“não correr teria de ser decisão unânime!” – Pedro Acosta
Há dias, os brutais acidentes no fim de semana do GP da Catalunha trouxeram à tona uma questão clássica: a segurança dos pilotos e a sua união em questões que podem afetar as suas vidas. Já aqui falámos disto.
Alex Márquez e Johann Zarco foram os mais vitimados, pois sofreram quedas graves, mas também Martin, Ogura, Acosta e DiGiannantonio se acharam envolvidos em acidentes que deram origem a duas bandeiras vermelhas e três partidas interrompidas.
Estes incidentes reacenderam a mesma questão: quem protege realmente os pilotos? Se não quisessem participar no recomeço da corrida, poderiam fazê-lo? Os fabricantes têm a sua associação, a MSMA. As equipas têm a sua, a IRTA. Mas e os pilotos? Não existe um órgão coletivo que zele verdadeiramente pelos seus interesses. A desmotivação geral é tal que a maioria dos pilotos nem se incomoda a ir às reuniões da Comissão de Segurança, pois acham que ninguém os escuta.

Pedro Acosta, jovem, mas incrivelmente franco como sempre, manifestou-se. Como de costume, não se preocupou em medir as palavras. “É muito difícil. Há sempre um piloto que vê uma oportunidade num fim de semana qualquer. Se duas horas antes da corrida eu disser que não vamos correr se alguma coisa acontecer, mas estou em grande forma, é claro que também vou querer correr.”

E o espanhol de 22 anos não estava a ser cínico. Estava a ser sincero.
“Os pilotos, mesmo que nem sempre o demonstrem, são bastante egocêntricos. Estão sempre à procura de uma oportunidade para dar um grande salto.”
A sua lógica é simples, mas incisiva: se numa ocasião todos os 20 pilotos se mantivessem firmes e se recusassem a competir, não haveria corrida. Mas isso nunca acontece. Nem nunca vai acontecer como estão as coisas. Porque alguém vê sempre uma brecha. Alguém pensa sempre: “Esta é a minha oportunidade.”
“É como tudo na vida. Um piloto mantém-se firme se os outros 20 também se mantiverem. Mas está a perseguir um sonho de vida. Se os outros desistirem, também desiste.”
O que Acosta está a querer dizer já foi referido em numerosas ocasiões, e cada vez mais no passado recente: Devia haver uma associação de pilotos, como na Fórmula 1, com alguém experiente à frente – falou-se de Dovizioso – para representar e fazer valer os direitos dos pilotos.
















