MotoGP, Doha:QUARTARARO VENCE UMA CORRIDA COM MUITA AÇÃO E DRAMA. OLIVEIRA 15º

Por a 4 Abril 2021 19:45

Uma corrida imprevisível e cheia de ação deu numa vitória de Fabio Quartararo. A primeira na equipa oficial da Yamaha, isto apesar de um arranque de corrida frustrante, mas o francês redimiu-se para somar a primeira vitória da temporada.

Por Jorge Covas

O Grande Prémio de Doha foi a segunda corrida da temporada, e a segunda consecutiva no circuito de Losail, no Qatar, numa espécie de “take 2” em relação à semana passada, se bem que a esmagadora maioria dos protagonistas tinham toda a intenção de mudar um pouco a história.

A grelha formou-se com as duas Ducati da equipa Pramac Racing na frente, com o surpreendente Jorge Martín na pole e Johann Zarco ao seu lado. Boas perspetivas para a equipa, que queria tirar o máximo partido do dispositivo de arranque que a Ducati tem e que fez maravilhas na semana passada. Maverick Viñales, o vencedor da semana passada, era 3º, com Jack Miller (Ducati), Fabio Quartararo (Yamaha) e Francesco “Pecco” Bagnaia (Ducati) na segunda linha. Miguel Oliveira partia do 12º lugar, a melhor KTM na qualificação.

As condições da pista estavam bem melhores do que se tinha visto na qualificação, mas a pista estava muito fria, e o pneu macio era a opção lógica, exceto para as quatro KTM, que optaram pela escolha de um pneu médio na frente, para ver se o desgaste era menor e tivessem mais condições de ter um ritmo mais consistente na segunda fase da corrida.

Na partida, Martín saiu disparado para a frente, não dando hipóteses a ninguém. Zarco manteve a segunda posição mas as Yamaha e as Ducati oficiais tiveram arranques desastrosos. Mais impressionante: Miguel Oliveira veio com um arranque fulminante e passou para o 3º lugar, subindo nove posições num ápice. Outro piloto com um belo arranque foi Aleix Espargaró, colocando a Aprilia no 4º lugar e passando poucos segundos depois Oliveira para subir ao 3º lugar.

As Suzuki também arrancaram bem, com Álex Rins e Joan Mir que subiam ao 5º e 6º lugares, respetivamente. Rins passou Oliveira e Mir também fez o mesmo, mas o português devolveu a posição na reta da meta, estabilizando no 5º lugar. Tudo isto na primeira volta!

Mir tinha a pressão de Quartararo, e quase caiu na segunda volta, mas o francês fez uma manobra evasiva, enquanto as Ducati oficiais e Viñales estavam a observar o drama à frente.

Álex Rins estava ao ataque e passou Aleix Espargaró na travagem para a curva 6 para o 3º lugar, na terceira volta. Pouco depois, conseguiu superiorizar-se a Zarco, mas a velocidade na reta da Ducati era imensa, e o francês não teve dificuldades em voltar à posição. Rins tentou uma resposta, insistiu e persistiu, e voltava ao 2º lugar em grande estilo na volta 5, travando mais tarde na curva 6. Ao mesmo tempo, Mir voltava à frente de Oliveira e tentava reduzir a diferença para Espargaró. O português dava o tudo por tudo para se manter no mesmo ritmo de Mir e segurando Miller e Bagnaia, mais rápidos em reta, com um pneu médio na frente.

A corrida continuava com muita ação. Bagnaia e Quartararo fizeram uma dupla e deixaram Oliveira no 9º lugar na volta 7. Viñales não podia perder mais tempo e também passou pela KTM na mesma volta.

Na frente da corrida, a luta continuava, com as Ducati a terem facilidade nas retas, e Rins a atacar na parte mais sinuosa. Aleix Espargaró continuava a impressionar, mantendo-se no 4º lugar e colado aos três primeiros. Rins e Zarco trocavam várias vezes de posição. Eventualmente, o piloto da Suzuki começava a atacar o líder Martín, que continuava, sólido, na frente.

A meio da prova, eram nove pilotos separados por dois segundos, com as KTM oficiais juntas em 10º e 11º lugares a perderem terreno e a liderarem um segundo pelotão. Brad Binder estava a fazer um belo trabalho de recuperação e ultrapassava Oliveira, entrando nos dez primeiros.

Zarco, entretanto, voltava ao 2º lugar e atuava como um “tampão” para Martín. As Ducati oficiais também começavam a retificar as suas posições. Progressivamente, Bagnaia e Miller subiam na tabela, enquanto que Espargaró perdia ritmo e caia na classificação. De repente, Bagnaia era 3º, livrando-se de Rins.

Miller e Mir tinham uma luta interessante, e quase foram ao chão na curva 10. Na reta da meta, Miller e Mir tiveram mesmo uma colisão, com o australiano a protestar de forma exuberante e deixar claro o seu sentimento. Felizmente, seguiram sem mais problemas. Este episódio fê-los descer para o 7º (Miller) e 9º (Mir) lugares. A direção de corrida decidiu que ambos iriam continuar na prova sem penalizações.

Esta corrida estava virada do avesso. Desta vez, era Fabio Quartararo, que subia com calma e ponderação na classificação e aparecia no 4º lugar a oito voltas do fim, parecendo descontraído com a sua Yamaha, tendo uma luta interessante com Rins. A sete voltas do fim, fez uma manobra corajosa a Bagnaia na curva 15, completamente no limite. O italiano respondeu e passou na reta, mas falhou o seu ponto de travagem e caiu para 7º.

De repente, as Yamaha estavam em brasa. Quartararo não hesitou e passou Zarco na curva 10 a cinco voltas do fim e, na mesma volta, atacou e passou Martín na curva 15. O espanhol manteve-se suficientemente perto para usar o cone de aspiração e veio como um foguete de novo para a liderança, mas o francês estava determinado a vencer a sua primeira corrida na equipa oficial e deslizou a sua Yamaha, completamente no limite, mas aguentou, para voltar à liderança, na curva 4. Uma manobra sublime.

Viñales tinha um duelo interessante com Zarco e, depois de passar o francês, foi para cima de Martín, mas cometeu um erro na última curva e alargou a trajetória, tendo que fazer tudo de novo.

Os pilotos estavam a ficar sem tempo, e Quartararo tinha assegurado uma pequena margem para Martín que lhe permitia controlar os acontecimentos. Na última volta, Zarco teve finalmente a oportunidade de atacar o seu colega de equipa, e ambos distanciaram-se de Viñales e de Rins, que ainda estava por perto, passando a Yamaha para o 5º lugar.

Ainda houve tempo para um susto para Quartararo, que por pouco não tinha um problema grave quando passou por cima de um objeto que estava na pista, deixado pela KTM de Danilo Petrucci, mas hoje, nada podia parar o francês.

Depois de uma corrida simplesmente louca, Fabio Quartararo venceu a corrida. Foi a sua primeira vitória na equipa oficial da Yamaha, e deu à marca japonesa um arranque perfeito de campeonato, com a segunda vitória da equipa oficial em duas corridas no Qatar. Depois de um mau arranque, chegando a andar no 8º lugar, o francês redimiu-se e venceu de forma espetacular uma corrida formidável.

Atrás de Quartararo, Zarco conseguiu passar por Martín na curva 15 e chegou ao fim no 2º lugar. Um grande dia para França, com dois pilotos franceses nos dois primeiros lugares. Martín, esse, foi uma grande revelação. Uma corrida muito madura e sólida, e o 3º lugar foi merecido, mas mostrou potencial para vencer.

No 4º lugar ficou Álex Rins na Suzuki, batendo Maverick Viñales, que caiu para o 5º lugar no final. Francesco Bagnaia foi 6º, provavelmente a pensar que podia ter feito algo mais, mas terminou na frente do Campeão do Mundo, Joan Mir, que foi 7º, numa corrida cheia de ação para o espanhol da Suzuki.

Brad Binder fez uma corrida impressionante e, apesar de ter arrancado apenas do 18º lugar, e de ter um pneu médio na frente, deu o tudo por tudo, conseguiu chegar-se ao pelotão principal, e terminou no 8º lugar, o melhor resultado da KTM nesta pista.

Jack Miller ainda deve estar a pensar como é que terminou em 9º lugar, depois de perder várias posições no final, e Aleix Espargaró, que andou pelos primeiros lugares, não foi além do 10 lugar na Aprilia.

Seguiram-se nos lugares pontuáveis Enea Bastianini (Ducati), que teve uma boa prestação, em 11º, Franco Morbidelli foi apenas 12º na Yamaha da SRT, depois de uma semana para esquecer, as duas Honda oficiais não foram além de 13º e 14º lugares, com Pol Espargaró na frente de Stefan Bradl, e Miguel Oliveira fechou os pontos, no 15º lugar. Uma corrida com um arranque promissor, mas, provavelmente, a sua escolha de pneus deu-lhe problemas a meio da corrida, e o português começou a cair na tabela classificativa. Somou um ponto, e ele espera que em Portugal as coisas possam melhorar dramaticamente. Foi uma prova de esforço e sacrifício.

A próxima corrida está marcada para o fim de semana de 16-18 de abril, e é o Grande Prémio de Portugal no Autódromo Internacional do Algarve, onde Miguel Oliveira vai tentar repetir o incrível sucesso que teve no ano passado.

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