Possível entrada de executivos americanos para a Dorna levanta a cortina a mudanças no campeonato

A Liberty Media está a começar a mostrar uma nova direção para o MotoGP, ao envolver lendas americanas como Wayne Rainey e Chuck Aksland, antigos pilotos e agora envolvidos com grande sucesso na organização das séries MotoAmerica.
Analisando a aquisição do Campeonato pela Liberty Media, também dona da Formula 1, esta só pode fazer sentido se o objetivo for atingir uma divulgação mediática muito maior num dos maiores mercados económicos mundiais, a America do Norte, onde por agora o Campeonato é quase desconhecido, ou pior, considerado coisa de europeus…

De facto, numa primeira fase de expansão global, a Dorna já entrou com sucesso pelo gigantesco mercado asiático, onde milhões seguem avidamente o MotoGP, na Malásia, Tailândia, Indonésia e países limítrofes.
Fê-lo com parcerias com circuitos locais, alguns construídos de propósito como Lombok na Indonésia, para que esses países pudessem receber provas do Mundial (eventualmente à custa de destinos do ‘velho mundo’ como a Bélgica, Suécia, ou Chéquia) e com a introdução até à poucos inédita de heróis locais, pilotos como Somkiat Chantra da Tailândia, Hafizh Syahrin da Malásia ou até Aldi Mahendra, que, por ora nas Supersport, pode ser um talento em ascensão.
O próximo passo terá de ser, só pode ser, os Estados Unidos da América… os embriões já estão colocados, com primeiro a American Racing na categoria intermédia e mais recentemente, a Aprilia satélite a ser adquirida pela Americana Trackhouse. Nada destes desenvolvimentos, aparentemente sem relação entre si, acontecem por acaso.

Seja como for, a face da classe rainha do motociclismo parece estar prestes a sofrer uma grande reformulação. Agora mesmo, uma transformação no MotoGP tem sido evidente desde que a Liberty Media assumiu oficialmente o controlo do campeonato de motociclismo mais prestigiado do mundo.
A empresa, que anteriormente transformou com sucesso a Fórmula 1, está agora a tentar uma estratégia semelhante no MotoGP, ao que transparece, principalmente através de parcerias com figuras importantes do mundo das corridas americanas.
Um nome que chamou imediatamente a atenção foi o de Wayne Rainey, tricampeão do mundo de 500cc e a principal figura por detrás da MotoAmerica. Rainey, juntamente com o seu Grupo KRAVE, que inclui também Chuck Aksland, (de pé acima de Rainey) Richard Varner (direita) e Terry Carges (esquerda), é agora alegadamente um consultor externo de alto nível da Liberty Media.
Esta colaboração visa reavaliar a estrutura do desporto, a produção mediática e a direção de desenvolvimento a longo prazo do MotoGP e do WSBK. Segundo relatos dos meios de comunicação italianos, o cargo de Chuck Aksland está a ser considerado para uma promoção. O diretor de operações da MotoAmerica é apontado como um potencial substituto de Carmelo Ezpeleta, que está com 79 anos, como CEO do MotoGP.
Quando Aksland, antigo piloto e a dada altura braço direito de Kenny Roberts no Mundial, comentou: Em 2015, quando assumimos a MotoAmerica, era uma categoria em dificuldades… não havia calendário, patrocinadores ou pessoal”, recordou Aksland. “Começámos do zero, alinhando as regras técnicas e desportivas com o Campeonato do Mundo de Superbike para melhor preparar os pilotos americanos para a competição global.”

A concretizar-se, esta mudança seria a mais significativa desde que a Dorna assumiu o campeonato, no início da década de 1990. A filosofia da Liberty Media é clara: fortalecer o apelo do MotoGP com uma abordagem americana mais moderna, flexível e focada no entretenimento.
Este modelo provou ser bem-sucedido na MotoAmerica, que recuperou a atenção do público nos últimos anos graças a um formato de transmissão mais amigável para as audiências.
O próximo passo esperado é com o Mundial de Superbike. A MotoAmerica já partilha uma plataforma de transmissão com a Fox Sports, que poderá ser um forte parceiro para as Superbike caso a Liberty queira expandir-se para o mercado norte-americano.
Embora Moto3 e Moto2 não sejam prioridades máximas, espera-se que as categorias Superbike, Supersport e SportBike recebam uma atenção significativa, incluindo o potencial envolvimento direto da equipa da MotoAmerica na produção de conteúdos.

Além da reestruturação organizacional, a Liberty está também a rever o calendário de corridas, os regulamentos técnicos e os contratos comerciais. Nos GP de Portimão e Jerez, foram vistos membros do Grupo KRAVE a observar atentamente as operações do paddock de MotoGP, reforçando a impressão de que o projeto já está em curso.
A presença de Wayne Rainey no paddock de Sepang durante o GP da Malásia também indicou a seriedade deste projeto. Acredita-se que a sua presença seja mais do que uma simples visita de cortesia, mas parte de uma nova estratégia para o MotoGP e a Superbike. Com esta ousada mudança, o MotoGP parece estar a entrar numa nova era mais global, mais atraente e mais próxima do mercado americano. Falta definir como isto se poderá refletir nos Grandes Prémios deste lado do Atlântico…
















