: Quase, quase, Virginio Ferrari

Por a 6 Maio 2020 16:00

Alguns conhecem hoje Virginio Ferrari por ser o concessionário MV Agusta e Ducati no Mónaco, mas o italiano que nasceu em Castellaro, na província de Parma em 19 de Outubro de 1952, é mais conhecido por ter sido vice-Campeão de 500 após várias épocas no Mundial entre 1976 e 1979. A sua melhor temporada foi justamente no campeonato mundial de 1979, quando terminou em segundo lugar atrás de Kenny Roberts.

Estudou em Parma e Milão, e praticou desporto a nível de competição desde muito jovem, começando pelo Atletismo no Milano San Pellegrino. Depois, Virginio começou a correr de moto em 1972, participando no Campeonato Italiano de Motociclismo em corridas de velocidade.

Pódio em Assen com o Holandês Wil Hartog

Em 1973 e 1974, participou no Campeonato Italiano júnior com uma Ducati 500 monocilíndrica e uma Honda Paton 500 de 4 cilindros.

Em 1975 mudou-se para a categoria Senior, e tornou-se piloto profissional, participando no Campeonato Italiano de 500 com a Paton, bem como em várias corridas internacionais de resistência, em Ducati 860.

Com esta, venceu os 1000km de Mugello e os 1000km de Misano. Também ficou em primeiro lugar numa corrida de Fórmula 1 1000 em Misano numa Laverda 750 SFC e em segundo lugar nos 1000km de Le Mans , mais uma vez na Ducati 860.

Depois disso, Virginio foi um dos pilotos principais no Mundial de 500 entre 1975 e 1985, conquistando o título de Vice-Campeão do Mundo em 1979 numa Suzuki 500 da equipa Gallina.

Entre os seus melhores resultados contam-se 1 vitória em 1978 no Nurburgring e uma vitória em 1979, em Assen no Grande Prémio da Holanda. Nesse ano, continuando na resistência, também venceu as 200 Milhas de Paul Ricard e as 200 Milhas de Mugello, sempre na Ducati, quando estabeleceu uma ligação com a marca e os seus novos proprietários, os irmãos Castiglioni, que duraria muitos anos.

Com a Suzuki Nava em 1979

A sua lista de conquistas também inclui três títulos italianos, em 1978 quando foi Campeão italiano de 500 numa Suzuki RG 500 e Campeão italiano de 750cc numa Yamaha OW31, e mais tarde em 1985, quando voltou a ser Campeão de TT F1 de Itália numa Ducati 750 F1.

No Mundial, Ferrari iniciou a temporada de 1979 com uma série de resultados do pódio, terminando em segundo lugar atrás de Barry Sheene no Grande Prémio da Venezuela e, segundo outra vez a seguir a Kenny Roberts no Grande Prémio da Áustria. Continuou a registar bons resultados com um terceiro lugar na Alemanha e outro segundo atrás de Roberts, em Itália. Depois, Ferrari ficou fora do pódio com um quarto lugar em Espanha, antes de recuperar com mais um segundo lugar para Roberts, na Jugoslávia. A sua vitória no TT holandês em Assen, juntamente com um oitavo lugar de Roberts, atirou Ferrari para a liderança do campeonato, à medida que a série se dirigia para Spa na Bélgica.

Então, Ferrari envolveu-se na controvérsia no Grande Prémio da Bélgica, realizado no circuito de Spa, que deu lugar às falhadas “World Series” quando ele, juntamente com Roberts e outros pilotos de topo se recusaram a correr devido a condições de pista inseguras.

O circuito tinha sido asfaltado poucos dias antes da corrida, deixando uma superfície de pista que muitos pilotos acharam que não era segura devido ao gasóleo do alcatrão que se evaporava ainda à superfície. Ferrari, juntamente com Roberts, instigou a revolta dos pilotos e recusou-se a correr e Roberts disse mesmo que ia fazer uma série paralela a concorrer com os Grand Prix.

A prepotente FIM da altura, em vez de dar razão aos pilotos em nome da segurança, especialmente em vista da tragédia de Monza uns anos antes, quando Saarinen e Pasolini morreram no mesmo dia por causa de óleo na pista, reagiu suspendendo Roberts e Ferrari, embora mais tarde tenha reduzido a suspensão a condicional.

Após a ronda belga, no entanto, Ferrari sofreu uma série de resultados desastrosos com um décimo quinto lugar na Finlândia, (que na altura não pontuava) seguido de um melhor quarto lugar na Grã-Bretanha, antes de uma queda no Grande Prémio de França, no final da temporada, que entregou o título mundial a Roberts.

Em 1986, Ferrari andou ao contrário do percurso normal, passando das 500 para as 250, e montou uma Honda NSR250 numa equipa dirigida por Takazumi Katayama no Campeonato do Mundo sem grande sucesso: Com apenas quatro resultados entre os 10 melhores, sendo o melhor um 6º lugar em Silverstone, terminou em 14º lugar no Campeonato. Durante este período, procurado pelos seus conhecimento técnicos e dotes de afinador, também iniciou intensa atividade como piloto de testes de protótipos de competição para a Suzuki, Ducati, Cagiva, (por quem também pilotou no Mundial) Honda, Bimota e ainda em testes de pneus para a Michelin e Dunlop.

Depois, nos primórdios das SBK, Ferrari conquistou o título de Fórmula 1 TT de 1987 a bordo de uma Yamaha Bimota YB4 EI. A primeira corrida da temporada foi em Misano, literalmente a minutos da fábrica da Bimota em Rimini, mas não podia ter começado pior para o esforço da fábrica.

Ferrari caiu em óleo a meio da corrida e Tardozzi retirou-se com uma bomba de combustível estragada. A segunda ronda no Hungaroring, porém, e o restante Campeonato demonstrou o potencial da Bimota YB4-R. A próxima ronda foi no magnífico Hockenheimring… e as Bimotas voltaram a estar à altura da ocasião. De forma dominante, terminaram com Ferrari em primeiro lugar e Tardozzi em segundo. Ferrari ainda venceu a provas de TT F1 em Assen, mas não visitou Vila Real! Nesse ano, sempre apaixonado pela Resistência, ainda tirou um 1º lugar nas 6 Horas de Monza.

Resistência com uma Ducati 900 Desmo

A sua última temporada nos Grandes Prémios foi em 1989, novamente na classe de 250, com o italiano a pilotar uma Gazzaniga, não conseguindo marcar qualquer ponto e terminando em 28º lugar em Salzburg e 27º no seu último Grande Prémio em Brno.

Após a sua carreira em Grande Prémio, Ferrari mudou-se para o Campeonato do Mundo de Superbike em 1988, montando pela equipa Ducati. Mas era o fim da sua carreria de piloto, e em seguida, assumiu o cargo de team manager da casa de Bolonha, sucedendo a Franco Unicini, até 1998, quando Davide Tardozzi assumiu o cargo.

Em 1990, foi responsável pela equipa oficial da Cagiva 500 no Mundial com os pilotos Haslam, Mamola e Barros e testou unidades para a Cagiva e Ducati. De facto, foi o primeiro piloto a testar o chassis de carbono da Cagiva 500 GP, produzido pela Ferrari em Maranello.

Em 1992, os irmãos Castiglioni confiam-lhe a gestão do espaço do Grupo Cagiva no Mónaco, bem como a gestão da equipa oficial da Ducati em 1994.

Na Marlboro Yamaha de Agostini

Em 1994, é Team Manager da Ducati Corse e vence o Campeonato Mundial de Superbike em 1994 e 1995 com Carl Fogarty.

Em 1996, a sua equipa ADVF, iniciais dos sócios Alexandre Dauly e Virginio Ferrari, surge em terceiro lugar com John Kocinski e em 1997, em segundo com Carl Fogarty, e logo em 1998, terceiro com Troy Corser e quarto com PierFrancesco Chili.

De 1994 a 1998 como Team Manager da equipa oficial da Ducati, arrecada 43 vitórias no Campeonato do Mundo de Superbike com os pilotos Chili, Corser, Falappa, Fogarty, Kocinski e Lucchiari.

No final da temporada de 1998, a colaboração com a Ducati, que entretanto tinha sido vendida ao Texas Pacific Group, é terminada abruptamente sem aviso.

Virginio recorre aos tribunais contra a Ducati, pela injustificada resolução antecipada do seu contrato e (depois de 12 anos de procedimentos) ganha o caso.

Em 2000 traz a marca Bimota para a competição e consegue uma vitória notável

na prova do Campeonato Mundial de Superbike, na Austrália, com Anthony Gobert. Ferrari ainda dirigiu brevemente a equipa Kawasaki PSG-1 no Campeonato do Mundo de Superbike em 2007.

A partir de 1985, colaborou com a TeleMonteCarlo Itália como comentador televisivo para os Grandes Prémios de MotoGP, e como piloto de testes de motociclismo.

Procurado pela sua experiência no mundo do motociclismo, participa ainda em programas especializados como “Griglia di Partenza” em Itália. A sua organização técnica ITO também foi responsável pela formação de mecânicos para os concessionários franceses da MV Agusta em 2006 e 2007.

Atualmente, com a sua empresa Virginio Ferrari Racing, é importador da MV Agusta no Mónaco e concessionário oficial para a MV Agusta e Ducati.

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