Dani Pedrosa é, sem discussão, um dos grandes talentos que o motociclismo espanhol já produziu. 31 vitórias, 3 títulos mundiais (dois em 250cc e um em 125cc) e uma legião de fãs que ainda hoje lamenta o facto de não ter conseguido conquistar o tão desejado campeonato de MotoGP. O piloto de Castellar del Vallès sentou-se no podcast “Fast and Curious” para analisar, sem filtros, por que razão esse último passo lhe escapou.
O catalão tentou explicar o contraste entre o início de carreira vitorioso e a fase mais difícil que se seguiu.
“Quando ganhei em 125 e depois em 250, houve um momento a meio de 2005 em que parei e pensei: ‘porque é que tudo isto me está a acontecer de bom?’. Não entendia porque estava a ganhar tanto e porque tudo me corria tão bem. Até eu próprio me surpreendia”, contou.
O problema, segundo Pedrosa, surgiu quando passou a considerar que esse sucesso seria permanente.
“Depois, quando assumi que teria de ser assim para sempre, deixou de ser. Entrei noutra fase da minha vida em que tive de aprender muitas coisas que conscientemente não queria aprender, porque eu queria era ganhar, queria o resultado.”
Pedrosa recordou o contexto competitivo da época.
“Nesse momento, toda a pressão e foco estavam em mim, porque era o Rossi que dominava e eu era o que estava a chegar. Depois vieram o Stoner e o Lorenzo, mas nesse primeiro momento toda a pressão caiu sobre mim. Também estava na Repsol Honda, o que aumentava ainda mais isso.”
O campeonato também evoluiu.
“Entrámos na era das 800cc e a Honda, nesses primeiros 3 ou 4 anos, não era a Honda com que eu tinha estreado.” E surgiu também um tema que sempre gerou debate: os pneus.
“Houve problemas com os pneus. Houve um momento em que até o Rossi conseguiu pneus melhores, mas nós na Honda não. Ele ganhou mais dois campeonatos, enquanto nós tentávamos acompanhar com os pneus mais rápidos da altura.”
Pedrosa destacou ainda a sequência de lesões nos anos em que teve moto para lutar pelo título.
“Quando estabilizámos na Honda, com uma boa moto em 2011, 2012 e 2013… em 2011 tive problemas na clavícula. Em 2012 o Jorge estava muito forte e tive o problema em Misano. Em 2013 também estava bem, mas caí na Alemanha e depois tive o acidente com o Márquez em Aragão. Detalhes, detalhes.”
Apesar de tudo, o balanço é positivo.
“Se tivesse tido aquele extra, podia ter resolvido esses pequenos detalhes que impediram de concretizar o grande sonho. No fim, vejo essa fase como um período em que aprendi imenso. Além disso, tive a sorte — e o azar — de estar numa era de ouro. Não me recrimino por nada, porque sei que era mesmo a crème de la crème naquela altura.”
















